Finlandês vira atração em escola e incentiva colegas a estudar idioma
Aos 16 anos, Valtteri já mudou a rotina dos estudantes da rede estadual no bairro Maria Aparecida Pedrossian
No primeiro dia de aula, Valtteri Hautala, de 16 anos, virou assunto na escola. O estudante finlandês chegou a Mato Grosso do Sul no início de agosto e, sem falar português, rapidamente chamou a atenção dos colegas.
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Estudante finlandês de 16 anos, Valtteri Hautala, virou atração em escola estadual de Campo Grande ao chegar ao Brasil para intercâmbio. Sem falar português, ele tem motivado colegas a aprender inglês e usar aplicativos de tradução. Hospedado pela família de Bruno Feliciano, o jovem elogia a amigabilidade dos brasileiros, aprecia o calor e a culinária local e já aprendeu sua primeira palavra em português: namorada.
No horário do almoço, chegou a ficar de pé e cercado pelos estudantes, curiosos para conhecê-lo. Valtteri está no Estado há três semanas e tem morado com a família de Bruno Carlos Feliciano, de 30 anos, uma das famílias acolhedoras do programa de intercâmbio da AFS (American Field Service).
Ainda sem entender e falar português, o Lado B contou com a ajuda da presidente da organização, Matina Nogueira, para conversar com Valtteri. À reportagem, ele explicou que escolheu o Brasil para passar um ano por gostar de jogar futebol.
Durante os meses em que morará em Campo Grande, ele viverá no Bairro Maria Aparecida Pedrossian. Valtteri também tem frequentado as aulas da Escola Estadual Dolor Ferreira de Andrade.
Para Bruno, que já foi professor na escola, a escolha de colocar o estudante em contato com os alunos da rede estadual teve um objetivo claro. “Eu fui aquele aluno que não tinha perspectiva. Eu nunca tinha visto um gringo na minha vida naquele período que eu estava naquele colégio. E hoje eu falo três idiomas. E aí eu falei assim: cara, é uma oportunidade ímpar para esses estudantes.”

Segundo Valtteri, a diferença de idioma não tem atrapalhado a comunicação com os colegas. "Alguns alunos sabem um pouco de inglês, enquanto outros recorrem ao Google Tradutor", conta.
Bruno relata que, depois do primeiro dia de aula, os estudantes entraram em contato com ele em busca de ajuda para conseguir conversar com o novo colega. “Eles me mandaram mensagem, falando: ‘Professor, como que fala inglês? Dá aula para a gente. A gente tem que baixar o quê?’. Falei: gente, baixa o Duolingo”, relembra.
O interesse em aprender inglês para conseguir se comunicar com o novo colega também foi percebido pela professora da disciplina. “Acho que foi algo bem diferente. Até a professora de inglês comentou comigo, disse que eles estão prestando mais atenção na aula para conseguir entender o que ele quer dizer”, comenta.
Por conta da convivência com os alunos, Valtteri já aprendeu algumas palavras em português. O Lado B pediu que ele falasse ao menos uma que já tivesse decorado. Depois de uma pequena pausa para escolher uma, ele respondeu: “namorada”.
Entre as diferenças culturais, ele cita a amigabilidade dos brasileiros, que tem chamado sua atenção. “Na escola tem sido uma experiência muito interessante, porque as pessoas têm sido muito amigáveis comigo e aqui as pessoas gostam muito de falar, de conversar, o que não é tão comum na Finlândia, onde as pessoas são muito mais quietas, então tem sido interessante.”
Apesar de não lembrar dos nomes dos pratos, o finlandês diz que tem gostado de experimentar a culinária sul-mato-grossense. Até o tereré já foi experimentado, mas ele ainda chama a bebida de “cold tea”. “A comida aqui é bem melhor”, comentou.
O calor, que muitas vezes é motivo de reclamação dos campo-grandenses, tem agradado Valtteri. Acostumado com temperaturas mais baixas na Finlândia, ele diz que prefere praticar esportes quando está quente. “Aqui estou tomando mais banho, porque suo mais. [...] Prefiro praticar esportes no calor, porque eu suo e fico bem, diferente de praticar no frio, por conta do vento.”
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