Em casa de 60 anos, Ale compartilha garimpos e acervo cheio de história
Projeto de engenheira nasceu de forma espontânea e hoje mistura cursos e convivência

Há pouco mais de um mês, depois de muita procura por uma casa antiga que realmente combinasse com a proposta que tinha na cabeça, Ale Ricartes encontrou o lugar certo. Em uma residência com mais de 60 anos de história no Centro, ela montou um espaço onde guarda, expõe e vende peças garimpadas com calma, olho atento e uma boa dose de encanto.
O endereço virou abrigo para porcelanas, cerâmicas, faianças, cristais, esculturas em madeira, obras de arte e objetos que carregam marcas do tempo. Algumas peças chegam com procedência conhecida, outras nem sempre revelam de onde vieram. Ainda assim, encontram lugar ali por um motivo simples: chamam Ale de algum jeito.
“Eu acho que a peça te escolhe”, resume.


Engenheira de formação e designer por paixão, Ale conta que o apreço por casas antigas e interiores já existia muito antes do espaço nascer. Durante anos, trabalhou com obras de grande porte, mas o interesse pelos detalhes, pela composição dos ambientes e pelo valor afetivo dos objetos nunca saiu de cena. Com o tempo, isso foi falando mais alto.
A casa que hoje abriga os garimpos surgiu primeiro como solução prática. Ela precisava de um espaço para guardar ferramentas, materiais e itens usados nas produções dos projetos. Mas a ideia foi crescendo. Se ia ocupar uma casa, queria que fosse uma “casinha de vó”, daquelas com alma, memória e personalidade.
Depois de muito procurar, encontrou a residência antiga que procurava. Aos poucos, foi pintando, organizando, restaurando cantos e trazendo o acervo para dentro. O que era para ser apenas apoio de trabalho acabou virando também um pequeno refúgio.
Ali, cada objeto ajuda a construir a atmosfera. Há peças delicadas de porcelana, detalhes em cobre, madeira trabalhada, louças antigas, formas curiosas, pratos decorativos e móveis que parecem saídos de outra época. Algumas se destacam pela raridade, outras pelo desenho, pela textura ou pela sensação de já terem vivido muito antes de chegar ali.
E é justamente esse tipo de narrativa que interessa a Ale.
“O que me encanta no garimpo é isso. Às vezes eu fico sentada aqui olhando e pensando por quantas famílias, por quantos ambientes aquela peça passou até chegar na minha mão”, reflete Ale.
Para quem ainda se perde nos termos, ela explica de forma direta: peça retrô é a nova que remete ao passado. A vintage é aquela que tem entre 20 e 100 anos. Passou disso, já é considerada antiga.
Boa parte do que está no espaço entra na categoria vintage. São itens escolhidos um a um, sem pressa e sem lógica de produção em série. Diferente de uma compra comum, o garimpo, para ela, passa por conexão. Tem peça que ela bate o olho e sabe que combina com determinada pessoa. Tem peça que leva para vender. E tem outras que simplesmente não consegue desapegar.
Ale gosta da ideia de preservar histórias. Para ela, qualquer item dentro de uma casa pode ter valor quando faz sentido para quem vive ali. E essa visão também aparece no trabalho com interiores, onde prefere valorizar memórias e permanências em vez de trocar tudo por algo novo.
No espaço recém-aberto, essa filosofia ganha forma em cada canto. O ambiente também virou lugar de respiro. Além de expor e comercializar o acervo, Ale decidiu usar a casa para encontros e cursos ligados ao universo que passou a abraçar com ainda mais força, como mesa posta, design e assuntos que ajudam as pessoas a olhar para a própria casa de outro jeito.
“Eu quero que o meu espaço seja um local de acolhimento. Além das peças, quero fazer pequenos eventos ligados à arte, à arquitetura e ao design.”
Para visitar o espaço, é preciso entrar em contato com Ale e agendar um horário. O telefone é (67) 99605-1009
Confira a galeria de imagens:
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