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Campo Grande, Domingo, 19 de Janeiro de 2020

08/12/2019 07:36

Após ser mãe, a gente perde amigos e ganha outros, principalmente no Whats

Não é que a maternidade rompe relações, mas afasta quem não vive o mesmo ritmo que o nosso

Paula Maciulevicius Brasil
Flávia e a amiga de Whats e mãe no mesmo tempo que ela, Vanessa. (Foto: Arquivo Pessoal)Flávia e a amiga de Whats e mãe no mesmo tempo que ela, Vanessa. (Foto: Arquivo Pessoal)

Desativei minhas redes sociais às vésperas do meu primeiro filho nascer. Levei, salvo engano, uns dois, três meses para voltar. Não sei se era eu que estava imersa no mundo materno ou se os outros que já supunham isso e não me chamavam mais para nada. Às vezes me doía ver tanta gente se divertindo e eu morrendo de sono, ainda grávida, sem jeito para dormir ou então com um bebê no colo que só chorava 24h por dia. Eu não sabia descrever o que sentia, só que eu queria evitar ver gente feliz por aí enquanto eu estava "presa" em casa.

A maternidade muda as amizades. Fato. Os papos são diferentes, os horários principalmente. Até os lugares onde você passa a ir também mudam. Você perde alguns amigos, talvez não para sempre, mas ganha outros, com quem a gente passa a ter uma afinidade infinita ainda que muitas vezes não tenhamos nos encontrado uma única vez. O WhatsApp me trouxe amigos, principalmente as mães com quem divido minhas lamúrias. E eu vejo que não fui só eu que descobri uma puta rede de apoio virtual.

A Flávia , de quem eu pego depoimento nesta semana, é mãe da Maria Angélica, tem o cabelo colorido e leva a filha na mesma pediatra que nós. É assim que o nome dela está salvo na minha agenda: "Flávia grupo Natacha". A gente nunca se viu, mas já trocamos altas dicas de cabeleireiros.

Vanessa com a filhinha Sara e a amiga Flávia, com a filha Maria Angélica. (Foto: Arquivo Pessoal)Vanessa com a filhinha Sara e a amiga Flávia, com a filha Maria Angélica. (Foto: Arquivo Pessoal)

Flávia Maia Salgado é funcionária pública e tem 28 anos. Coisas que eu só descobri agora, para este texto. A distância de mais de mil quilômetros entre Campo Grande e Curitiba, onde está a amiga Vanessa, parece besteira perto de tanto papo. Tudo começou através da irmã de Vanessa, a quem Flávia também tem amizade e foi pedir socorro logo nos primeiros dias de Maria Angélica fora da barriga. "Eu lembro até hoje, ela com 10 dias de vida e teve a primeira crise de cólica. Eu não sabia o que era, não tinha amigas mães da minha idade, no meu grupo de amigas mais próximas ninguém era mãe", conta.

A solução foi mandar a mensagem para a colega de trabalho e amiga, que também se chama Flávia. Como resposta, ela deu o número de telefone da irmã, dizendo que apesar dela não morar no Estado, seria mais indicado que as duas conversassem pela proximidade da idade dos bebês. A menininha de Vanessa, Sara, tem 2 meses a mais que Maria Angélica. "Eu lembrei que eu mandei falando que estava desesperada, que não sabia mais o que fazer".

A resposta veio na madrugada. Período em que as duas mais passaram a trocar mensagens, quando a correria do dia ficava de lado e o bebê acordava para mamar. "Ela me disse que também acordava aquela hora e que achava que pudesse ser cólica".

Às 3h da manhã era praticamente o horário de encontro das duas. Uma lá e outra cá, que ainda não se conheciam pessoalmente, mas já compartilhavam a maior e melhor das histórias: de serem mães e poderem contar uma com a outra. 

Por coincidência, uma das melhores amigas de Flávia morava em Curitiba e três meses depois ela foi até a capital do Paraná reencontrar uma e conhecer a outra. "Marcamos de ir numa padaria e conversamos a tarde inteira. Foi muito bom, como se a gente se conhecesse uma vida inteira".

O segundo encontro, pessoalmente, aconteceu no final de semana passado, quando Vanessa veio para o aniversário da sobrinha. Pelo Whats, a conversa não para. "Como ela cozinha muito bem, e sempre posta a Sara tomando iogurte ou comendo bolinho, e eu nunca fui boa na cozinha. Mas ela me inspira, me manda receita, me deu força para continuar a introdução alimentar, porque a menina não queria comer nada", brinca.

Apesar das amizades de infância continuarem na vida de Flávia, não é que a maternidade rompe relações, mas afasta quem não vive o mesmo ritmo que o nosso. "Dá uma separada, não é? Os assuntos mudam... E a gente se sente mais à vontade conversando com outras mães que realmente sabem o que a gente está passando", acredita Flávia.

Ela termina dizendo que hoje, com a Maria Angélica com 1 ano e três meses, todos os rolês incluem a bebê e alguma outra mãe, também com bebê.

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