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Artes

O que permanece da infância? Artista busca resposta em 21 pinturas

Mostra de Wendel Fontes reúne telas e instalação sonora; abertura terá apresentação do Vozmecê

Por Thailla Torres | 30/09/2026 14:15
O que permanece da infância? Artista busca resposta em 21 pinturas
As obras foram produzidas entre 2023 e 2026 e misturam situações do cotidiano com elementos de imaginação.

Brincadeiras, lembranças e cenas que ficam guardadas desde a infância são o ponto de partida da exposição “O que permanece em nós?”, que será aberta nesta sexta-feira (2), às 19h, na Galeria Wega Nery. A mostra do artista visual Wendel Fontes reúne 21 pinturas e uma instalação sonora. A entrada é gratuita e a abertura terá apresentação do grupo Vozmecê.

As obras foram produzidas entre 2023 e 2026 e misturam situações do cotidiano com elementos de imaginação. Nas pinturas, crianças aparecem brincando, observando o mundo ou em momentos de introspecção. Mas a intenção não é apenas provocar nostalgia.

Objetos fora do lugar, cores fortes e cenários que parecem misturar realidade e fantasia ajudam a construir as imagens. Para Wendel, a infância aparece como uma forma de falar sobre aquilo que continua presente mesmo depois que a pessoa cresce.

O artista conta que cada pintura também exige tempo. Em vez de começar uma obra já sabendo exatamente como ela ficará, ele permite que a imagem mude durante o processo.

“Eu costumo dizer que trabalho com a lentidão. Eu venho aprendendo cada vez mais a respeitar o tempo de cada trabalho”, afirma. “É preciso desacelerar, deixar o trabalho respirar, entender qual é a questão que precisa ser resolvida”.

Para criar as pinturas, Wendel usa fotografias feitas por ele, cenas de filmes e imagens encontradas na internet. Esse material passa por colagens, rascunhos e sobreposições até chegar ao resultado final.

Além das pinturas, uma das obras chama atenção por usar o som para falar sobre infância. A instalação foi montada em uma árvore seca de aproximadamente 2,5 metros, com latinhas de alumínio penduradas nos galhos, lembrando a brincadeira de telefone sem fio.

Nas latinhas, o público poderá ouvir relatos de pessoas idosas contando lembranças da própria infância.

A árvore utilizada na instalação também tem uma história. Wendel a encontrou depois que ela foi derrubada pelo vento durante uma tempestade e decidiu transformá-la em parte da exposição.

A abertura também terá apresentação do Vozmecê. Segundo o músico Pedro Fattori, a relação do grupo com a exposição surgiu justamente pelo interesse comum em memória, infância e nas referências de Mato Grosso do Sul.

A exposição fica aberta até 30 de outubro no Centro Cultural José Octávio Guizzo. A entrada é gratuita.

Nos dias 3, 10, 17 e 24 de outubro, das 14h às 17h, também serão realizadas visitas guiadas e uma oficina de construção de imagem poética. As atividades serão conduzidas pela arte-educadora Letícia Maidana, com participação de Wendel, e não exigem experiência anterior com artes visuais.

A programação terá intérprete de Libras e audiodescrição das obras disponível por QR Code.

O projeto recebe investimento da PNAB (Política Nacional Aldir Blanc), do Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura, com execução do Governo de Mato Grosso do Sul, através da Fundação de Cultura.

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