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Capital

Proposta cria protocolo de segurança e fiscalização no atendimento ao parto

Hospitais poderão ser obrigados a divulgar indicadores e seguir novas regras de acolhimento e transparência

Por José Cândido | 25/02/2026 13:32
Proposta cria protocolo de segurança e fiscalização no atendimento ao parto
Projeto estabelece canal de denúncias, acompanhamento institucional e apuração obrigatória de óbitos (Foto Izaias Pereira)

A perda de um bebê logo após o nascimento transformou dor em mobilização e abriu espaço para um debate mais amplo sobre segurança e acolhimento nas maternidades. Um projeto de lei protocolado na Câmara Municipal propõe a criação do Programa Municipal de Segurança e Proteção à Gestante, Parturiente, Puérpera e ao Recém-Nascido, batizado de Lei Antônio Gabriel Fontoura.

RESUMO

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Um projeto de lei apresentado na Câmara Municipal propõe a criação do Programa Municipal de Segurança e Proteção à Gestante, Parturiente, Puérpera e ao Recém-Nascido. A iniciativa, batizada de Lei Antônio Gabriel Fontoura, surgiu após casos de falhas no atendimento obstétrico e neonatal.O projeto, de autoria do vereador André Salineiro (PL), prevê a implementação do Plano de Parto Individual, criação do programa "Sentinela da Gestante" para denúncias, investigação obrigatória de óbitos maternos e neonatais, além de maior transparência nos indicadores obstétricos das maternidades públicas e privadas.

A iniciativa nasceu a partir do diálogo com famílias que relatam falhas no atendimento obstétrico e neonatal e busca estabelecer protocolos claros para garantir atendimento humanizado, acesso à informação e mecanismos de fiscalização em hospitais públicos e privados.

O texto é de autoria do vereador André Salineiro (PL), mas foi construído com participação direta de familiares que perderam filhos após o parto — entre eles o caso que dá nome à proposta. Antônio Gabriel morreu horas depois do nascimento, em outubro de 2024, após complicações respiratórias, situação que, segundo os familiares, teria sido agravada por falhas no atendimento.

Plano de parto e mais autonomia

Entre os pontos centrais está o direito da gestante elaborar um Plano de Parto Individual, documento que passa a integrar o prontuário médico e deverá ser respeitado pela equipe de saúde, exceto em situações de emergência comprovada.

A medida busca ampliar a autonomia da mulher durante o parto, garantindo que decisões previamente acordadas — como métodos de analgesia, presença de acompanhante e práticas de humanização — sejam consideradas pela equipe médica.

Canal permanente de denúncias

Outro eixo do projeto é a criação do programa “Sentinela da Gestante”, um canal gratuito de atendimento 24 horas, por telefone e WhatsApp, destinado ao registro de denúncias ou pedidos de apoio durante internações.

Ao receber a comunicação, o hospital deverá ser acionado imediatamente. Dependendo da gravidade, o caso poderá ser encaminhado ao Conselho Tutelar ou às forças de segurança.

Investigação obrigatória

A proposta também institui o protocolo chamado “Código Vida”, que determina abertura automática de investigação administrativa sempre que houver óbito materno, fetal ou neonatal, além de lesões graves ou internações inesperadas em UTI após o parto.

A intenção é evitar que situações críticas sejam tratadas apenas como eventos isolados, criando rastreabilidade e responsabilização quando houver falhas assistenciais.

Mais transparência nas maternidades

O projeto ainda obriga hospitais a divulgarem indicadores obstétricos, como taxas de parto normal, cesáreas e registros de óbitos. A divulgação pública dos dados pretende permitir acompanhamento social e ampliar a transparência sobre a qualidade do atendimento.

Se aprovado, o programa deverá estabelecer um novo padrão de monitoramento e acolhimento nas maternidades da Capital, reforçando a discussão sobre segurança do parto e o direito das mulheres a um atendimento digno em um dos momentos mais sensíveis da vida.