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Campo Grande, Quinta-feira, 20 de Setembro de 2018

10/03/2018 07:22

Cidade amanhece com lambe lambe como expressão de arte feminista

Ação tomou conta da Antônio Maria Coelho, na esquina com a Calógeras

Thaís Pimenta
Vulva la vida, mulheres também gozam, pergunte se ela goza, diz o lambe lambe. (foto: Paulo Francis)"Vulva la vida, mulheres também gozam, pergunte se ela goza", diz o lambe lambe. (foto: Paulo Francis)

A esquina da Antônio Maria Coelho com a Calógeras amanheceuno Dia da Mulher com lambe lambes feministas distribuídos por postes, muros e muretas da região símbolo de resistência do underground em Campo Grande. A ação anônima busca promover o debate e a reflexão sobre as curtas frases que homenageiam duas personalidades sul-mato-grossenses e questionam temas como livre escolha, liberdade sexual feminina, respeito a divesidade de gênero e enfrentamento à violência.

A violeira, parteira e rezadeira Helena Meirelles e a guerreira indígenas Márcia Guarani ganharam reconhecimento dentro da ação. De acordo com uma das organizadoras da movimentação, que preferiu não ser identificada, essas duas mulheres foram escolhidas por terem sua importância adormecida dentro da sociedade. “Pouca gente sabe do trabalho delas, cada uma em sua área, claro, mas com a mesma relevância”, diz.

As frases que lhes definem são: “A dama da viola, a flor da guavira, a raiz pantaneira, respeita as mina, respeita a nossa história”, e “Marta Guarani, a força das mulheres indígenas, guerreiras, na defesa de seu povo e território”.

As artes dispostas nos lambe lambe são de domínio público e foram estrategicamente escolhidas pelo grupo para promover a reflexão nesse espaço democrático e inconstante que é a rua. “É uma forma de intervenção criativa, com o poder de despertar as pessoas para reflexões que em geral não estão presentes naquele espaço, por mais que, entre nós, esses temas sejam constantemente debatidos”.

Lambe lambe em homenagem a Helena. (foto: Paulo Francis)Lambe lambe em homenagem a Helena. (foto: Paulo Francis)
E outro em referência à Marta.(foto: Paulo Francis)E outro em referência à Marta.(foto: Paulo Francis)

A ação foi feita no começo da noite de terça-feira, seguindo madrugada adentro pelas jovens mulheres. "O mês de março promove um debate sobre o feminino por conta do Dia da Mulher, então quisemos aproveitar o gancho".

As mulheres também colaram alguns deles em um tapume, na própria Antônio Maria Coelho, só que quase na esquina com a 14 de julho, em um imóvel que está passando por obras. Os lambe lambe foram arrancados, na verdade, quase arrancados. "A gente acredita que eles devem ter causado algum desconforto em relação aos trabalhadores que estão na obra e, numa forma de não pensar naquilo, foram retirados. Foi uma resposta bem chocante pra nós", finaliza.


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