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Com realização profissional em alta, maioria diz ser feliz no trabalho

Foram 58% que votaram no "Sim", enquanto a outra metade se dividiu entre "Não" e "Às vezes"

Por Bárbara Cavalcanti | 25/07/2021 07:10
Médico veterinário e ultrasonografista Douglas Mattei se diz realizado no seu trabalho. (Foto: Arquivo Pessoal)
Médico veterinário e ultrasonografista Douglas Mattei se diz realizado no seu trabalho. (Foto: Arquivo Pessoal)

Na enquete de sábado, o Lado B quis saber sobre a felicidade no trabalho. Nos comentários nas redes sociais, ninguém ousou falar abertamente que não é feliz no trabalho, mas no resultado da enquete dá para perceber que, apesar das as opiniões serrem divididas, a maioria é feliz no trabalho sim, mesmo que só às vezes.

Pouco mais da metade, 58%, afirmou que sim, é feliz no trabalho, enquanto a outra metade se dividiu entre o não, com 20%, e às vezes com 22%.

No Instagram, quem fez comentários foram aqueles leitores que se dizem realizados com o que fazem. Houve ainda quem disse que é feliz no trabalho mesmo com a presença de colegas "desagradáveis". Enquanto houve cautela em falar de descontentamento, quem está feliz e realizado no trabalho não escondeu.

Um dos leitores do Campo Grande News que diz sentir essa realização é o médico veterinário ultrassonografista Douglas Mattei. Ele foi aluno bolsista na primeira turma que teve ProUni, e logo no começo do curso diz ter se apaixonado pela área de imagem.

“Me formei em 2009 e sempre consegui trabalhar exatamente na área que escolhi. Aqui em Campo Grande atuo em duas clínicas que são referências e no ano passado fui convidado pra fazer parte de uma escola especializada em São Paulo, com a veterinária pioneira em ultrassonografia veterinária do Brasil. Em agosto inclusive darei minha primeira aula nessa escola. Então trabalhar fazendo o que amo e ser reconhecido para trabalhar nessa instituição me faz realizado”, declara.

Douglas com um de seus pacientes no consultório. (Foto: Arquivo Pessoal)
Douglas com um de seus pacientes no consultório. (Foto: Arquivo Pessoal)

De acordo com a psicóloga clínica Mariana Fiorenza Bianchi Breve, de 33 anos, a pandemia trouxe à tona a questão da realização profissional. “Questões de trabalho, carreira e escolha profissional estão mais gritantes. Creio que exista uma maior evidência, em partes, por estarmos pensando no trabalho não mais como somente o que traz dinheiro para dentro de casa”, comenta.

Ainda de acordo com Mariana, o que pode influenciar na infelicidade no local de trabalho é uma mistura de fatores, como concepções erradas do mercado após a formatura ou quando valores éticos e condições trabalhistas são desproporcionais com aquilo que a pessoa espera e também com a realidade da demanda de trabalho.

“Saímos da escola e entramos na faculdade, via de regra, com a ideia muito errada de que o emprego e o trabalho vão nos proporcionar felicidade eterna por meio do bem que nosso labor vai proporcionar na sociedade”, comenta.

Assim, quando a pessoa começa a perceber que a felicidade no trabalho inclui outras questões, pode acabar gerando sofrimento. “Tudo isso influencia sem dúvida no emocional do sujeito, na sua vida fora do trabalho, não há como não influenciar”, reforça.

Nessas horas, a terapia é aliada, não apenas como tratamento de saúde mental, mas também para aprofundar mais no assunto orientação profissional e até talvez procurar um trabalho diferente.

“Quando o sujeito vai para a terapia é porque o sofrimento está muito insustentável, portanto entendo que o tratamento clínico é imprescindível seja nos casos de saúde do trabalhador ou não. Falar e resignificar, falar e se reconhecer finalmente nas suas escolhas tem um valor absurdo e um efeito muito duradouro”, detalha.

A pandemia também adicionou aos sentimentos negativos em geral, o que reforça a importância da terapia em geral.

“Noto uma tristeza no discurso, a incerteza do amanhã, onde mostra uma impossibilidade de poder fazer planos. Na clínica há uma busca “pela primeira vez”, afinal tem sido muito difundida a busca pela terapia ou análise nesse momento. Quanto aos retornos, posso dizer que recentemente recebi uma mensagem assim “oi sumida, vim buscar o balde”. Então há também muitos retornos de pacientes”, comenta ainda a psicanalista Isangela Lins Almeida.

A treinadora comportamental Kaká Ribeiro também reforça que não é possível ajustar a parte profissional sem olhar para a parte pessoal, mas que a felicidade no trabalho também inclui outros fatores, que têm a ver com a gestão.

“Reconhecimento é uma das coisas que gera muita insatisfação na área profissional. Se todos os gestores tivessem a consciência de como o reconhecimento ajuda, isso melhoraria também muita coisa. Além disso, muitas pessoas também sentem a insatisfação financeira, buscam um retorno financeiro maior”, detalha.

Kaká Ribeiro em um de seus treinamentos sobre qualificação profissional. (Foto: Arquivo Pessoal)
Kaká Ribeiro em um de seus treinamentos sobre qualificação profissional. (Foto: Arquivo Pessoal)

Essas duas coisas unidas fazem com que muitos desenvolvam múltiplas funções, às vezes transformando algo que gostam em outros períodos. Assim, a felicidade profissional vem de quando a pessoa se sente realmente conectada com aquilo que gosta de fazer. “Eu falo muito que existe uma arte dentro de nós, cada um tem algo que só nós fazemos. Entender o que é a nossa arte, o que faz nossa “alma cantar”, isso é muito importante”, reforça.

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