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Artes

Lado B quer saber: por que não tem lambe-lambe em Campo Grande?

Lambe-lambe é uma técnica de colagem de pôsteres em espaços públicos popular em todo mundo, mas ainda engatinha em Campo Grande

Por Lucas Mamédio | 10/03/2020 06:28
Leonardo Mareco, um dos expoentes do lambe-lambe em Campo Grande. (Foto: Arquivo Pessoal)
Leonardo Mareco, um dos expoentes do lambe-lambe em Campo Grande. (Foto: Arquivo Pessoal)

Quem já não viu um amigo de rede social postando uma foto com um pôster lambe-lambe atrás em algum lugar massa do Brasil e do mundo? Tá, talvez você não saiba o que é lambe-lambe, mas com certeza já viu um por aí. E não estamos falando daqueles fotógrafos ambulantes, que se instalavam em praças para fotos instantâneas dos frequentadores, décadas atrás. Trata-se de um pôster ou vários, de tamanhos variados e que são colados em espaços públicos, muito parecido com conceito de grafite, arte de rua em resumo.

Mas o Lado B quer saber a razão de Campo Grande, uma cidade com tantos espaços vazios, não ser palco para os artistas de lambe-lambe, um estilo que cresce tanto, como em outras grandes cidades. Por isso vamos começar aqui nesse espaço uma campanha de proliferação dos lambe-lambes por Campão. Antes, porém, vamos conhecer um pouco dessa arte e dos artistas que encontramos por aqui.

Na verdade, a ideia de entender um pouco sobre o lambe-lambe nasceu de um post no Facebook do artista Leonardo Mareco. Por ocasião de lançamento do maior lambe-lambe da América Latina, homenagem à Elza Soares, colado em um prédio em São Paulo capital, Mareco postou o link de uma matéria em que ele aproveitou para questionar se não era a hora de Campo Grande ter murais como o de SP.

“Conheci o lambe-lambe através de artistas do Instagram, meu interesse aumentou na Faculdade de Artes Visuais quando fui em uma palestra de uma artista de lambe-lambe. A partir de então me apaixonei e comecei a pesquisar mais a fundo, tanto que meu TCC foi sobre lambe-lambes”.

Colagem de Mareco no Laricas Cultural, em Campo Grande (Foto: Arquivo Pessoal)
Colagem de Mareco no Laricas Cultural, em Campo Grande (Foto: Arquivo Pessoal)
Colagem de Gabriel em prédio abandonado (Foto: Arquivo Pessoal)
Colagem de Gabriel em prédio abandonado (Foto: Arquivo Pessoal)
Álvaro Herculano sugere uma PPP (Foto: Arquivo Pessoal)
Álvaro Herculano sugere uma PPP (Foto: Arquivo Pessoal)

Perguntamos para Leo então, porque ele acha que já é a hora de Campo Grande ser tomada pelos lambe-lambes. “Campo Grande é uma cidade em constante desenvolvimento, tanto urbanisticamente falando, com prédios sendo levantados todos os dias, quanto artisticamente, com muitas pessoas produzindo arte. Isso abre diversas possibilidades”.

Para Mareco, a arte do lambe-lambe pode ser capaz de, assim como em outras cidades, tornar locais comuns em pontos turísticos. “Hoje me vejo mais maduro ao ponto de observar fachadas de prédios totalmente em desuso no Centro onde a arte do lambe também poderia agregar, tornando a cidade mais habitável e até criando novos pontos turísticos, como em são Paulo”.

Gabriel Baphomet, artista que também trabalha com lambe-lambe, vê essa arte como um resgate histórico. “Vejo o lambe-lambe como um resgate de uma linguagem que já foi muito usada, algo transmissor de muita mensagem revolucionária em épocas importantes onde se precisava de algo mais rápido que uma pichação em um muro, mas que ainda utilizasse da rua como seu palco”.

Ele também vê o potencial em Campo Grande. “Tem um potencial enorme justamente por não ser popular aqui, acaba se tornando algo “novo" no cotidiano de quem está acostumado a andar pelas ruas, mesmo sendo uma linguagem tão antiga, chama atenção: é um protesto? É um cartaz? Ambos?". Isso traz muitas possibilidades, dá voz a muita gente e dá vida a muita obra pública abandonada por aí, coisa que não falta em Campo Grande”.

Mareco aplicando um lambe-lambe (Foto: Arquico pessoal)
Mareco aplicando um lambe-lambe (Foto: Arquico pessoal)

Outro artista, Álvaro Herculano, vai além e sugere uma Parceria Público Privada, a famosa PPP, que consistiria em algum benefício fiscal ou de outra natureza, concedido pela prefeitura à administração do edifício em troca da utilização do espaço para aplicação de lambe-lambe.

“É preciso entender que essa arte deixa a cidade mais bonita e fala, muitas vezes, sobre a cultura local”.

Em Campo Grande, é possível aplicar lambe-lambe por meio de autorização prévia da Prefeitura, mais especificamente da Semadur, Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Gestão Urbana. Os artistas acham o processo um pouco burocrático, o que de certa forma inviabiliza, muitas vezes, o lambe-lambe.

O Lado B procurou o titular da Semadur, o arquiteto Luiz Eduardo Costa, para ver se ele "comprava" a ideia de espalhar lambe-lambe por aí. Para a nossa equipe, o secretário afirmou que o órgão está de portas abertas. "Pode vim apresentar o projeto aqui, falar com a gente sem problemas que vamos ver o caminho".

Ele reforça que atualmente é preciso de autorização e que depende de cada local. Por exemplo, em Campo Grande, há parques que são de responsabilidade da Funesp, praças da Semadur.

"Tem que deixar muito claro o que será feito, se vai alterar o meio público e depois quem vai fazer essa manutenção? Como será a retirada? Se não este custo vem parar no município"

Primeira colagem de Thalyta, em 2017 (Foto: Arquivo Pessoal)
Primeira colagem de Thalyta, em 2017 (Foto: Arquivo Pessoal)

Thalyta é uma das únicas minas que encontramos que cola lambe-lambe em Campo Grande, começou inclusive por influência de Leonardo Mareco. Até pela falta de exemplos e popularização do lambe, Thalyta diz que tem ainda um pouco de receio na hora de colar. “Realmente aqui no Estado tem poucas intervenções urbanas. Da minha parte vai pelo receio da galera não reagir bem, até porque é bem exposto ao público na hora da colagem”.

Mas missão dada ao Lado B é missão cumprida. Então Leo Mareco, Gabriel, Álvaro, Thalyta e demais coladores de lambe-lambe de Campo Grande, uni-vos, vamos colorir essa cidade!

Acompanhe os próximos passos.

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