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Campo Grande, Quinta-feira, 20 de Setembro de 2018

19/01/2018 08:12

Duas bandeiras traduzem amor que vingou apesar da distância e do preconceito

Ela saiu de Fortaleza e ele do Haiti para começarem uma vida nova em Campo Grande

Thailla Torres
Ensaio com bandeiras, para eles, representa o amor com liberdade. (Foto: Pequeno Querubim Fotografia infantil)Ensaio com bandeiras, para eles, representa o amor com liberdade. (Foto: Pequeno Querubim Fotografia infantil)

A sessão de fotos ao ar livre quer mostrar a liberdade do amor de Lilian e Chamyr que foi mais forte que o tempo. Os dois passaram de grandes amigos pela internet a casal. As coisas não foram fáceis para os dois. A família dela deixou claro que não gostava dele por Chamyr ser negro e hatiano. Mas Liliam deu a volta por cima e lutou pelo sentimento que falava mais alto.

"Acho que eu tive que lutar mais contra o preconceito do que pra ter um grande amor. Uma situação que eu achei que nunca passaria na minha vida", diz a professora Liliam Amorim de Oliveira, de 27 anos. 

A história deles começa bem antes da paixão, no Facebook, onde Chamyr Ajean, de 35 anos, ficava admirando as fotos de Liliam. "Eu achava ela muito bonita. Ela era amiga de uma conhecida minha nas redes sociais. Um dia, perguntei dela e acabei adicionando, viramos amigos", conta Chamyr.

Um amor que resistiu ao tempo. (Foto: Pequeno Querubim Fotografia infantil)Um amor que resistiu ao tempo. (Foto: Pequeno Querubim Fotografia infantil)

"No começo até pensei: quem é esse homem?", lembra Liliam, que durante o bate-papo descobriu semelhanças que se transformaram em sentimento. "A gente foi conversando aos poucos, ele é quem sempre puxava assunto e eu dava corda", brinca. "Depois ele mudou-se para Brasil e foi quando eu tive a coragem de conhecê-lo".

Lilian morava em Fortaleza e em 2016 desembarcou em Campo Grande para o primeiro encontro. Ali descobriu que amava Chamyr e voltou para o Ceará três dias depois, disposta a lutar por ele. "Ficamos, conversamos e eu vi o quanto ele era um homem bom".

Chamyr chegou de Porto Príncipe, no Haiti, há dois anos pelo sonho de conhecer o Brasil e ter uma vida melhor. Com ajuda de um amigo do Exército, ganhou passagem e apoio para Campo Grande. Depois de arrumar emprego, moradia e conhecer os vizinhos, ele não quis deixar a cidade, por isso, descartou mudar para Fortaleza atrás de Liliam, mas fez o convite para ela viver com ele.

Antes dela aceitar o pedido, ele foi até o Ceará conhecer a família dela, mas descobriu um relacionamento marcado, no início, pelo preconceito. "As pessoas comentavam sobre eu casar com ele por ser negro e do Haiti, acham que lá é só pobreza e isso influenciaria no meu relacionamento por ser estrangeiro", conta Liliam.

Com a consciência plena de que não estava fazendo nada de errado, Liliam passou a segurar firme na mão de Chamyr e decidiu lutar junto contra o preconceito. "Joguei tudo para o alto, larguei até o emprego e vim embora para casar com ele", lembra.

Ela ganhou também o apoio do filho de 8 anos. (Foto: Pequeno Querubim Fotografia)Ela ganhou também o apoio do filho de 8 anos. (Foto: Pequeno Querubim Fotografia)

Liliam chegou de "mala e cuia" como define, disposta ao amor longe de qualquer postura imposta pela sociedade. "Eu sempre dizia que jamais me relacionaria com uma pessoa da internet, cheguei a dizer para as minhas amigas que isso era uma furada. Mas de repente me vi apaixonada pelo Chamyr e pensei que eu estava perdendo tempo me preocupando com o que os outros pensariam de mim".

A ideia de viver esse amor foi apoiada também pelo filho, de 8 anos, que conheceu Chamyr também pela internet ao lado da mãe. "Ele sempre via meu pequeno pelo Facebook. Quando ele foi me visitar em Fortaleza, os dois pareciam amigos de anos e se deram super bem. Isso é o que me faz feliz".

Fruto do amor entre o casal, Liliam agora carrega na barriga a pequena Lorraine, que virá ao mundo em breve. "Estamos ansiosos, vai ser uma meninha linda e orgulhosa do pai que tem".

O ensaio, para o casal, foi para dar um recado, em especial ao preconceito. Ela com a bandeira do Brasil e ele do Haiti, quiseram mostrar que no amor não existe barreiras. "Parece clichê, mas tem que ser levado pra vida, no amor não existe preconceito. E nós somos livres e felizes com as nossas diferenças", descreve Liliam.

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