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Artes

Cadeirante lança campanha para consertar elevador e ter acesso ao teatro

Por Ângela Kempfer | 26/11/2013 06:20
Pedro na porta de casa.
Pedro na porta de casa.

Pedro Martinez quer o mínimo: o direito de entrar no teatro Aracy Balabanian, um dos mais movimentados de Campo Grande. Nesta semana, o amigo e mágico Rick Thibau estreou com novo espetáculo, mas Pedro ficou de fora. Cadeirante, ele depende do elevador que existe no prédio, mas que há meses não funciona. “Há um ano está quebrado”, reclama.

Desacorçoado, lançou uma campanha no Facebook para reativar a única forma de acesso ao espaço que fica no piso superior do Centro Cultural José Octavio Guizzo. O rapaz tem “Distrofia de Duchenne”, doença que provoca degeneração dos músculos e inviabiliza a locomoção sem a cadeira de rodas.

Depois de pedido de providência para a direção do teatro, de denúncia online à Ouvidoria do Ministério Público Estadual, de ofício ao Conselho Estadual da Pessoa com Deficiência e à Fundação de Cultura, Pedro resolveu apelar nas redes sociais. “Tive a ideia da campanha depois de relembrar as inúmeras vezes que perdi espetáculos de amigos, especificamente, no Teatro Aracy Balabanian, um dos espaços culturais mais badalados da Capital”, explica.

Na memória de Pedro ficou o dia 18 de setembro de 2012, a última vez que conseguiu entrar no Aracy Balabanian. “Logo depois, em 1º de novembro de 2012, por ocasião do primeiro show da carreira de meu amigo, o músico Pedro Espíndola, ao tentar a compra antecipada do ingresso, fui informado de que o elevador ‘estava quebrado’”, conta.
Nunca mais ele pode acompanhar espetáculos no local. “Todas as vezes eu ligava para saber a situação de acesso antes de comprar o ingresso e a resposta era sempre a mesma: elevador inoperante”.

Até a mãe dele procurou solução para o problema no teatro e depois no Ministério Público Estadual, mas nada. A direção apenas confirmou que o elevador já tinha ficado 8 meses fora de operação e, depois do conserto, voltou a quebrar.

Segundo Pedro, um episódio em agosto deste ano foi mais um banho de água fria na esperança de ver o equipamento novamente funcionando.

“Numa promoção do Instituto Sul-Mato-Grossense para Cegos, aconteceu a peça teatral ‘O Sono Entristecido da Lua Pantaneira’, encenada por atores deficientes visuais e para a qual foi convidado o Presidente do Conselho Estadual da Pessoa com Deficiência, Paulo Moreno - que é cadeirante e também não pode comparecer por conta da falta do elevador”, relata. Novo ofício foi enviado pelo presidente da entidade, mas também não surtiu efeito.

Passado tanto tempo, e tantos espetáculos, no domingo Pedro fez a última reclamação formal ao Teatro Aracy Balabanian e teve como resposta que “nenhuma empresa se habilitou ao conserto via licitação, assim a Procuradoria Jurídica está realizando os procedimentos necessários para contratação direta do serviço”.

O Lado B entrou em contato com o diretor geral da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, Beto Furlan. Segundo ele, o elevador do Centro Cultural José Octavio Guizzo, onde fica o teatro, teve uma pane em julho e desde então está interditado. Como justificativa para o tempo sem solução, ele diz que “licitação demora muito e o processo é muito burocrático”.

Jornalista, ele escreveu um texto detalhando a via crucis e encerra o desabafo com uma pergunta: “a quem mais podemos recorrer?”

Problema geral - Para quem insiste na cultura, mas tem alguma deficiência, a arquitetura na maioria dos lugares mais atrapalha do que ajuda.  Sobre teatros de Campo Grande, Pedro diz que o Glauce Rocha é um dos melhores, mesmo assim, com ressalvas. "Apesar de a maioria das poltronas estarem nas partes íngremes da sala, ainda assim há algumas áreas planas tranquilas pra cadeirantes". Outro diferencial, na avaliação dele, é o fácil acesso ao palco. "Eu já cantei lá uma vez e foi tranquilo", lembra sobre participação no festival da canção de 2006.

Já o Palácio Popular da Cultura "é um dos piores", comenta. Pedro diz que o teatro principal tem um único local plano, "num espaço minúsculo".

Pelo menos, quando precisou do lugar, ganhou em troca a solidariedade dos amigos. "São só escadas e sem acesso ao palco. Na faculdade, todos queriam fazer a formatura lá. Como não tinha acesso, resolveram mudar por mim. Acabou sendo na Concha Helena Meirelles", lembra.

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