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"Fiquei aliviado", diz desafeto de Cezário que denuncia dirigente há 15 anos

Jorge Dauri acusa Cezário de tirar o Vila Nova, time que era presidente, ilegalmente da Taça SP em 2009

Por Lucas Mamédio e Clara Farias | 23/05/2024 06:35
Jorge Dauri, ex-presidente do Vila Nova, em conversa com Campo Grande News (Foto: Osmar Viega)
Jorge Dauri, ex-presidente do Vila Nova, em conversa com Campo Grande News (Foto: Osmar Viega)

Com mais de 30 anos sendo o principal personagem do futebol sul-mato-grossense, dentro e fora de campo, Francisco Cezário, 77 anos, preso durante operação “Cartão Vermelho”, colecionou não só aliados, mas também inimigos.

O histórico ocupando lugar de protagonismo do cartola investigado pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) é impressionante. Cezário teve primeira passagem pela presidência da Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul entre 1983 e 1989, na década seguinte assume novamente em 1998, onde permanece.

Além disso, Francisco Cezário foi prefeito do município de Rio Negro entre 1976 e 1983 e entre 2003 e 2006.

Entre principais desafetos do “Dono da Bola” está Jorge Dauri, de 51 anos, ex-presidente do clube Vila Nova, do bairro Moreninhas, onde recebe a equipe do Campo Grande News.

Jorge foi do céu ao inferno em 2009, quando o humilde Vila Nova se classificou para Taça São Paulo, principal competição de base do país, mas foi desclassificado por não cumprir o regulamento. Ele nega até hoje o descumprimento das regras e responsabiliza Cesário pela perca da vaga. Jorge acusa Cezário de tentar desfalcar o time campeão e colocar atletas de outro clube para disputar o campeonato.

“Nós jogamos o Campeonato Estadual, na categoria sub-18 que dava vaga para a Taça São Paulo, em 2009. Como eles não acreditavam que um time de periferia ia chegar a ser campeão, tentaram fazer com que eu cedesse 12 vagas do ônibus que iria para São Paulo para o time do Misto, de Três Lagoas, que nem tinha sido classificado. Mas como que eu ia pegar, ia falar pros guris que foram campeões ‘não, só vou levar dez. Não tinha como. Falei para ele, que ou ia todo mundo ou não iria ninguém”

Além disso, Jorge carrega forte mágoa porque quando era presidente do Vila Nova tinha dificuldade de jogar no próprio bairro. “O Cezário não deixava eu jogar dentro da Moreninha. Meu time foi crescendo, crescendo e ele foi tentando dificultar tudo para gente não ser campeão. A gente foi ganhando, ganhamos do Operário, Comercial, Cene, Águia Negra, todo mundo”.

No fim das contas o Vila Nova acabou sendo considerado amador, o que descumpria o regulamento da Taça São Paulo. Além disso, o time foi desfiliado da federação.

“Hoje, para voltar para a federação estão cobrando R$ 70 mil do Vila Nova, sendo que seria obrigação deles nos colocar de volta porque na época tínhamos pagado para estar ali e fomos tirados por causa da denúncia. Eles só não tiraram meu título porque eu consegui comprovar que eu não estava ilegal. Nessa época o único que peitou o Cezário fui eu”.

Presidente da FFMS durante assinatura de termo na federação (Foto: Divulgação/FFMS)
Presidente da FFMS durante assinatura de termo na federação (Foto: Divulgação/FFMS)

Denúncia de desvio

Jorge também lembra ter sido um dos únicos com coragem para denunciar desvio de dinheiro por parte de Cezário. Segundo ele, foi entregue até um dossiê com supostas provas.

“Peguei um promotor que não entendia de futebol, falou que eu não tinha apresentado nenhuma prova sendo que eu entreguei vários documentos comprovando que o Cezário estava desviando dinheiro da federação”.

"Ontem quando recebi a notícia fiquei aliviado. Gracas a Deus a justiça foi feita e toda a denúncia que eu fiz há 15 anos atrás hoje se prova verdade", finaliza

Situação atual do Vila Nova

O ex-presidente também lembra da atual situação do Vila. “Nosso time foi cortado de tudo, hoje a gente vive de rifa, bingo, venda de camisetas. Mas disputar estadual não podemos porque fomos tirados da federação”.

Jorge conta que todo o imbróglio de 2009 teve reflexo direto em sua saúde. “Cheguei a ter vitiligo por causa disso, era uma carga emocional muito grande. Desanimou a gente demais, foi um tapa na cara das moreninhas. Eles tinham medo da gente crescer”.

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