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Campo Grande, Terça-feira, 18 de Setembro de 2018

29/05/2018 07:43

Elas tinham desistido de casar, mas ganharam 6 vestidos de noiva para o "sim"

Thailla Torres
Noivas disseram o tão sonhado sim, no último sábado, vestidas de branco como esperavam há anos. (Foto: André Bittar)Noivas disseram o tão sonhado sim, no último sábado, vestidas de branco como esperavam há anos. (Foto: André Bittar)

A vontade de oficializar a união em uma cerimônia religiosa e com vestido de noiva levou seis mulheres a um casamento coletivo no fim de semana. A festa chegou à comunidade indígena Estrela do Amanhã, no bairro Jardim Noroeste para casais que já dividem o mesmo teto há um bom tempo. Mas mesmo assim, a história mostra que sempre fica aquele sonho de entrar na igreja de branco.

A maioria não acreditava que um dia a cerimônia iria ocorrer, até que veio a surpresa. Entre vestidos e buquês diferentes, foi um refresco na rotina de uma das comunidades que mais sofre com a falta de estrutura na periferia de Campo Grande.

"Eu não acreditava mais, a gente não tinha condições de casar de verdade", conta Jéssica Ferreira, de 21 anos, que nasceu e cresceu a poucos metros da comunidade onde vive quando o conheceu o marido que é indígena.

As filhas foram as daminhas de honra. (Foto: André Bittar)As filhas foram as daminhas de honra. (Foto: André Bittar)

"Já estamos juntos há dois anos, mas a gente só tinha assinado um papel", lembra dos minutos na Justiça Itinerante, que lhe permitiram uma troca de alianças breve. Dona de casa e mãe de dois filhos, agora o sonho parece estar realizado. "Foi muito bonito, tive minha família, o pastor falou coisas bonitas", descreve.

O significado que o vestido branco deu à vida de Taline Cáceres, de 21 anos, é falado baixinho, na altura da sua timidez. "Como eu me senti bonita...", resume. Ela e o marido também já viviam juntos, há três anos, na mesma casa. Apesar da juventude, esperar pelo vestido branco seria um tempo perdido, acredita. "A gente tinha outras prioridades, então não imaginava que isso daria certo".

Por telefone, Maria de Fátima Canales, de 38 anos, solta uma risada como resposta sobre a felicidade de finalmente ter casado de branco. "Eu nem estava preparada, mas de repente foi tudo bem, muito bonito", descreve o momento.

De origem terena, Maria nasceu na aldeia Cachoeirinha, em Miranda e há anos busca uma vida mais digna para sua família em Campo Grande, mas não é fácil. "A gente não tem muitas condições, o dinheiro do trabalho tem que ser para os filhos", justifica ao pensar que a cerimônia religiosa era  coisa do passado.

Assim com Jéssica, Taline e Maria, outras três mulheres entraram juntas no quintal de uma igreja da comunidade. Entre elas Angela, Gleice e dona Valdomira, que segundo as meninas, deve ter aproximadamente 68 anos. "Ela também nunca deixou apagar esse sonho", descreve Dalva de Almeida Cáceres,  41 anos, que atualmente é presidente da Associação das Mulheres Indígenas Estrela do Amanhã e tomou a iniciativa de realizar o sonho destas mulheres.

Dona Valdomira, que segundo as amigas tem 68 anos, e nunca desistiu de casar de branco. (Foto: André Bittar)Dona Valdomira, que segundo as amigas tem 68 anos, e nunca desistiu de casar de branco. (Foto: André Bittar)

O Lado B foi até a comunidade encontrar as noivas do ano, mas nem todas estavam em casa. "Algumas trabalham, tem compromisso com os filhos" explica Dalva.

Ela conta que a ideia do casamento surgiu quando as mulheres procuraram a associação para regularizar documentos pessoais. "Algumas nem tinham mais a certidão e depois do documento pronto, diziam do sonho de casar. Elas já tinham conseguido na Justiça Itinerante, mas o vestido de noiva era um sonho fora da realidade", conta.

Foi então que Dalva buscou parcerias e conseguiu doações do vestido de noiva, vestidos de festa para depois da cerimônia, cabelo, maquiagem e bolo para comemorar o sim das seis mulheres da comunidade.

"Elas ficaram lindas, tiveram um dia só delas". Quando os vestidos chegaram para os ajustes, dias antes da cerimônia, cada uma pode escolher o seu modelo. No dia do casamento, a ansiedade tomou conta do salão na hora dos preparativos. "Eu fiquei ansiosa uma semana antes. Mas teve mulher que passou dois dias sem dormir", conta Jéssica.

Depois da cerimônia e das felicitações de quem acompanhou de perto um sim emocionante para elas, ficou a ansiedade pelas fotos. "Ganhamos até um álbum de fotografia, prometeram que ainda vamos escolher as fotos, não vejo a hora", completa a noiva.

Pela primeira vez a comunidade organizou um casamento coletivo, mas a Associação já pensa em uma nova cerimônia. "Já estamos pensando em um evento para dezembro. Vai ser ainda mais bonito", revela Dalva.

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