Santo escondido protege prédio desocupado na Avenida Calógeras
Imagem de São José está no alto da parede do imóvel e poucas pessoas a percebem
Uma imagem de São José no alto da parede de um prédio desocupado na Avenida Calógeras é mistério para as poucas pessoas que percebem o detalhe escondido bem no Centro de Campo Grande.
Quase imperceptível para quem passa, o pequeno altar foi construído na parede que dá acesso à garagem do imóvel, um antigo residencial de dois andares, esvaziado durante a pandemia após ser declarado área de interesse histórico.
Desde então, o prédio que tem o mesmo nome do santo acumula sinais do tempo, mas a imagem resiste e "vigia" toda movimentação no entorno.
Comerciantes da região contam que o altar já existia antes mesmo da saída dos moradores e que a figura de São José foi deixada pelos proprietários. Esporadicamente, o santo é notado por quem passa e a presença provoca dúvidas e especulações.
“Eu nunca vi essa imagem, e olha que sempre passo por aqui. Estou vendo agora porque você me mostrou”, comenta a dona de casa Sônia do Carmo, surpresa ao notar o que sempre esteve ali, mas nunca chamou atenção.
Para a vendedora Gabriela Machado, de 33 anos, o santo esquecido deve ter ligação com a fé de quem construiu o prédio. “O pessoal devia ser devoto do santo e fez a homenagem. Quem passa na rua nem vê, acho que foi deixada ali só pra ser notada por quem entrava e saía do prédio”, comenta.
Na tradição cristã, São José é conhecido como o protetor da família e padroeiro dos trabalhadores. Carpinteiro, foi o responsável por criar Jesus Cristo e é símbolo de cuidado e devoção. Na imagem da Calógeras, ele aparece justamente com o menino Jesus no colo.
Desocupado, o prédio enfrenta sinais do tempo e ação de criminosos. Em 2022, o Campo Grande News noticiou que o local havia sido invadido por bandidos, que furtaram fiação e danificaram parte da estrutura. Após o episódio, não houve reforma e os apartamentos não foram mais disponibilizados para locação.
Apenas uma loja de colchões segue funcionando no térreo e como medida de segurança, um alarme foi instalado no portão ao lado do altar. À noite, qualquer aproximação dispara um som alto de alerta.
A atual proprietária é uma senhora de idade avançada. O Lado B tentou falar com a família, mas eles preferiram não falar com a reportagem.
Sem respostas, a imagem segue ali junto do mistério sobre a história de São José no alto do prédio da Calógeras.
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