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Campo Grande, Terça-feira, 22 de Outubro de 2019

08/10/2019 07:12

No muro, artistas pintam a resistência e devolvem “vida” à escola da periferia

Cerca de 45 voluntários se uniram com 25 alunos da Escola Estadual Maestro Heitor Villa Lobos para integrar a cultura e educação

Alana Portela
Colagem da mãe segurando o filho estampada no muro da escola (Foto: Leonardo Mareco)Colagem da mãe segurando o filho estampada no muro da escola (Foto: Leonardo Mareco)

Para devolver “vida” à Escola Estadual Maestro Heitor Villa Lobos, artistas e alunos resolveram colorir muro. Cerca de 45 voluntários e 25 estudantes do Ensino Médio se uniram no final de semana para pintar o lugar. “A ideia é integrar a arte, cultura, educação e dar voz à periferia, fazendo os alunos se sentirem parte do ambiente”, explica Camila Jara.

Ela é estudante de Ciências Sociais da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) e fala sobre a iniciativa em parceria com os artistas. “Conversamos com o diretor porque o local parecia mais uma prisão do que uma escola. Os alunos se sentiam desmotivados. Decidimos fazer os grafites, que dialogam com a realidade da juventude, principalmente a periférica”, afirma.

Camila relata que a fachada da escola aguardava por reforma há quatro anos, porém sem sucesso. O projeto começou com a ideia de reunir pessoas comuns para realizar ações de impactos sociais. A escola é um quarteirão, mas foi reformada apenas a fachada e uma parte da esquina.

Os alunos sentados vendo pintar o muro da escola (Foto: Arquivo pessoal)Os alunos sentados vendo pintar o muro da escola (Foto: Arquivo pessoal)
Lívia Lopes na frente dos alunos da escola (Foto: Arquivo pessoal)Lívia Lopes na frente dos alunos da escola (Foto: Arquivo pessoal)
Voluntário grafitando o muro (Foto: Arquivo pessoal)Voluntário grafitando o muro (Foto: Arquivo pessoal)
Os artistas, Laurielen, Álvaro Herculano e Leonardo Mareco em frente o trabalho finalizado na parede (Foto: Arquivo pessoal)Os artistas, Laurielen, Álvaro Herculano e Leonardo Mareco em frente o trabalho finalizado na parede (Foto: Arquivo pessoal)

O muro foi transformado com grafites, pinturas e colagens. Leonardo Mareco, Alvaro Herculado e Laurielen usaram a técnica "lambe-lambe", que é um cartaz fixado com cola na superfície. "No meu caso esse cartaz era um desenho. O trabalho chama-se Solo Imigrante e funciona como um alento a crise humanitária doa refugiados. Na imagem representada está uma mãe imigrante carregando seu filho, que apesar das dificuldades não demonstra fragilidade", explica Leonardo. "Fiz a pintura ao fundo e completei com a colagem". 

Frida Kahlo é o simbolo da resistênica feminina e foi colada no muro pela artista Laurielen, enquanto as araras que representa o Estado foi trabalho de Álvaro. A bandeira do Brasil, o rosto de uma pessoa negra e um punho levantado preencheram os espaços vazios. 

A diversidade de cores, rosa, preta, azul, amarela, vermelho transformaram a fachada, que antes era apenas um azul claro desbotado. A pedido dos alunos, asas foram grafitadas para que nos intervalos, possam tirar fotos. “Os alunos criaram a tag deles no muro. Escreveram seus nomes com outra característica”.

Nas portas dos banheiros mais cores e frases como “Acreditem mais em vocês”, “Se ame mais”, “Homem também chora”, “Está tudo bem ter sentimento”, foram gravadas com spray. “Fizemos intervenções, trabalhamos contra o machismo e pela valorização da mulher”, diz Camila.

Voluntário deixou uma frase na porta do banheiro masculino (Foto: Arquivo pessoal)Voluntário deixou uma frase na porta do banheiro masculino (Foto: Arquivo pessoal)
A porta do banheiro feminino foi colorida com a frase motivacional (Foto: Arquivo pessoal)A porta do banheiro feminino foi colorida com a frase motivacional (Foto: Arquivo pessoal)
Frase para ajudar os meninos (Foto: Arquivo pessoal)Frase para ajudar os meninos (Foto: Arquivo pessoal)
Pinturas incentivam a ter sentimentos (Foto: Arquivo pessoal)Pinturas incentivam a ter sentimentos (Foto: Arquivo pessoal)

A ação ocorreu em parceria com a Slam Manoel de Barros e com a CUFA (Central Única das Favelas). Foi quase um mês de preparação, e através de um grupo no WhatsApp conseguiram voluntários para trabalhar no dia, cozinhando e mexendo com a pintura. Os materiais como tintas e alimentos foram de doações que receberam.

“Os alunos, jovens e pré adolescentes, esquecem que é pertencente àquele lugar. Na escola tem regras e a cor apagada deixou o local sem vida. Eles não ficam livres para se expressar. Tem bullying e a gente precisa escutar”, destaca Lívia Lopes.

Ela é artista há dez anos e desde o começo de 2019 se tornou coordenadora do CUFA no Estado. “É uma ONG [Organização Não Governamental] que trabalha com ações para a comunidade periférica. Unimos iniciativas para conseguir apoio”.

Além da pintura, os alunos também tiveram curso de grafite e poesia falada. “Começamos às 8h do sábado e finalizamos às 16h. Foi nossa primeira ação na escola e queremos ampliar, levar em outras instituições com dança. A ideia é levar oficinas e contextualizar o grafite e a poesia falada nesses locais”.

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Outra parte da pintura que agora decora o muro da escola (Foto: Arquivo pessoal)Outra parte da pintura que agora decora o muro da escola (Foto: Arquivo pessoal)
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