Após destruir patrimônio histórico, responsável é obrigado a bancar restauração
Demolição irregular teve como punição medida compensatória que garantiu obra em outro sobrado antigo
A demolição irregular de um imóvel protegido como patrimônio cultural acabou garantindo a restauração de outro importante bem histórico da cidade. Como penalidade, os responsáveis pela destruição tiveram de bancar a obra de recuperação do Instituto Histórico e Geográfico de Campo Grande, localizado na Avenida Calógeras.
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O Instituto Histórico e Geográfico de Campo Grande passa por amplo processo de restauração desde o início de 2025, com conclusão prevista para agosto. A obra é resultado de compensação pela demolição irregular de imóvel protegido pelo Plano Diretor. O prédio, que abriga o instituto desde 1978, terá pisos originais preservados, estuques recuperados, revisão elétrica e melhorias de acessibilidade, mantendo as cores históricas da edificação.
O sobrado de 1940 passa por um amplo processo de restauro desde o início de 2026. A previsão é de conclusão no início do segundo semestre, em agosto. A intervenção ocorre no mesmo terreno onde está situada a Casa Engenheiro Carlos Miguel Mônaco, que está deteriorada por fora, conforme já publicado pelo Campo Grande News.
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A obra é resultado direto de uma obrigação estabelecida após a destruição de um imóvel protegido pelo Plano Diretor, classificado como Zeic 2, que foi demolido de forma irregular. Como compensação, ficou definido que seria executado o projeto de restauro elaborado pela Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos).
A reportagem entrou em contato com a Planurb (Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento) e aguarda informações sobre qual é o imóvel em questão.

O prédio que hoje abriga o instituto carrega uma longa trajetória. Antes de se tornar, em 1978, um espaço dedicado à preservação de livros, documentos e registros sobre a história de Mato Grosso do Sul, o local servia como alojamento para trabalhadores chefes ferroviários que precisavam pernoitar na cidade.
Ao todo, o imóvel possui 10 cômodos, alguns deles incorporados ao longo do tempo, mantendo características marcantes como paredes amarelas, rodapés escuros e piso de madeira nos ambientes.
Na área externa, os tradicionais pisos de ladrilhos hidráulicos estão sendo preservados e a sacada deverá receber uma proteção de vidro, elemento inexistente anteriormente, mas necessário para atender às normas de segurança. Os pisos de madeira também serão mantidos.

Logo na entrada, um elemento chama atenção: uma mangueira antiga que chegou a ser autorizada para remoção por ameaçar a estrutura do prédio. Após reavaliação, no entanto, optou-se por preservá-la, realizando apenas a poda.
A arquiteta da Sisep, Perla Larsen, explica que o trabalho exige um verdadeiro processo investigativo para garantir fidelidade histórica.
“Para poder restaurar, tem que fazer um processo investigatório. O piso de ladrilho hidráulico original, as portas. O prédio será pintado, mas vai adotar as cores originais”, afirmou.
Ainda de acordo com ela, também estão sendo recuperados os estuques, que foram danificados devido a infiltrações, além do restauro de esquadrias, revisão elétrica e implementação de soluções de acessibilidade.
Para a arquiteta, especialista em restauro, o caso levanta uma reflexão mais ampla sobre a preservação do patrimônio histórico.
“As coisas estão ruindo porque a história, o respeito pelo patrimônio não está sendo preservado. Ninguém gosta do que não conhece; para a gente gostar das coisas, tem que conhecer. Isso aqui está contando como Campo Grande começou”, destacou.
O diretor do instituto, Valter Cortez defende que a restauração vá além do prédio e sirva como ponto de partida para um projeto maior de valorização urbana.
“Essa é uma função da sociedade e nós estamos discutindo no âmbito do Instituto Histórico e Geográfico sobre o instituto ser um dos elementos condutores desse processo de requalificação da área. Isso aqui é a âncora para o centro da cidade ganhar uma outra dimensão”, afirmou.

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