Maioria é contra "ideologia de gênero", mas leitores defendem educação sexual
Termo é usado de forma equivocada sobre estudos de gênero; deputado quer controlar conteúdo das escolas de MS
Enquete publicada pelo Campo Grande News terminou com a maioria dos votos favoráveis a proibição de professores falarem sobre "ideologia de gênero", por 72% a 28%. No entanto, o projeto gerou centenas de comentários nas redes sociais - e muitos leitores defenderam a educação sexual nas escolas de Mato Grosso do Sul.
A discussão teve início quando o deputado estadual Antonio Vaz (Republicanos) apresentou projeto de lei para coibir esse tema em instituições públicas e particulares do Estado, com previsão de aproximadamente R$ 4,3 mil de multa para profissionais de educação que descumprissem a norma.
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Pastor da Igreja Universal do Reino de Deus, Vaz acusa haver doutrinação ideológica em instituições de ensino, seja por professores ou pelos livros didáticos. O líder religioso também ressaltou que preza a neutralidade política, ideológica e religiosa.
Conforme noticiado pelo Campo Grande News, o presidente da Fetems (Federação dos Trabalhadores em Educação), Jaime Teixeira, criticou a proposta e lembrou que a discussão sobre gênero já está prevista no Plano Nacional de Educação.
A leitora Pamellinha Arguelho, nos comentários, disse concordar da proposta, por entender que "cabe aos pais esse assunto".
No entanto, a leitora Suzi Alcará comenta que não existe "ideologia de gênero", assim como é proposto pelo deputado. "Só de ler alguns comentários aqui, consigo entender porque eu sei mais da vida dos meus alunos que os próprios pais. Percebe-se que quem está aqui destilando ódio não conhece uma escola ou sala de aula".
Segundo ela, que é professora, alunos aprendem o que é orientação sexual, homofobia, racismo, machismo, mas não da forma como é dito por quem "não conhece uma escola ou sala de aula".
"Mas isso não é ensinar o que esse deputado aí está falando! É ensinar a respeitar o próximo, respeitar diferenças, fazer do mundo um lugar mais acolhedor a quem vocês, preconceituosos de plantão. insistem tanto em excluir", diz Suzi.
Ainda que a leitora Katia Rosana ressalte que o termo "ideologia" não soa adequado, ela entende que estudos de gênero são necessários para a formação do estudante. "Onde os alunos pudessem estudar e compreender a expressão, os sujeitos, propor conceitos e teorias para sua existência e ajudar a construir um mundo onde haja mais respeito".
A leitora Lilian Aparecida Bueno Morínigo frisa que professores não "orientam" alguém em relação a sexualidade, mas que ensinam, por meio de palestras e diálogos, sobre a saúde. "O que existe são palestras, diálogos sobre doenças sexualmente transmissíveis, higiene do próprio corpo e exemplificações sobre que ninguém deve tocar no seu corpo, já que existem inúmeros casos de abusos sexuais, e infelizmente a maioria dos casos os criminosos estão dentro dos lares - pais, padrastos e etc."
Só quem trabalha numa escola sabe a realidade! Todos os dias são casos absurdos! Choros, crises de ansiedade, depressão, entre outros casos! Pelos comentários a maioria não acompanha os filhos e as reuniões nas escolas", diz Lilian.
A leitora Jaqueline Montenegro questiona a falta de políticas públicas que visam prevenir e tratar as crianças que foram vítimas de quaisquer tipos de abuso. "Fortalecimento de redes de apoio que ofertassem mais do que o mínimo de condições para as crianças que são violentadas dia após dia"
Já o leitor Hugo D'Ávila ressalta que muitos professores tratam sobre a educação sexual, explicando os perigos de ISTs (Infecções Sexualmente Transmissíveis), por exemplo. "Vai muito mais pra o respeito e para o conhecimento de determinados assuntos que podem ajudar em diversos outros problema que temos".