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Campo Grande, Sábado, 20 de Outubro de 2018

27/02/2018 07:16

Casa com porteira de fazenda e sino no lugar da campainha é a paz de Maria

Thailla Torres
O espaço, portão de madeira e o sino mostram que o lugar tem história no São Francisco. (Foto: André Bittar)O espaço, portão de madeira e o sino mostram que o lugar tem história no São Francisco. (Foto: André Bittar)

Perto de uma quadra com prédios e casas de arquitetura moderna, construídas nos últimos anos, está uma residência que mantém o clima do campo. Numa rua pouco movimentada do São Francisco, na região central da cidade, o encontro com a estrutura de tijolinhos à vista, um portão de madeira e sino no lugar da campainha, mostra que o lugar tem história. Ao bater à porta, descobrimos que ela carrega as lembranças de Maria Lúcia Cunha, que viu por anos, a casa virar cenário para a felicidade do bairro.

Maria diz que a casa é um recanto de lembranças.
(Foto: André Bittar)Maria diz que a casa é um recanto de lembranças. (Foto: André Bittar)

Construída em 1980, a casa fica numa área de 1.800 m², preservada por Maria e o marido Célio Rosa da Cunha, que partiu há 3 anos. Ela enfermeira e ele pediatra, os dois sonhavam em ter a natureza por perto e acreditavam no potencial do bairro, um dos mais antigos, mas que naquela época ainda estava em desenvolvimento. "Esse ponto era uma chácara e compramos o equivalente a três terrenos. Não tinha nada em volta, só mato e onde está nossa casa era um pomar", descreve Maria.

Os mais próximos questionaram o que fez um médico largar tudo para viver no meio do nada. "Célio também era um fazendeiro visionário, acredito que ele sabia que, logo, logo isso estaria tomado por casas", conta a esposa.

Foram dois anos de construção e um projeto assinado pelo arquiteto gaúcho Edilson Russel, que também já faleceu. Quem não resiste aos encantos da madeira que traz rusticidade, se apaixona com os detalhes da casa.

Na sala principal, em formato octogonal, o forro de madeira chama atenção pelo acabamento perfeito desde a construção. O material também compõe o revestimento da cozinha, dos quartos, vigas e mobiliário da casa. "Meu marido sempre gostou de madeira e alguns desses móveis pesam toneladas. Tanto que hoje ninguém tira do lugar".

A casa em si tem 530 m² e janelas amplas, que foram estratégicas deixar a luz entrar naturalmente durante o dia.

(Foto: André Bittar)(Foto: André Bittar)
Varanda, espaço onde Lucia e Célio amavam ficar.
(Foto: André Bittar)Varanda, espaço onde Lucia e Célio amavam ficar. (Foto: André Bittar)
Parede com pedras da rua. (Foto: André Bittar)Parede com pedras da rua. (Foto: André Bittar)

Na fachada da casa, além do charme com tijolinho à vista e o verde das plantas, Maria Lúcia fez um painel com pedras da rua, do tempo que o asfalto não tinha chegado.

O jardim, cuidado por ela, está sempre impecável. Ali permanecem as flores, algumas árvores frutíferas e o quintal, que chama atenção de ponta a ponta. "Pelo tamanho e por estar sempre visível a quem passa na rua, muita gente já quis comprar. Mas querem a área para fazer prédio, não quero que isso aconteça", lamenta.

Mais do que um simples lugar para morar, o lar representa para Lúcia uma grande conquista: a felicidade. "Só tivemos momentos felizes nessa casa, o sorriso nunca deu lugar ao choro, exceto quando Célio se foi, mas enquanto ele esteve aqui, a casa viveu cheia, com muita festa e amigos".

A morada também fez a felicidade do bairro, por anos, e hoje traz lembranças a quem visita o São Francisco. "Como essa era a maior casa da rua e com muito espaço. A criançada toda do bairro vinha pra cá. Os meus filhos chamavam todo mundo, chegava a reunir 15 crianças em uma tarde. Hoje alguns já estão com mais de 30 anos e sempre que passam por aqui, lembram da infância"

Detalha da sala octogonal. (Foto: André Bittar)Detalha da sala octogonal. (Foto: André Bittar)
Mesa onde acontece as reuniões em família. Foto: André Bittar)Mesa onde acontece as reuniões em família. Foto: André Bittar)
Cozinha revestida com madeira. (Foto: André Bittar)Cozinha revestida com madeira. (Foto: André Bittar)

Maria lembra que marido era um homem que amava reunir a família. "Festa não faltava e era uma ofensa quando alguém deixava de convidá-lo para um evento. Célio sempre gostou da alegria e fez por onde. Tanto que a casa vivia

Com o diagnóstico de câncer no pâncreas, Célio partiu de repente. "Foi muito rápido, fulminante. Eu senti muito quando ele se foi, porque ele era o clima e o ar dessa casa", lembra.

Mas as lembranças e o amor de Célio viraram estímulos para Maria não desistir da residência. "Eu prezo muito pelas lembranças. Enquanto eu tiver condições de cuidar, vou ficar com essa casa. Por isso não me desfaço, principalmente, pelos meu netos. Essa criança é acostumada demais com shopping e internet, mas não quero eles tenha apenas uma lembrança eletrônica, quero que eles carreguem na memória também essa casa".

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Porteira de madeira com sino. (Foto: André Bittar)Porteira de madeira com sino. (Foto: André Bittar)
Detalhe para preservação das colunas de madeira.(Foto: André Bittar)Detalhe para preservação das colunas de madeira.(Foto: André Bittar)
Célio no seu aniversário de 70 anos. (Foto: Arquivo Pessoal)Célio no seu aniversário de 70 anos. (Foto: Arquivo Pessoal)
Os fundos da casa. (Foto: André Bittar)Os fundos da casa. (Foto: André Bittar)
Residência chama atenção pela tranquilidade e espaço no São Francisco. (Foto: André Bittar)Residência chama atenção pela tranquilidade e espaço no São Francisco. (Foto: André Bittar)


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