Obra deixa motoristas mais de 30 minutos parados na saída da Capital
DNIT informa que os serviços no local devem permanecer até o final deste mês; e lamenta o transtorno
Motoristas enfrentaram longas filas na tarde desta segunda-feira (8) na saída de Campo Grande em direção a Terenos e Rochedo, por causa das obras de adequação de uma rotatória na BR-262, executadas pelo DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes). O congestionamento se formou entre a rotatória do Indubrasil e o trevo que dá acesso a Terenos, atingindo um dos principais entroncamentos rodoviários da região.
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Obras de adequação de uma rotatória na BR-262, realizadas pelo Dnit, causaram longos congestionamentos na tarde desta segunda-feira (8) na saída de Campo Grande em direção a Terenos e Rochedo. O tráfego foi organizado em sistema de revezamento, com cada via ficando 36 minutos fechada. Motoristas relataram prejuízos e atrasos, enquanto vendedores ambulantes aproveitaram o movimento para comercializar produtos às margens da rodovia.
O local concentra o fluxo de veículos que seguem para diversas regiões do Estado e também dá acesso à saída para São Paulo, sendo um trecho estratégico para moradores, trabalhadores e turistas.
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Segundo um funcionário que atua no controle do tráfego e preferiu não se identificar, o fluxo está sendo organizado em sistema de revezamento para permitir o avanço das obras, como se fosse um relógio, com quatro pontas, sendo que cada uma fica 12 minutos liberada, enquanto as outras três ficam travadas. Ao todo, cada via fica 36 minutos fechada.
A demora provocou transtornos para quem tinha compromissos agendados ou usa a rota para trabalho. A motorista de aplicativo Débora Faustino, de 37 anos, foi uma das prejudicadas. Ela estava trabalhando quando aceitou uma corrida com destino próximo ao trecho em obras e acabou ficando parada por mais de meia hora. Segundo ela, a passageira desembarcaria a cerca de 700 metros do local onde o veículo ficou retido.

“O aplicativo está ligado, mas já tem outro passageiro esperando também, já tem mais de meia hora. E a corrida vai ficar super cara para a passageira, porque eu estou aqui esperando. Não tem placa falando lá na frente, porque eu podia ter ido por dentro e sair lá na rotatória. É complicado e eu não sei nem o que tem lá na frente”, relatou.
Maria de Fátima Lima, de 53 anos, seguia para Terenos e acabou perdendo um compromisso marcado para as 14h. Ela conta que não recebeu nenhum aviso prévio sobre a situação e que o aplicativo de navegação também não indicava o congestionamento. “É horrível, estamos aqui há mais de 20 minutos”, afirmou.
Enquanto alguns perdiam compromissos e corridas, outros aproveitavam a lentidão para aumentar a renda. À margem da rodovia, vendedores ambulantes ofereciam produtos aos motoristas presos no congestionamento.
Um deles é Agnaldo Santana, de 47 anos, natural da Bahia e morador de Campo Grande há três anos. Ele vende salames e castanhas de caju trazidas do Nordeste e diz que costuma acompanhar os pontos de maior movimento nas estradas.
“A vida é bastante corrida, meio pesado mas dá pra gente sobreviver. A gente tem o contato do pessoal da empresa, e aí liga pra eles pra ver se estão na região e a gente vai pra lá. É bom que a gente já conhece o país inteiro, porque a gente roda pelo país, em Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e aí é bastante divertido também”, contou.

A analista Jaqueline Rodrigues, que tentava seguir viagem para Bonito, observou a situação dos ambulantes com preocupação. Para ela, a atividade representa uma forma de sustento, mas também expõe os trabalhadores a riscos.
“Por um lado, é perigoso, eles estão colocando a vida deles em risco, a gente nunca sabe a pessoa que está vindo, se está vindo em alta velocidade ou não, se vai respeitar ou não. Por outro lado, eles estão tentando ganhar a vida. A gente sabe que muitas vezes não tem nem documentação para ter o registro em outra empresa. Ou até tira muito mais vendendo aqui do que registrado na empresa, pra ganhar um salário mínimo. Acho que é complicado de definir se é bom ou ruim pra eles”, avaliou.
Em nota, o DNIT informou que se trata da execução de serviço de restauração do pavimento da BR-262 e que a previsão de término dos serviços na região é para o final de junho.
"A empresa responsável executa a ordenação do trânsito através do sistema Pare e Siga. O órgão lamenta o transtorno, mas é necessário para a realização dos trabalhos de melhoria da rodovia", esclarece.
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