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Esportes

Amigo do presidente, Cezário teve suporte direto da CBF para seguir na federação

Chapa encabeçada pelo “mandachuva” do futebol em MS, que atualmente está preso, foi a única a disputar

Por Jhefferson Gamarra | 23/05/2024 15:32
Presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues ao lado do presidente da FFMS, Francisco Cezário (Foto: Divulgação)
Presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues ao lado do presidente da FFMS, Francisco Cezário (Foto: Divulgação)

Preso desde a última terça-feira (21), sob a acusação de liderar uma organização criminosa envolvida em peculato e desvio de recursos da FFMS (Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul), Francisco Cezário de Oliveira, 77 anos, que há mais de 26 anos dá as cartas no futebol estadual, contou com o apoio da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) no pleito de 2022 que lhe garantiu mais 4 anos como presidente.

Conforme o relatório de gestão 2022, a entidade máxima do futebol brasileiro prestou assessoria jurídica e deu suporte a Federação de Mato Grosso do Sul na condução do processo eleitoral. A entidade estadual foi assessorada diretamente pela CBF em todos os atos relacionados à eleição de seus presidente, vice-presidentes e conselho fiscal, do início ao fim.

A eleição, que ocorreu em junho de 2022, para quadriênio 2023-2027 foi antecipada pela própria Federação Estadual. Apenas a "Nossa Chapa", encabeçada por Francisco Cezário, concorreu no pleito e foi eleita por unanimidade para o novo mandato. A votação contou com a participação de 10 clubes profissionais com direito a voto dobrado e 7 clubes amadores e ligas com direito a voto simples, totalizando 27 votos, todos favoráveis à reeleição de Cezário.

O advogado e ex-presidente do Cene (Clube Esportivo Nova Esperança), Paulo Telles, chegou a apresentar um requerimento à Comissão Eleitoral para barrar mais uma reeleição de Cezário, no entanto o pedido de impugnação foi rejeitado. A Comissão argumentou que Paulo Telles não tinha legitimidade para participar do processo eleitoral porque ele não representava nenhuma entidade filiada, não apresentou candidatura e nem tentou compor uma chapa, não podendo, portanto, contestar as regras ou procedimentos.

Segundo o relatório de gestão da CBF os processos eleitorais em que ela prestou suporte e assessoria jurídica foram concluídos, com as assembleias ocorrendo dentro da mais estrita legalidade e normalidade e que as tentativas de judicialização restaram frustradas em virtude da transparência e total conformidade dos procedimentos.

A confederação ainda apresentou no relatório uma decisão judicial que indeferiu pedido liminar que buscava contestar um processo eleitoral para escolha da presidência de federação em que ela prestou auxilio jurídico.

 "Todo o processo eleitoral foi devidamente publicado sem haver qualquer impugnação (...) não há como haver mácula ao processo eleitoral. (...) não se verifica, em análise perfunctória, ofensa à lei 9.615/98. (...). Por derradeiro, os argumentos de que o atual presidente e candidato à reeleição esteja conduzindo o processo eleitoral com interesse próprio não conseguiu ser demonstrado pelo autor", ressaltou a CBF.

Por realizar repasses e prestar apoio à Federação de Mato Grosso do Sul, a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) foi procurada pela reportagem para comentar sobe a Operação Cartão Vermelho desencadeada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) que resultou na prisão do presidente e de membros da FFMS, mas até o momento não houve retorno. O espaço segue aberto.

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