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Campo Grande, Terça-feira, 25 de Setembro de 2018

24/07/2017 07:15

Câmera de 1940 é o amor de Paulo e um tesouro encontrado no lixo por um catador

Thailla Torres
Nas mãos, o equipamento que é o mimo preferido.
(Foto: João Paulo Gonçalves)Nas mãos, o equipamento que é o mimo preferido. (Foto: João Paulo Gonçalves)

Paulo José Lenxe, de 56 anos, divide o amor pela vida com a câmera antiga que ele mais admira. Em um prédio antigo da Rua 14 de Julho, o colecionador é dono de uma loja especializada em equipamento fotográfico há mais de 20 anos, deu início ao trabalho por influência do pai e logo se apaixonou pelos modelos que iam surgindo pela frente.

Apesar de toda avalanche digital, ele nunca abriu mão das relíquias analógicas.  O sentimento de amor está materializada entre a coleção com uma Olympus Pen F de 1940 que ele comprou de um catador de recicláveis na cidade há cerca de 10 anos.

Ele não usa até hoje, mas garante que o equipamento funciona. "Está perfeita e veja só, foi encontrada no lixo", começa. A câmera chegou até Paulo quando ele fazia trabalho voluntário na periferia da cidade.

Algumas câmeras da coleção foram colocadas a venda. (Foto: João Paulo Gonçalves)Algumas câmeras da coleção foram colocadas a venda. (Foto: João Paulo Gonçalves)

"Na época esse catador me pediu R$ 30,00 por ela. Na verdade ele nem sabia do que se tratava, disse apenas que encontrou no shopping center, que era como eles chamavam o lixão. Então paguei a ele R$ 150,00, o valor que eu tinha. Depois cheguei aqui e constatei que ela funcionava perfeitamente", descreve.

Paulo não reencontrou o catador, mas cuida até hoje da relíquia como forma de gratidão. "Eu fico pensando quantos outros tesouros como esse vão lixo todos os dias. Mesmo que não funcionasse, ela poderia ficar guardada como recordação", acredita.

Junto com a Olympus, outras 560 câmeras dividem espaço na coleção de Paulo. A maioria foi comprada, mas muita coisa chegou de presente até ele. Especialmente um modelo do tempo lambe-lambe de 1903, uma recordação do fotógrafo Eurides Aoki em Campo Grande. "Ela também funciona, é robusta e tem todo um charme envolvido", pontua.

Com tanta peça guardada, na semana passada Paulo decidiu fazer uma bazar. Colocou mais de 60 câmeras antigas a venda por R$ 50,00. Todas estavam com defeito, mas a ideia era que servisse de decoração. "São relíquias que não podiam ser jogadas fora e todas elas são da minha coleção, mas eram repetidas, por isso eu decidi vender".

E, claro, a venda foi um sucesso e as relíquias ganharam novos donos em pouco tempo. "Hoje procuram muito mais do que quando acabou o modelo analógico. Os principais clientes são acadêmicos de jornalismo que acabam conhecendo a história da fotografia e querem registrar com filme e com película".

E foi essa razão que acabou o levando para fotografia, embora não seja fotógrafo. "Eu comecei meu primeiro contato com esse universo com uma câmera chamada Rio 400 que foi lançada quando o Rio de Janeiro fez 400 anos. Era do meu pai e meu padrinho de casamento me convidou para trabalhar na Kodak, onde acabei me especializando em equipamento fotográfico", recorda.

Paulo volta no tempo assim que cada câmera vai para suas mãos. "É a minha paixão, tanto que adoro exibir as minhas gracinhas. As câmeras de antigamente tinham um glamour que digital nenhum consegue parecido".

Mesmo assim, ele não desiste da profissão, mas lamenta o abandono de tanto equipamento. "Só de câmeras digitais com defeito eu tenho mais de 1 mil aqui dentro. A maioria foram abandonadas no conserto. Tem gente que desiste de buscar e a gente vai guardando", finaliza.

(Foto: João Paulo Gonçalves)(Foto: João Paulo Gonçalves)
Do alto do prédio ele aproveita para fotografar. (Foto: João Paulo Gonçalves)Do alto do prédio ele aproveita para fotografar. (Foto: João Paulo Gonçalves)
(Foto: João Paulo Gonçalves)(Foto: João Paulo Gonçalves)


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