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Artes

De capuz e cajado, covid-19 vira "velha senhora" em ópera de MS

Compositor sul-mato-grossense fez opereta em que a pandemia é palco para uma história milenar no Oriente Médio; confira o vídeo

Por Thailla Torres | 29/11/2020 07:18
Covid-19 vira uma velha senhora a vagar nas areias do deserto sírio (Foto: Arquivo Pessoal)
Covid-19 vira uma velha senhora a vagar nas areias do deserto sírio (Foto: Arquivo Pessoal)

A pandemia do novo coronavírus não foi parar só nos artigos científicos e livros de história, mas também serviu de inspiração para um libreto de ópera. Em "A Peste", o compositor sul-mato-grossense Cyro Delvizio transformou o atual momento da humanidade em letra e sons musicais. Já de cara, uma pergunta a se fazer:

O que você faria se tivesse a escolha em ajudar uma mulher idosa perdida no deserto? Ajudaria ela chegar à cidade mais próxima? Ou a deixaria por ali mesmo?"

Dividida em duas partes, a opereta conta a história do príncipe sírio Abdul-Aziz que está retornando a Damasco após uma viagem diplomática. No caminho, oferece carona a uma velha senhora que, trajando capuz e levando um cajado, estava misteriosamente a vagar nas areias do deserto. Ao chegar nos portões da cidade, o protagonista descobre que a idosa se trata da própria Peste em pessoa – e o impasse entre os dois tem início.

Opereta se passa há milênios, na cidade síria de Damasco, no Oriente Médio (Foto: Arquivo Pessoal)
Opereta se passa há milênios, na cidade síria de Damasco, no Oriente Médio (Foto: Arquivo Pessoal)

"Foram meses de escrita, composição e confecção das partituras. Cada músico teve que estudar e gravar sua parte com seus próprios equipamentos, às vezes somente com um celular. Quando foi feita a edição de áudio e vídeo, juntaram-se todos eles de uma maneira mais orgânica, atenuando as questões técnicas e distâncias físicas", explica o violonista erudito Cyro, autor da opereta.

"Busquei uma sonoridade levemente árabe, mas sem perder minha linguagem pessoal, que mescla tradição clássica com inovação. A música dá suporte à trama, ora calma e suave, ora mais agitada e ríspida conforme a necessidade".

Da esquerda para direita: violoncelista Paulo Santoro, Cyro Delvizio no violão, soprano Manuelai Camargo, o tenor Guilherme Moreira e Lincoln Sena na flauta. Sem aparecer na imagem, Leonardo Thieze faz a narração (Foto: Arquivo Pessoal)
Da esquerda para direita: violoncelista Paulo Santoro, Cyro Delvizio no violão, soprano Manuelai Camargo, o tenor Guilherme Moreira e Lincoln Sena na flauta. Sem aparecer na imagem, Leonardo Thieze faz a narração (Foto: Arquivo Pessoal)

Com pequenas animações entre uma cena e outra, tanto a primeira parte quando a segunda foram transformadas em vídeo onde os artistas participantes – incluindo o próprio autor – dividem o quadro. São três vozes (soprano, baixo e tenor) acompanhadas de outros três instrumentistas (flautista, violonista e violoncelista), totalizando seis músicos no projeto.

"Tudo isso foi pensado para oferecer mais dinâmica ao espectador, dando uma ideia de cenário e ambientação, já que no momento estamos limitados às nossas casas”, esclarece Cyro. Ele, que é campo-grandense radicado na cidade do Rio de Janeiro, também está entre os instrumentistas por meio da execução do seu violão clássico.

Cada vídeo tem cerca de 20 minutos, sendo que o primeiro já estava disponível desde o finalzinho de setembro. Agora, com o lançamento do segundo e último ato na noite de ontem (28), a história traz um fechamento para a trama formada entre o nobre e a Peste.

"O público vai poder acompanhar as atitudes do príncipe frente ao terrível impasse de ter trazido a Peste à populosa Damasco. Basta dizer que a história tem reviravoltas que oferecem uma narrativa e experiência musical impactantes”, afirma Cyro sem entregar spoilers.

Para o compositor, foi um desafio desenvolver uma obra desse nível em tempos de pandemia. Porém, o esforço de cada um valeu a pena, e o resultado – conforme ele considera – "se mostrou recompensador".

“É um projeto pequeno, com equipe enxuta, mas ao mesmo tempo grandioso. Só foi possível graças ao enorme esforço de todos os envolvidos. Aprovamos o que fizemos, mas o público mais ainda. Isso ficou evidente nas doações que recebemos pela vaquinha on-line no Kickante. Foi um estímulo artístico que precisávamos nesses tempos de incertezas”, finaliza.

Confira a primeira parte da opereta "A Peste" logo abaixo.

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