Relatos descrevem "mania de perseguição" e preocupação excessiva com segurança
Amigo disse que Bernal, quando era prefeito, chegou a achar que um jornal jogado em sua casa fosse um atentado
Das 14 testemunhas de defesa previstas para serem ouvidas hoje na audiência de instrução da 1ª Vara do Tribunal do Júri sobre o assassinato do fiscal aposentado Roberto Carlos Mazzini, apenas 7 falaram em juízo. Entre elas há amigos e vizinhos, cujos relatos revelaram que Bernal tinha certa “mania de perseguição” e uma preocupação excessiva com a própria segurança.
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Um dos depoentes foi o delegado Valmir Moura Fé, amigo do ex-prefeito e ex-ouvidor-geral da Prefeitura de Campo Grande. Ao falar de Bernal, que, além de advogado, é radialista, Fé afirmou que ele sempre foi educado com as pessoas que conviviam com ele e que sempre pareceu ser uma pessoa equilibrada. “Nunca percebi nada de anormal no comportamento dele”, comentou.
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Entretanto, ao ser questionado pela defesa de Bernal, feita pelo advogado Ricardo Machado, o delegado comentou que ele “relatava constantemente situações de perseguição política”. Noutro trecho, detalha certa vez em que “jogaram um jornal na casa dele e ele acionou a equipe (de segurança) porque ficou receoso de que pudesse ser um atentado ou algo semelhante. Depois perceberam que era apenas um jornal, mas ele demonstrava preocupação constante com a própria segurança”, disse.
“Ele tinha convicção de que estava sendo perseguido ou ameaçado, talvez em razão do contexto político que viveu, principalmente após o processo de cassação e retorno ao cargo. Isso acabou gerando diversos registros de ocorrência”, reafirmou.
O próprio ex-prefeito, durante a oitiva, chegou a comentar sobre isso, dizendo que os processos judiciais que ajuizou sobre a posse do imóvel corriam em segredo de justiça para esconder sua condição de “ruína financeira” de “pessoas ligadas à política e que tinham influência dentro do Judiciário e do Ministério Público”.
Sobre a perda de sua casa em leilão, ao final do depoimento, ele também fez acusações sem prova, afirmando que “essa consolidação foi feita por uma máfia que existe dentro da Caixa Econômica Federal, aproveitando a desgraça das pessoas para obter vantagem e continuar crescendo ilicitamente”.
Antes de a posse do imóvel passar para as mãos da Caixa Econômica, em julho do ano passado, Bernal disse que mantinha negociação direta com o banco, que pretendia chegar a um acordo e que não sabia da existência de um comprador arrematante que teria, agora, direito sobre o imóvel.
Na audiência de hoje ainda foram ouvidos dois vizinhos, dois prestadores de serviço (piscineiro e jardineiro), uma amiga e dois ex-secretários da gestão de Bernal frente à prefeitura: Luiz Alberto Algaranhes Antunes e Ricardo Trefzger Ballock.
Advogados - Tiago Martinho, advogado da família da vítima, diz que a avaliação do dia é positiva. “Em nenhum momento houve invasão. O que existia era uma pessoa ingressando em um imóvel que lhe pertencia legitimamente. Trata-se de uma propriedade que já havia sido escriturada em 19 de fevereiro, com pedido de registro realizado em 23 de fevereiro e posteriormente consolidado em cartório”, detalhou.
Para o advogado do ex-prefeito, Ricardo Machado, o destaque é para a confirmação de que a casa não estava abandonada, o que sustenta a tese de que ninguém poderia acessar o local sem permissão. “Isso pode ser observado por meio das contas de água, contas de luz, contratação de piscineiro e demais comprovações relacionadas às reformas que ele realizava na residência”.
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