Referência da escrita nipo-brasileira ainda não conhece o sobá de MS
Em Bonito, Oscar Nakasato elogiou a força da comunidade Nikkei e defendeu a preservação das tradições
A fama do sobá já ultrapassou as fronteiras de Mato Grosso do Sul, mas ainda não chegou ao prato do escritor Oscar Nakasato. Convidado da Feira Literária de Bonito, o vencedor do Prêmio Jabuti e uma das principais referências da literatura nipo-brasileira revelou que nunca experimentou a versão campo-grandense do prato criado pela comunidade japonesa e que virou patrimônio cultural imaterial de Campo Grande.
Embora nunca tenha provado o sobá de Campo Grande, ele mostrou que conhece a origem do prato. Nakasato lembrou que o sobá é tradicional da província de Okinawa, região japonesa de onde veio grande parte dos imigrantes que se estabeleceram em Mato Grosso do Sul.
"Eles trouxeram essas características para Campo Grande. Eu sei que a comunidade mantém a tradição da música, do canto e também da culinária", pontuou.
O escritor contou já ter visto o sobá em Curitiba (PR), mas ressaltou que a experiência foi diferente da tradição sul-mato-grossense. Em Maringá (PR), onde mora, apesar da forte presença de descendentes de japoneses, o prato praticamente não faz parte da culinária local.
"Lá também tem uma comunidade grande, mas sobá é um prato que nós não temos, nem em restaurantes", contou. Apesar disso, ele prometeu que pretende mudar essa história. “Passei por Bonito e agora falta conhecer Campo Grande e experimentar o sobá. Tenho que provar”, garantiu.
Filho de imigrantes japoneses, Oscar conquistou reconhecimento nacional ao vencer o Prêmio Jabuti com o romance Nihonjin, que retrata a imigração japonesa no Brasil e os conflitos de identidade vividos pelos descendentes ao longo das gerações.
Durante uma conversa com o Lado B, Nakasato destacou a importância de preservar as tradições trazidas pelos imigrantes sem deixar de construir relações com a cultura brasileira. Para ele, esse equilíbrio fortalece tanto a comunidade japonesa quanto a sociedade que a acolheu.
"Eu acho muito legal quando uma comunidade que vem do exterior consegue manter os seus costumes, as suas tradições, por décadas. Imagino que eles consigam preservar essas tradições, mas respeitando muito o país que os acolheu", afirmou.
Segundo Oscar, pelas conversas que teve durante a passagem por Bonito, percebeu o carinho que os moradores têm pela comunidade nipo-brasileira de Campo Grande.
"Para que isso aconteça há um trânsito dos dois lados. Imagino que haja muito respeito dessa comunidade em relação à cidade e, ao mesmo tempo, a cidade tem grande respeito e admiração por essa comunidade", pontuou.
Ele ainda incentivou que os descendentes de japoneses de Mato Grosso do Sul sigam preservando a herança recebida dos antepassados, mas sem deixar de dialogar com outras culturas.
"Espero muito que vocês mantenham essas tradições, essa cultura, essa herança que os avós, bisavós e até tataravós trouxeram do Japão. Mas que consigam preservar essa cultura interagindo bastante com as outras culturas presentes em Campo Grande", disse.
Para o escritor, essa convivência é justamente uma das maiores riquezas do Brasil.
"Que haja essa troca, que é o que há de melhor no Brasil, nessa sociedade multicultural. Campo Grande ganha bastante com a presença dos Nikkei, e espero que essa comunidade também ganhe com as influências das outras culturas presentes na cidade", finalizou.
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