Cachorro vai ao trabalho, à igreja e não desgruda de jardineiro
Cão adotado há 5 anos acompanha tutor por Campo Grande e “vigia” quem considera suspeito

Quem cruza com Adriano William Bendito Parron de Oliveira, de 30 anos, já sabe que ele não anda sozinho. Com ele está sempre o Parron de 5 anos, cachorro adotado ainda em situação de abandono e que, desde então, virou companhia fixa no trabalho, nos passeios, rolês, na igreja e em praticamente qualquer lugar onde a presença de animais é permitida.
RESUMO
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Adriano Parron, de 30 anos, adotou o cachorro Parron há cinco anos após encontrá-lo abandonado, cheio de carrapatos e sofrendo agressões em um bar onde morava. Desde então, os dois são inseparáveis: o animal acompanha o tutor no trabalho como jardineiro, em passeios e até na igreja. Adriano defende a adoção responsável e afirma que ter um animal exige cuidados com alimentação, saúde e proteção.
A amizade começou quando Adriano morava em um pequeno quarto nos fundos de um bar. O cachorro aparecia com frequência pelo local, cheio de carrapatos e, segundo ele, sofria agressões de pessoas que frequentavam o estabelecimento. Após vê-lo naquela situação mais de uma vez, decidiu acolhê-lo e cuidar dele.

“Eu falei: ‘Quer saber? Agora vai ser meu, ninguém bate mais’. Tirei os carrapatos, tratei dele, coloquei coleira e está comigo até hoje”, lembra.
Desde a adoção, os dois passaram a dividir quase tudo. Parron acompanha Adriano durante o trabalho como jardineiro, nas caminhadas, em encontros com amigos e até em celebrações religiosas. A única exceção ocorre quando o destino pode colocar o animal em risco, principalmente em locais com cães agressivos.
“Onde eu vou, eu levo ele. Vou trabalhar, caminhar, vou para a igreja. Se dá para levar cachorro, ele vai comigo”, conta.
A proximidade entre os dois também ajudou Parron a aprender comandos sem passar por adestramento profissional. Adriano conta que ensinou o cachorro durante as caminhadas e na rotina de trabalho. Com o tempo, o animal passou a acompanhá-lo naturalmente, muitas vezes sem precisar ser chamado.
“Eu fui ensinando na rua, andando, chamando, e ele foi aprendendo. Quando minha moto estragou, adaptei uma carrocinha na bicicleta para levar as máquinas e ele ia junto. Às vezes eu entrava na casa do cliente e ele ficava ali, latindo e cuidando dos equipamentos. É uma maravilha de cachorro”, conta Adriano.
O cachorro já caiu do primeiro andar e também foi atropelado. Por causa disso, o tutor brinca que o companheiro parece ter “sete vidas” e que já gastou 2 delas.

“Ele é igual gato de sete vidas. Já perdeu duas, faltam cinco, mas Deus me livre, está repreendido”, brinca Adriano. Ao lembrar do atropelamento, ele diz que preferiu não prolongar a discussão com o motorista. “Eu falei: ‘Não, está tudo certo, não vou cobrar nada do senhor’. Melhor evitar problema, né?”, conta.
Conscientização - Para Adriano, a parceria com Parron também vem acompanhada de responsabilidade. Ele defende que ter um animal significa garantir alimento, proteção, higiene, tratamento de saúde e companhia, e critica quem adota sem oferecer os cuidados necessários.
“Se for para ter um animal e deixar doente, preso ou sujo, é melhor nem ter. E não é humanizar, é tratar bem. O cachorro precisa de carinho, comida, proteção e remédio. Ele depende da gente. Eu levo o Parron para trabalhar porque ele faz parte da minha vida, ele é meu melhor amigo”.
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