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Campo Grande, Quinta-feira, 20 de Setembro de 2018

16/07/2017 07:05

Aprendi mais sobre a vida depois que um acidente tirou meu filho no 8º mês

Thailla Torres
Um ano depois do acidente fatal, ela conta sua história no Voz da Experiência. (Foto: André Bittar)Um ano depois do acidente fatal, ela conta sua história no Voz da Experiência. (Foto: André Bittar)

Aos 25 anos, Lidiana da Silva Soares, fala como é viver com dor e saudade do filho que ela não viu nascer. Em 2016 ela perdeu o bebê no 8º mês de gestação, depois que uma motorista invadiu a contramão e bateu de frente com a moto que o marido pilotava e ela estava na garupa. Do acidente em diante, as lembranças foram surgindo com ajuda de familiares, mas dor de perder o filho nunca foi esquecida. Um ano depois do acidente fatal, ela conta sua história no Voz da Experiência, sobre a eterna adaptação do que é viver com a saudade e conseguir levar a vida adiante em busca de felicidade.

Lidiana e filha de 9 anos. (Foto: André Bittar)Lidiana e filha de 9 anos. (Foto: André Bittar)

"Quando eu toco nesse assunto ainda dói muito, mas a gente precisa continuar...

Eu estava grávida de 8 meses, Davi seria meu segundo filho, tanto pra mim como para meu esposo. Ele se chamava Davi, foi uma gravidez planejada do jeito que a gente sonhou. Eu e meu esposo sempre levamos uma vida simples, mas queríamos muito ter outro filho.

Há um ano eu estava na moto com o meu marido indo embora para casa, quando de de repente um carro bateu na gente. A mulher que dirigia acredita que não foi culpa dela, mas até na perícia mostra que ela invadiu a contramão quando virou com tudo para entrar em uma rua.

No momento do acidente eu desmaiei e só fui acordar horas depois no hospital. Bati a cabeça, tive uma forte hemorragia e tiraram meu bebê de dentro de mim. Meu marido quebrou o fêmur em dois lugares, ficou quase um ano para conseguir se recuperar.

Eram 8 meses de gestação. Em casa estava tudo pronto, lavado e a gente feliz em ver o Davi nascer para cuidar dele. Era aquela expectativa, porque quando a gente está grávida parece que o tempo não passa, mas quando estava chegando a hora, nem o rosto dele eu vi. Fiquei muito tempo desacordada, os amigos e familiares providenciaram todo o enterro, eu não fui nem ao velório, continuei no hospital.

Não vou dizer que eu superei a morte dele, não é verdade, ainda espero por justiça. Perdi meu filho e a condutora nunca perguntou se a gente precisava de alguma coisa. Foi nesse momento que eu tive o maior carinho dos meus amigos e familiares.

Procuro não falar do assunto no dia a dia, mas procurei meios de viver. Assim que sai do hospital fiquei um tempo em casa. Trabalhava há 7 anos na mesma casa como babá e os meus patrões foram muito atenciosos para que eu me recuperasse, depois acabei saindo do emprego por conta do esforço e fui trabalhar em outro local.

O trabalho e apoio da minha família, especialmente meu esposo, foram essenciais nesse processo de adaptação. Davi se tornou meu eterno anjo e passei a acreditar que Deus levou ele para que não sofresse na vida após o acidente. Não sei como seria se ele estivesse vivo, e por isso Deus fez o que achava melhor.

Durante um tempo tivemos muita raiva, confesso, mas quem não teria lembrando de quem tirou a vida de um inocente e nem se quer prestou ajuda. Mas depois de um tempo vi que a raiva só faria mal a nossa recuperação. Ainda espero por justiça, mas passei a ver minha vida com outros olhos.

E o que mudou nisso tudo? Minha vida completamente. Percebi que as coisas podem acabar de uma hora pra outra e não vale a pena conviver com arrependimentos. Resolvi deixar toda tristeza de lado e continuar vivendo com meu marido em busca de uma nova felicidade. Ainda temos nossos filhos para criar e precisamos de amor nos nossos dias. 

O que eu quero é ter um novo filho. Não, não é na intenção de substituir ou colocar um fim da na dor. Será mesmo um novo momento, um recomeço. Posso dizer que hoje minha vida voltou ao normal, meu foco é continuar com a família, lembrar com amor do meu anjinho, mas dar valor em cada minuto que eu tenho".

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