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Arquitetura

Porta com saída para o nada é entrada do que você nem imagina

A proprietária Maria Socorro criou o acesso para conseguir fazer as mudanças diárias

Por Jéssica Fernandes | 18/03/2022 06:20
Porta que abre para o nada foi criada há 20 anos. (Foto: Kísie Ainoã)
Porta que abre para o nada foi criada há 20 anos. (Foto: Kísie Ainoã)

A porta verde com saída para lugar nenhum passa despercebida aos olhos daqueles que diariamente percorrem a Avenida Ernesto Geisel, em Campo Grande. Embora a arquitetura do prédio seja inusitada, a proprietária Maria Socorro, de 80 anos, nunca foi abordada por nenhum curioso e jamais precisou explicar a função da porta que abre para o vazio.

Pela primeira vez, em 20 anos, o Lado B fez a pergunta que ninguém direcionou à moradora. Na calçada, Maria Socorro aproveitava o sossego da tarde sentada num banquinho, quando foi abordada e questionada sobre a utilidade da porta.

Simpática, ela respondeu com a maior naturalidade do mundo a razão de ter criado o acesso. “Pela portinha, passo guarda-roupa, televisão, geladeira, passo tudo por ali. Temos a porta, porque quando nós queremos descer as coisinhas, colocamos a escada e pegamos”, esclarece.

Maria Socorro ri ao explicar o motivo de ter criado a porta. (Foto: Jéssica Fernandes)
Maria Socorro ri ao explicar o motivo de ter criado a porta. (Foto: Jéssica Fernandes)

Rodeada pelos vizinhos de longa data, Maria Socorro não deixou de achar engraçado o motivo da pergunta. O sapateiro Valdivino acompanhou o riso da amiga e comentou. “A história dela é comprida, viu? Vai longe”, revelou. Em meio a tudo isso, outra vizinha revelou. “Eu moro aqui há 16 anos e nunca reparei nessa porta”, fala.

Bem-humorada, a proprietária do prédio comentou que adquiriu o espaço de um amigo e chegou a utilizar uma parte do ambiente para fins comerciais. “Eu comprei de um colega e me mudei para cá. Aqui embaixo era um brechó, ali do lado, um salão de beleza. Fiquei aposentada, ficando velinha e fui alugando”, relata.

Natural de Pernambuco, ela chegou em Campo Grande há 30 anos sem vontade de retornar à terra natal. Quando sente saudade do estado, Maria Socorro viaja para visitar os parentes. Com orgulho, a moradora fala das origens. “Tenho sangue de índia do sertão pegada no laço e gaúcho. Por isso, sou desse jeito, tenho sangue forte”, ressalta.

Prédio está localizado na Av. Ernesto Geisel. (Foto: Kísie Ainoã)
Prédio está localizado na Av. Ernesto Geisel. (Foto: Kísie Ainoã)

É na calçada que Maria aproveita a tranquilidade da vida e quando pode, tira a máquina de costura da casa para a rua. “Eu costuro minhas roupas aqui, porque ali dentro, às vezes, é muito escuro”, explica. No momento que concedia entrevista, ela estava com as malas prontas na calçada e esperando um carro para ir até a rodoviária.

Depois que o motorista chegou, ela entrou e se despediu do Lado B. Agora, Maria Socorro vai curtir uma temporada em São Paulo, onde planeja tomar muito banho de mar.

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