A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Quarta-feira, 22 de Maio de 2019

30/09/2018 08:17

Com dados de tratamento, psicólogo garante que "vitimizador sexual" tem cura

Papo com Maher Musleh aconteceu ontem na cidade por convite de projeto Mães Águia

Thaís Pimenta
Maher veio para ministrar palestra sobre seu trabalho com vitimizadores ontem. (foto: Thaís Pimenta)Maher veio para ministrar palestra sobre seu trabalho com vitimizadores ontem. (foto: Thaís Pimenta)

Especialista em vitimizadores sexuais, violência doméstica e articulador da cultura da paz, o psicólogo Maher Musleh diz ser abordado por muitas pessoas que afirmam categóricas "jamais serem capazes de estuprar alguém". Sem papas na língua, ele costuma rebater com outra questão: "Você não é capaz de estuprar, mas é um patrocinador da violência. Quantos vídeos divulgados nas suas redes sociais, em seu Whatsapp divulgam a cultura da violência?".

Além de chamar as pessoas para a responsabilidade, o trabalho dele hoje é tentar mostrar que  os responsáveis por esses abusos também foram vítimas um dia e, por isso, têm tratamento.

Maher esteve ontem (29) em Campo Grande para ministrar a palestra "O desafio do trabalho - uma ação de sucesso no combate à violência sexual". Pouco mais de uma hora foram precisos para fazer o público, formado principalmente por psicólogos e assistentes sociais, mudarem de opinião e conseguirem um novo olhar para os abusadores sexuais e estupradores. Por conta de ser uma referência neste assunto tão polêmico, o Lado B fez questão de ir conferir a conversa com Maher.

E falando em polêmica, foi assim que Maher decidiu começar a palestra. "O que você faria com uma pessoa que abusou um ente querido?". Com vergonha, a plateia respondia, na medida do possível, a verdade: tortura, assassinato, e tudo que seguisse a mesma linha de pensamento. 

Refugiado de guerra, Maher é islâmico mas mora no Brasil há mais de 20 anos. Com seu histórico, ele explica que o tema lhe chamou atenção justamente quando chegou ao país e notou que o contexto do estupro era bem diferente do que ele enxergou durante a vida toda.

"No meu país de origem, a gente sabe que o abuso sexual acontece em guerra, é uma estratégia que os vencedores das batalhas usam para demonstrar sua superioridade. Os homens estupram e matam as mulheres em guerra, mas quando cheguei na favela de São Paulo e vi que, ainda que sem guerra, o contexto era o mesmo e o número de estupros tão grande quanto, e a desigualdade social imensa, fiquei sem entender: como um país tão grande e em paz como o Brasil tem essa cultura?". 

Após um mestrado no tema, ele entendeu o motivo de tantos casos de abuso no país. "Em minha pesquisa, 97,1% dos estupradores sofreram abuso na infância. Ou seja, é um ato reproduzido constantemente pelos indivíduos. Por isso, não demorou para entender que não adiantava apenas tratar as vítimas, seria como secar gelo para sempre. Era preciso arriscar e enfrentar os vitimizadores, tratar eles também".

Vitimizador, inclusive, foi uma palavra criada pelo estudioso justamente por conta da reincidência do abuso. Se quando criança, é vítima, quando adulto, reproduz a violência. "No meu mestrado estudei a identidade do vitimizador. Ele é aquele que, quando abusador sexual, se transforma em vítima sacrificial, ou seja, é um bode expiatório que tira a culpa dos outros".

Daniela, do Mãe Águia, Maher e Luiza, psicóloga especialista em psicodrama. Daniela, do Mãe Águia, Maher e Luiza, psicóloga especialista em psicodrama.

O psicólogo foi responsável por instituir em São Paulo, no Carnaval, a campanha do "Não é Não", contra aquela balela de que o "não" da mulher quer dizer um sim, nas entrelinhas. "É nessa que cria-se a ideia de que, inconscientemente , a mulher goste de ser estuprada", pontua ele sobre a importância de que mais campanhas como a citada sejam feitas.

Sem entrar muito no mérito de como acontece a cura, ele diz que num trabalho associado a psiquiatras e assistentes sociais, o estudo de tratamento de vitimizadores teve zero de reincidência. "Temos códigos de controle com agentes sociais e meios de pequisa para confirmar", afirma.

Ainda na palestra Maher apresentou os números, atualizados, das pesquisas sobre o vitimizadores. De acordo com ele, em nível nacional, já foram feitos 19.851 atendimentos a vitimizadores e destes quase 20 mil pessoas, 64% são homens e o restante mulheres. 

As experíências dele já foram levadas para Cuiabá, São Paulo, Manaus e agora, por meio da Associação Mães Águia, de acolhimento a vítimas de violência."Já realizamos esse trabalho há 5 anos com as vítimas e pretendemos, agora com o apadrinhamento do Maher, começar um trablaho mais amplo com os, como ele diz, vitimizadores", explica a presidente do projeto Daniela de Cássia Duarte.

Finalmente, aos olhos de Maher, a solução para acabar com a cultura da violência é uma: educação sexual dentro das escolas. "Coisa que nem hoje nós temos. Aprende-se sobre prevenção de doenças e de gravidez, não sobre sexualidade", pontua ele. Em tempos em que candidatos defendem castração química, ouvir as palavras desse estudioso da paz é mudar de visão, ao menos um pouco, e dar uma segunda chance para aquele que também foi vítima um dia.

Curta o Lado B no Facebook e no Instagram.



Que porcaria de matéria! A jornalista deve ser eleitora do criminosos que está em Curitiba.
 
MRK em 09/10/2018 20:48:25
imagem transparente

Classificados


Copyright © 2019 - Campo Grande News - Todos os direitos reservados.