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Arquitetura

Da década de 1950, casarão "protegido" dos Neder se deteriora

Imóvel na Rui Barbosa é patrimônio cultural arquitetônico da cidade

Por Clayton Neves | 03/02/2026 07:07

Fechado há cerca de 20 anos, um casarão histórico que deveria ser protegido acumula sinais visíveis de abandono e deterioração no Centro de Campo Grande. Localizado no cruzamento das ruas Rui Barbosa e Barão do Rio Branco, o imóvel faz parte da lista de patrimônio cultural arquitetônico do Plano Diretor da cidade, justamente pelo valor histórico que carrega para a memória campo-grandense.

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Um casarão histórico, localizado no cruzamento das ruas Rui Barbosa e Barão do Rio Branco, em Campo Grande, encontra-se em estado de abandono há cerca de 20 anos. O imóvel, que pertenceu à família Neder, pioneira nas telecomunicações da cidade, está protegido pelo Plano Diretor como patrimônio cultural arquitetônico. O edifício apresenta graves sinais de deterioração, incluindo infiltrações, rachaduras, pichações e vegetação invasiva. Construído pela influente família Neder, o casarão está fechado desde 2006, sendo apenas monitorado por uma empresa de segurança. Os proprietários atuais residem no Rio de Janeiro.

O casarão de dois andares foi construído na década de 1950 pela família Neder, uma das pioneiras de Campo Grande, influente no empreendedorismo, medicina e na política da cidade ao longo do século XX.

“Essa casa e a imediatamente vizinha pela Rua Barão do Rio Branco são da família Neder. Eles foram pioneiros no segmento de telecomunicações por aqui. O primeiro conjunto telefônico de Campo Grande foi montado por eles lá nos anos 50, antes da Telemat e antes das telefônicas públicas”, explica o arquiteto e urbanista Ângelo Arruda.

Da década de 1950, casarão "protegido" dos Neder se deteriora
Raízes de árvore vizinha tomaram conta do muro e danificaram estrutura. (Foto: Paulo Francis)

Segundo ele, o reconhecimento do imóvel no Plano Diretor está diretamente ligado à trajetória da família. “Ela tem esse carimbo do Plano Diretor porque ela é memorial, exatamente pelo fato de ter a história de uma família que morou ali e que foi importante para a história de Campo Grande”, comenta.

Em plena área central, o casarão de dois andares chama atenção pela imponência arquitetônica, mas também pelo aspecto de abandono. A pintura está completamente perdida, áreas extensas estão tomadas por mofo e infiltrações, e portas e janelas de madeira, que parecem ser originais, estão visivelmente danificadas. O local também acumula rachaduras por alguns pontos da estrutura e sinais de pichação.

Um dos pontos mais críticos é o avanço de vegetação, que nasceu até no concreto. Longas raízes de árvores se espalharam por toda a extensão de um dos muros, provocando danos na estrutura ao redor. Parte do teto da varanda foi destruída, assim como a porta de uma das entradas da garagem e trechos do próprio muro.

Da década de 1950, casarão "protegido" dos Neder se deteriora
Casarão de dois andares preserva parte da história de Campo Grande. (Foto: Paulo Francis)

O imóvel é cercado por portões de grade e um muro baixo construído com pedras, material que resistiu melhor ao tempo e ainda está preservado tanto no muro quanto em colunas e em parte das paredes da entrada e das laterais inferiores da casa. Mesmo assim, os danos são evidentes.

Conforme o Plano Diretor da cidade, o prédio é reconhecido como bem cultural por se enquadrar “dentro de um conjunto de valor histórico e/ou arquitetônico relevante para os movimentos nacionais de arquitetura em Campo Grande, sendo importante para a memória e identidade local, regional e nacional”.

Apesar desse reconhecimento, há quase 10 anos a manutenção tem deixado a desejar. Em relatório feito em 2017, a Planurb (Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano) já havia classificado o estado de conservação da casa como ruim.

Da década de 1950, casarão "protegido" dos Neder se deteriora
Mofo e infiltrações tomaram conta de várias paredes do imóvel. (Foto: Paulo Francis)

“O sobrado moderno possui elementos como cobogó, pilares revestidos de pedra e portas de madeira. Se encontra abandonado no centro da cidade, apresentando esquadrias quebradas e pichações que demonstram invasão”, diz o documento.

Passados quase dez anos desde essa avaliação, a situação se agravou e o casarão coleciona sinais do tempo e falta de manutenção. Vizinhos ouvidos pelo Lado B relataram que até 2006 uma família ainda morava no local, mas, desde então, o casarão permanece fechado. Apenas uma empresa de segurança monitora o imóvel.

Informações a que o Campo Grande News teve acesso indicam que os proprietários moram no Rio de Janeiro. A reportagem tentou contato, mas ainda não obteve retorno.

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Cobogó e pisos clássicos preservam estilo da construção. (Foto: Paulo Francis)

Família Neder - Conhecida por nomes como Rachid Neder, Humberto Neder, o pioneiro das telecomunicações, e o médico Alberto Neder.A família que construiu o casarão da Rua Rui Barbosa também estendeu a influência além de Campo Grande.

Foram os Neder que contrataram o renomado arquiteto e urbanista Jorge Wilheim para projetar o plano piloto da cidade de Angélica, no início dos anos 1950, com a proposta de criar um ambiente planejado, diferente das vilas comuns naquela época.

Pioneiros também em Angélica, eles foram um dos responsáveis pela criação e desenvolvimento da cidade.

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Espaço tem vegetação avançando e virou refúgio para gatos. (Foto: Paulo Francis)

O Campo Grande News entrou em contato com a Prefeitura questionando se existe algum tipo de fiscalização sobre a preservação dos patrimônios arquitetônicos da cidade. Também perguntamos de que maneira a Prefeitura trabalha para que os espaços históricos não sejam comprometidos. Até a publicação desta reportagem não tivemos retorno.

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