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Comportamento

Ao entrar no Direito por acaso, Maria se emociona ao dar a notícia à mãe

Processo teve decisão urgente da Justiça

Por Geniffer Valeriano | 11/07/2026 07:10

O vídeo começa com a voz embargada e uma pausa para respirar. De um lado da ligação, uma mãe e do outro, a advogada Maria Simões. O registro mostra o momento em que ela dá a notícia que mudaria a rotina de uma família inteira: o tratamento de uma criança de 5 anos havia sido garantido pela Justiça.

RESUMO

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Advogada conquista tratamento para criança de 5 anos após plano de saúde ser cancelado sem aviso. Maria Simões entrou com pedido de tutela de urgência e, em menos de 48 horas, obteve decisão judicial favorável. A menina ficou 20 dias sem acesso aos cuidados. O vídeo em que Maria comunica a notícia à mãe da criança acumula mais de 39 mil visualizações nas redes sociais.

A cena, que já soma mais 39 mil visualizações nas redes sociais, nasceu de um processo que correu contra o tempo. A menina, que depende de cuidados contínuos, teve o plano de saúde cancelado sem aviso. “Ela é uma criança que tem muitas necessidades físicas, de fisioterapia, de tudo”, explica Maria.

Em dois dias, entre a chegada do caso, a análise de documentos e a elaboração do pedido, a advogada entrou com uma ação solicitando tutela de urgência, mecanismo que permite uma decisão antecipada diante do risco imediato.

Depois de tentar contato direto com o juiz e detalhar a situação à equipe do fórum, Maria voltou ao escritório sem muita expectativa até abrir o sistema do processo. “Quando eu voltei, passou um pouquinho, eu abri o processo e dei um grito: ‘Meu Deus do céu! Saiu! A gente conseguiu’. Aí todo mundo perguntou: ‘Conseguiu o quê?’”, relembra.

A decisão saiu na tarde de segunda-feira (6). Pouco mais de uma hora depois, já estava sendo encaminhada ao plano de saúde. No dia seguinte, o atendimento da criança foi restabelecido. Ao todo, ela ficou 20 dias sem acesso ao tratamento.

“Foi uma situação que ela não esperava. Eu, trabalhando com isso todo dia, tenho esperança, mas sei que nem sempre funciona. E por ter funcionado, ter dado certo, a gente ficou muito emocionada. Quando eu vejo o vídeo, ainda choro”, diz.

Ao entrar no Direito por acaso, Maria se emociona ao dar a notícia à mãe
Maria entrou no Direito por acaso, aos 17 anos (Foto: Paulo Francis)

Maria atua principalmente com casos previdenciários e de saúde, áreas em que o direito costuma chegar junto a histórias de vulnerabilidade. “Por sempre trabalhar com o INSS, a gente acaba tendo um olhar mais diferenciado, porque são pessoas vulneráveis por questões de saúde ou sociais. Foi um feliz acaso esse caso chegar até mim, porque eu sempre gostei muito dessa área”, afirma.

Mas nem sempre esse foi o caminho imaginado. Antes do Direito, Maria cogitou seguir na área da saúde ou na docência. A escolha pela advocacia veio quase por acaso, aos 17 anos, diante da decisão entre cursar química em universidade pública ou ingressar no curso de Direito com financiamento estudantil.

Foi após passar por sete estágios, especialmente no Juizado Federal, que ela encontrou sentido na profissão. “Eu não escolhi, mas escolheram pra mim”, resume. A vivência familiar também influenciou: sua avó, vítima de AVC, enfrentou dificuldades para acessar direitos e chegou a ser prejudicada por atendimento inadequado.

Desde então, o trabalho passou a ser também uma forma de reparação e propósito. Casos como o de uma idosa que conseguiu isenção de dívida de IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) ou de beneficiários do INSS que garantiram renda mínima reforçam a dimensão prática da profissão. “A gente realmente vê como o nosso trabalho muda a vida das pessoas”, afirma.

Entre os muitos processos, um em especial guarda significado único para Maria, o pedido de aposentadoria da própria mãe. Professora há mais de três décadas, Alessandra construiu a vida em sala de aula, marcando gerações de alunos. Foi Maria quem reuniu documentos, organizou o processo e, no dia do aniversário da mãe, levou a notícia. “Foi a melhor aposentadoria que eu já pedi”, conta.

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