Sindicato defende veto a novos cursos e diz que médicos estão desempregados
Entidade avalia que expansão de faculdades privadas não atende a necessidade social e satura o mercado

As decisões recentes do MEC (Ministério da Educação) de indeferir a abertura de dois novos cursos de Medicina em Campo Grande foram bem justificadas, avalia o Sinmed-MS (Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul). Segundo a entidade, a capital já ultrapassa em mais do que o dobro a média de médicos por habitante recomendada por organismos internacionais de saúde, como a OMS (Organização Mundial da Saúde).
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O Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul (Sinmed-MS) defende o veto à abertura de novos cursos de Medicina em Campo Grande, após o Ministério da Educação indeferir duas propostas. A capital já possui 5,3 médicos por mil habitantes, mais que o dobro da média recomendada pela Organização Mundial da Saúde. Segundo o presidente Marcelo Santana Silveira, há médicos desempregados aguardando oportunidades, principalmente no setor público. Silveira critica a expansão de vagas, que, segundo ele, atende mais a interesses econômicos do que às necessidades sociais. Ele alerta para o baixo desempenho de instituições privadas no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica e para a falta de infraestrutura adequada, como hospitais-escola. Além disso, muitos estudantes saem endividados devido a programas de financiamento público, enfrentando dificuldades para ingressar no mercado de trabalho.
De acordo com o presidente do sindicato, Marcelo Santana Silveira, a referência internacional varia entre 1 e 2 médicos por mil habitantes, índice que Mato Grosso do Sul já havia superado em 2024, com mais de três profissionais por mil habitantes. Na Capital, a situação é ainda mais acentuada.
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“Hoje Campo Grande tem 5,3 médicos para cada mil habitantes. Já existem médicos desempregados, que se formam e entram numa fila para conseguir trabalhar. Um dos principais empregadores históricos, que é o poder público municipal, tem hoje um número expressivo de profissionais aguardando para fazer plantões”, afirma.
Para o dirigente, a expansão de vagas deixou de responder a uma necessidade social e passou a atender interesses econômicos. “Começa a ter formação médica não mais para suprir a necessidade da população, mas para inundar o mercado de trabalho e reduzir a remuneração”, ressalta.
Marcelo também critica o desempenho das instituições privadas no Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica). “É a mesma prova para todos os alunos e os estudantes das universidades públicas se saíram muito melhor. A UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) de Três Lagoas, por exemplo, ficou em primeiro lugar. Um terço das faculdades de Medicina teve notas muito baixas, e a maioria delas é privada”, aponta.
Outro ponto de alerta, segundo o sindicato, é o impacto social e financeiro da expansão desses cursos. Marcelo afirma que a maior parte das vagas abertas no ensino privado é financiada por programas públicos, como o Fies (Fundo de Financiamento Estudantil). “Os estudantes saem com grandes dívidas e dificuldades de conseguir emprego; no futuro, prevemos muitos profissionais endividados e sem emprego”, avalia.
O presidente do Sinmed-MS acrescenta ainda que muitas instituições não possuem estrutura adequada para a formação médica. “Grande parte das faculdades privadas não tem hospital-escola próprio e depende de convênios que, muitas vezes, não se concretizam. A formação médica exige treinamento prático em hospitais de maior complexidade, o que não existe em várias cidades”, diz.
Para Silveira, a ausência de hospitais também é um impedimento para a abertura de cursos de medicina em outras cidades do interior do estado. Como a maioria desses municípios não conta com hospitais de alta complexidade, os estudantes não conseguiriam se preparar adequadamente para atuar no mercado de trabalho.
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