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Arquitetura

Após destruir patrimônio histórico, responsável é obrigado a bancar restauração

Demolição irregular teve como punição medida compensatória que garantiu obra em outro sobrado antigo

Por Izabela Cavalcanti | 16/04/2026 10:04
Após destruir patrimônio histórico, responsável é obrigado a bancar restauração
Andaimes na fachada do Instituto Histórico e Geofráfico de Campo Grande (Foto: Osmar Veiga)

A demolição irregular de um imóvel protegido como patrimônio cultural acabou garantindo a restauração de outro importante bem histórico da cidade. Como penalidade, os responsáveis pela destruição tiveram de bancar a obra de recuperação do Instituto Histórico e Geográfico de Campo Grande, localizado na Avenida Calógeras.

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O Instituto Histórico e Geográfico de Campo Grande passa por amplo processo de restauração desde o início de 2025, com conclusão prevista para agosto. A obra é resultado de compensação pela demolição irregular de imóvel protegido pelo Plano Diretor. O prédio, que abriga o instituto desde 1978, terá pisos originais preservados, estuques recuperados, revisão elétrica e melhorias de acessibilidade, mantendo as cores históricas da edificação.

O sobrado de 1940 passa por um amplo processo de restauro desde o início de 2026. A previsão é de conclusão no início do segundo semestre, em agosto. A intervenção ocorre no mesmo terreno onde está situada a Casa Engenheiro Carlos Miguel Mônaco, que está deteriorada por fora, conforme já publicado pelo Campo Grande News.

A obra é resultado direto de uma obrigação estabelecida após a destruição de um imóvel protegido pelo Plano Diretor, classificado como Zeic 2, que foi demolido de forma irregular. Como compensação, ficou definido que seria executado o projeto de restauro elaborado pela Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos).

A reportagem entrou em contato com a  Planurb (Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento) e aguarda informações sobre qual é o imóvel em questão.

Após destruir patrimônio histórico, responsável é obrigado a bancar restauração
Janelas com vidro decorado no piso superior do prédio do Instituto Histórico de Campo Grande (Foto: Osmar Veiga)

O prédio que hoje abriga o instituto carrega uma longa trajetória. Antes de se tornar, em 1978, um espaço dedicado à preservação de livros, documentos e registros sobre a história de Mato Grosso do Sul, o local servia como alojamento para trabalhadores chefes ferroviários que precisavam pernoitar na cidade.

Ao todo, o imóvel possui 10 cômodos, alguns deles incorporados ao longo do tempo, mantendo características marcantes como paredes amarelas, rodapés escuros e piso de madeira nos ambientes.

Na área externa, os tradicionais pisos de ladrilhos hidráulicos estão sendo preservados e a sacada deverá receber uma proteção de vidro, elemento inexistente anteriormente, mas necessário para atender às normas de segurança. Os pisos de madeira também serão mantidos.

Após destruir patrimônio histórico, responsável é obrigado a bancar restauração
Pisos de ladrilhos hidráulicos originais do prédio onde funciona o Instituto Histórico (Foto: Osmar Veiga)

Logo na entrada, um elemento chama atenção: uma mangueira antiga que chegou a ser autorizada para remoção por ameaçar a estrutura do prédio. Após reavaliação, no entanto, optou-se por preservá-la, realizando apenas a poda.

A arquiteta da Sisep, Perla Larsen, explica que o trabalho exige um verdadeiro processo investigativo para garantir fidelidade histórica.

“Para poder restaurar, tem que fazer um processo investigatório. O piso de ladrilho hidráulico original, as portas. O prédio será pintado, mas vai adotar as cores originais”, afirmou.

Após destruir patrimônio histórico, responsável é obrigado a bancar restauração
Arquiteta Perla mostra como foram feitas as pinturas antigas da casa (Foto: Osmar Veiga)

Ainda de acordo com ela, também estão sendo recuperados os estuques, que foram danificados devido a infiltrações, além do restauro de esquadrias, revisão elétrica e implementação de soluções de acessibilidade.

Para a arquiteta, especialista em restauro, o caso levanta uma reflexão mais ampla sobre a preservação do patrimônio histórico.

“As coisas estão ruindo porque a história, o respeito pelo patrimônio não está sendo preservado. Ninguém gosta do que não conhece; para a gente gostar das coisas, tem que conhecer. Isso aqui está contando como Campo Grande começou”, destacou.

O diretor do instituto, Valter Cortez defende que a restauração vá além do prédio e sirva como ponto de partida para um projeto maior de valorização urbana.

“Essa é uma função da sociedade e nós estamos discutindo no âmbito do Instituto Histórico e Geográfico sobre o instituto ser um dos elementos condutores desse processo de requalificação da área. Isso aqui é a âncora para o centro da cidade ganhar uma outra dimensão”, afirmou.

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Trabalhador pintando interior do prédio do Instituto Histórico e Geográfico de Campo Grande (Foto: Osmar Veiga)

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