Com o "Pantanal nos olhos", artista conquista prêmio internacional
Jovem transformou o cotidiano ribeirinho do Rio Paraguai em fotografia
O artista visual e diretor criativo sul-mato-grossense Tucco Pitanga, de 20 anos, foi premiado em uma competição internacional de fotografia documental. Conhecido pelo trabalho que busca “reescrever o Pantanal”, ele venceu uma das categorias com a fotografia “Travessia da Luz”, que retrata um menino conduzindo uma embarcação durante uma travessia ribeirinha no Rio Paraguai.
RESUMO
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O artista visual sul-mato-grossense Tucco Pitanga, de 20 anos, venceu uma categoria no prêmio internacional FotoDoc com a fotografia "Travessia da Luz", que retrata um menino conduzindo uma embarcação no Rio Paraguai. A imagem valoriza a cultura ribeirinha e a tradicional canoa de um pau só. O jovem, estudante de História na UEMS, agora concorre ao prêmio geral ao lado de fotógrafos dos EUA, Alemanha, China e outros países.
A imagem mostra a relação histórica das comunidades ribeirinhas com o rio e valoriza patrimônios culturais, como a tradicional canoa de um pau só, além de registrar o cotidiano das populações que vivem às margens das águas.
A conquista colocou Tucco na disputa geral ao lado de fotógrafos dos Estados Unidos, Alemanha, Angola, México, Reino Unido, França e China no prêmio FotoDoc. O vencedor geral será anunciado em novembro.
“Estar entre os finalistas vai muito além de uma premiação pessoal. Para mim, é uma forma de mostrar que Mato Grosso do Sul é uma grande potência cultural e que temos artistas e histórias que precisam ser vistos. Muitas vezes, os grandes espaços estão concentrados em estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, e eu me pergunto: onde está Mato Grosso do Sul?”
Para Tucco, a participação na competição também mostra que o Estado tem histórias e produções capazes de ocupar espaços fora de suas fronteiras.
“Estar aqui, concorrendo inclusive com trabalhos de outros países, mostra que nós também temos o que dizer, criar e apresentar ao mundo. É sobre ocupar esse espaço e mostrar que o nosso estado está aqui.”
Natural de Campo Grande, Arthur Freitas, nome de batismo de Tucco, conta ao Lado B que o apelido veio de casa. Foi dado pela mãe e pela avó. Já o sobrenome artístico é uma lembrança do pé de fruta que existia no quintal da infância.
Ele carrega uma mistura de raízes paraguaias, mineiras e baianas. Criado com os avós, aprendeu a pintar e desenhar com a avó artesã e pegou o gosto pela escrita com o avô poeta. Hoje, está no último ano do curso de História na UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul), onde pesquisa cultura afro-brasileira e a relação entre música e moda.
No currículo, Tucco já acumula trabalhos com nomes da cena nacional. Entre os projetos autorais, ele destaca as séries “Latinos do Pantanal”, “Vestígios” e “Piratas do Sul”. “Fotografia e direção de arte exigem bastante trabalho. Algumas imagens levam até um mês para ficarem prontas, entre planejamento, captura e edição. Inclusive no meu Instagram eu compartilho um pouco desse processo, mostrando como fotografar e usar programas de edição.”
A fotografia, para Tucco, também é uma forma de direcionar o olhar para lugares, pessoas e histórias que muitas vezes passam despercebidos. “Como historiador, acredito que meu papel também é recontar histórias que foram esquecidas ou escritas por outras perspectivas. Se existem tantas histórias dentro do nosso próprio estado, por que precisamos olhar tão longe para encontrar algo que nos represente?”
Mato Grosso do Sul, segundo ele, tem uma produção artística que vai muito além dos estereótipos.“Somos muito conhecidos pela indústria sertaneja, mas também produz moda, fotografia e muitas outras formas de arte. E eu quero mostrar isso.”
Confira algumas das fotos concorrentes e a fotografia inteira de Tucco:
Confira a galeria de imagens:
Tucco já teve trabalhos expostos em galeria internacional. Suas obras também passaram por exposições em estados como São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Bahia.
Para ele, ocupar esses espaços também significa abrir caminhos para outros artistas do Estado. “Não quero apenas ser o primeiro ou chegar mais longe; quero abrir caminhos para que outros artistas também possam se enxergar nesses espaços. Talvez, para isso, eu precise me tornar minha própria referência, olhar para mim e pensar: é possível.”
A moda e a fotografia são, para Tucco, formas diferentes de apresentar essa potência. “A moda mostra que existe uma potência sul-mato-grossense que vai muito além dos estereótipos. A fotografia, por outro lado, são os meus olhos: é através dela que mostro aquilo que muitas vezes ninguém olha. Os ribeirinhos, os quilombos, os territórios e as histórias esquecidas do nosso estado.”
Agora, com a “Travessia da Luz”, Tucco leva mais uma história do Estado para além das fronteiras. “Eu quero tocar justamente nesses lugares onde as pessoas não olham. Quero mostrar que Mato Grosso do Sul existe, produz, cria e tem uma potência artística enorme. Minha arte é uma forma de olhar para dentro e dizer ao mundo: existe muita coisa aqui que ainda precisa ser vista.”
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