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Arquitetura

Desenho no guardanapo vira casa redonda que fica pronta em 45 dias

Duas mulheres decidiram por uma construção nada convencional e fundaram 1ª empresa de domos em MS

Por Thailla Torres | 23/03/2026 11:07
Desenho no guardanapo vira casa redonda que fica pronta em 45 dias
Domo geodésico contruído no Carandá Bosque é um espaço modelo para apresentar aos interessados. (Foto: Juliano Almeida)

O que começa como uma pergunta simples pode virar uma mudança radical de vida. Foi assim com Rafaella Féo, de 45 anos, e Elieth Lopes Gonçalves, de 46. Em meio à rotina, negócios e tentativas que nem sempre deram certo, surgiu uma inquietação: construir algo que realmente representasse quem elas eram.

“Vamos fazer alguma coisa que representa a gente?”, foi a pergunta. A resposta não veio pronta. Veio desenhada, literalmente, em um guardanapo.

Rafaella, que se define como “artesã de alma”, sempre sentiu que o modelo tradicional de casa não combinava com ela. “A Rafaela é artista, não tem nada a ver com casa quadrada”, lembra Elieth.

Desenho no guardanapo vira casa redonda que fica pronta em 45 dias
Rafaella e Elieth abraçaram o desejo de ter uma construção diferente e que fizesse sentido. (Foto: Juliano Almeida)

Foi ali, em uma conversa despretensiosa, que surgiu a ideia: uma casa redonda, integrada, sem divisões rígidas. “Um ambiente onde você se conecta com tudo e com as pessoas também.”

Sem saber exatamente o que estavam criando, Rafaella começou a desenhar no guardanapo, que infelizmente ela não tem mais. Depois, passou a pesquisar.

Foi assim que chegaram aos domos geodésicos, estruturas formadas por triângulos que criam uma espécie de “cúpula”, considerada uma das mais resistentes e leves da arquitetura.

O problema: ninguém fazia esse tipo de construção em Mato Grosso do Sul. A solução: aprender e construir com as próprias mãos.

Elas buscaram cursos, estudaram, testaram, até colocarem o primeiro domo de pé no quintal de casa, no bairro Carandá Bosque.

Desenho no guardanapo vira casa redonda que fica pronta em 45 dias
Modelo construído no quintal da casa, no Carandá, virou vitrine e espaço de experiências. (Foto: Juliano Almeida)

Hoje, esse espaço virou uma espécie de laboratório vivo. No quintal, o modelo verde chama atenção logo de cara. É ali que elas recebem visitantes, dão aulas de yoga e mostram, na prática, como funciona esse tipo de construção.

O interior impressiona pela luz natural, pelas linhas triangulares e pela sensação de amplitude, mesmo em espaços menores.

“Não tinha ninguém fazendo isso aqui. Então a gente entendeu: vamos ter que construir a nossa casa”, contam as duas.

E juntas construíram. O primeiro domo virou vitrine e negócio. O que era para ser só a casa delas começou a chamar atenção.

Enquanto montavam a estrutura, curiosos apareciam. “Posso entrar? O que é isso?” As visitas foram aumentando. O interesse também. Até que veio o primeiro cliente.

“Ele entrou aqui e falou: ‘é isso’. No dia seguinte já queria fazer um”, lembra Elieth.

O primeiro domo para cliente ficou pronto em 29 dias. Hoje, a média é de até 45 dias, podendo chegar a cerca de 60 dias, dependendo do acabamento.

Desenho no guardanapo vira casa redonda que fica pronta em 45 dias
Portfólio reúne projetos já executados e possibilidades de uso dos domos. (Foto: Juliano Almeida)

Assim nasceu a Domoself, a primeira empresa de domos geodésicos de Mato Grosso do Sul. Mais rápido, mais barato e sem desperdício

Um dos pontos que mais chama atenção é o custo. Segundo elas, um domo pode ser até 30% mais barato que uma construção convencional de alvenaria.

Os valores variam conforme o tamanho e acabamento. Modelos menores custam a partir de R$ 45 mil, domos médios, como os de 6 metros, por cerca de R$ 68 mil, e com acabamento completo, podendo chegar a R$ 100 mil ou mais.

E a comparação com obras tradicionais pesa. Elas relatam o caso de um cliente que levou 12 meses e gastou R$ 230 mil em uma obra. Quando viu um domo pronto em 45 dias por cerca de R$ 100 mil, ficou impressionado. Além do custo e do tempo, outro diferencial é o desperdício quase zero. “É uma construção limpa. O cliente praticamente não fica com resíduo”, destaca Rafaella.

Um espaço que vira tudo

O domo construído no quintal delas hoje é mais que um modelo. Ali acontecem aulas de yoga, encontros, vivências e visitas de pessoas interessadas. seja para morar, investir ou simplesmente viver uma experiência diferente.

E a versatilidade é um dos maiores atrativos. Dentro de um domo, não existe padrão. Cada pessoa decide se quer banheiro ou não, cozinha integrada ou externa, piso simples ou acabamento sofisticado, uso para moradia, turismo ou negócio.

Nenhum domo é igual ao outro. Ele tem a personalidade de quem vai viver ali”, destaca Rafaella.

Desenho no guardanapo vira casa redonda que fica pronta em 45 dias

O que explica o encanto?

Além da estética diferente, há algo difícil de explicar, mas fácil de sentir. O formato arredondado, sem quinas, muda a percepção do espaço. Elas dizem que o ambiente acolhe. Que o corpo reconhece aquilo como algo mais natural.

Na prática, quem entra costuma perceber na hora. “Você entra e não sabe explicar, mas quer ficar”, destaca Rafaella.

A própria estrutura favorece o conforto. O ar circula de forma contínua e sobe naturalmente, saindo por uma abertura no topo, o chamado “lanternim”, que funciona como um exaustor natural.

A iluminação também é um destaque. Com aberturas triangulares e possibilidade de vidro, a luz entra ao longo do dia e “gira” dentro do espaço, mudando o ambiente conforme as horas passam.

Desenho no guardanapo vira casa redonda que fica pronta em 45 dias
Elieth põe a mão na massa e participa de cada etapa da construção dos domos junto com Rafaella. (Foto: Juliano Almeida)

De tentativa em tentativa até encontrar o propósito

Antes dos domos, a trajetória foi cheia de recomeços. Elieth já teve café, tentou outros negócios, viu alguns não darem certo. Rafaella atua há anos com desenvolvimento humano.

Nada disso foi perdido. Tudo acabou levando até ali. “Eu encontrei meu propósito. Não é uma coisa sacrificada. A gente faz com prazer”, destaca Rafaella.

Hoje, além de casas, os domos já viraram pelo país hospedagens (glamping), espaços comerciais, ambientes terapêuticos e áreas de convivência. E a procura só cresce. “Tem domo de hospedagem que já não tem vaga até maio”, lembram.

O que começou no quintal de casa virou empresa, virou movimento e começa a despertar interesse de quem busca alternativas mais rápidas, acessíveis e conectadas com a natureza.

E talvez o mais curioso: não nasceu como negócio. Nasceu de uma pergunta. E de um desenho feito sem pretensão nenhuma. “Foi meio uma loucura”, brinca o casal. Mas, pelo visto, uma loucura que deu certo.

Quem quiser construir um domo, pode falar com Rafaella no telefone (67) 9193-2977 (whats).

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