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Comportamento

Maluco por discos de vinil, Carlos tem acervo com mais de 700 cópias

Há 24 anos, ele gasta sola de sapato para achar discos que integram pesquisa músical de MS

Por Jéssica Fernandes | 23/02/2024 06:31
Há 24 anos, Carlos Luz coleciona e pesquisa discos de artistas regionais. (Foto: Alex Machado)
Há 24 anos, Carlos Luz coleciona e pesquisa discos de artistas regionais. (Foto: Alex Machado)

Na sala de casa, Carlos Luz, de 66 anos, recebe a equipe de reportagem na companhia de Almir Sater, Délio e Delinha, Beth e Betinha, Franquito, Tostão e Guarany. Personificados em capas de discos de vinil, os músicos fazem parte da coleção e pesquisa que há 24 anos é levada com paixão e seriedade por Carlos.

A afinidade dele com a música e os discos vem do antigo emprego. O pesquisador trabalhou nas gravadoras Sapucay Discos e Pantanal, onde tinha contato com artistas regionais. Naquele tempo, os CDs estavam no auge, mas muitos trios, duplas e grupos levavam para o representante comercial discos de vinil gravados no começo da carreira.

A partir do trabalho nas gravadoras, Carlos explica que sentiu vontade de iniciar a pesquisa ‘Memória Fonográfica MS’. “Eles (músicos) me falaram que tinham discos de vinil de 1950. O ano era 2000 quando comecei a digitalizar e montar o catálogo da gravadora. Com essa digitalização comecei a pesquisar os músicos de Mato Grosso do Sul”, diz.

Pesquisador fala sobre o pesquisa ‘Memória Fonográfica MS’. (Foto: Alex Machado)
Pesquisador fala sobre o pesquisa ‘Memória Fonográfica MS’. (Foto: Alex Machado)
Carlos segura um dos discos da dupla de irmãs Beth e Betinha. (Foto: Alex Machado)
Carlos segura um dos discos da dupla de irmãs Beth e Betinha. (Foto: Alex Machado)

Para conseguir encontrar os discos que buscava, ele fez inúmeras viagens a São Paulo onde visitava sebos, livrarias e locais que vendiam os discos antigos. Nos últimos 24 anos, Carlos garante ter ‘gastado muita sola de sapato’ para conseguir reunir o acervo que ultrapassa 700 discos de vinil e soma 2 mil CDs digitalizados.

O motivo de ter ido tão longe para conseguir o material, conforme o pesquisador, é porque as gravadoras que distribuíam os vinis para todo País ficavam exclusivamente em São Paulo e Rio de Janeiro. Carlos buscou direto na fonte o trabalho de músicos regionais, que na época lançavam no máximo 500 cópias de cada disco.

O número baixo de cópias é um dos fatores que torna difícil o trabalho do pesquisador. Encontrar discos em bom estado é um desafio, por isso, é gratificante para ele colocar as mãos naqueles que considera ‘raros’. Ao citar uma das relíquias da coleção, ele mostra o disco ‘Parada Sertaneja’ de Rodrigues e Rodriguinho e Beth e Betinha.

Parada Pantaneira é um dos materiais 'raros' do acervo. (Foto: Alex Machado)
Parada Pantaneira é um dos materiais 'raros' do acervo. (Foto: Alex Machado)

“São dois irmãos casados com duas irmãs e quem toca nesse disco é o José Bétio, que era um músico antigo que tinha programa de rádio. Esse disco é uma raridade e demorou até o mês passado para encontrar, então se passaram 24 anos de busca”, afirma.

Outro destaque da coleção são os discos do músico aquidauanense, o Franquito. Carlos mostra as capas onde aparece o perfil jovem do cantor que fez sucesso cantando ‘Adelita’, ‘Donde Estará Mi Vida’, ‘Ella’. Por trás das músicas, Carlos conta curiosidades acumuladas nas décadas de pesquisa.

“Ele fez um filme chamado ‘Meu Destino em Suas Mãos’ e quem produziu foi o Zé do Caixão. Esse disco é a trilha sonora do filme e Franquito foi o protagonista. Desde 1959 Franquito já gravava, então ele é um dos mais antigos que tenho”, conta.

Produção musical de Délio e Delinha faz parte da pesquisa fonográfica. (Foto: Alex Machado)
Produção musical de Délio e Delinha faz parte da pesquisa fonográfica. (Foto: Alex Machado)
'Sorria Meu Amor' é um dos discos do casal Délio e Delinha. (Foto: Alex Machado)
'Sorria Meu Amor' é um dos discos do casal Délio e Delinha. (Foto: Alex Machado)

No hall dos ‘mais antigos’, Délio e Delinha também têm lugar de honra. Carlos tem 22 discos da dupla que arrastava multidões para além de Mato Grosso do Sul. No chão, ele esbarrava nas capas e solta mais uma curiosidade relacionada aos álbuns ‘Sorria meu amor e Defendendo o que é nosso’.

“Esses dois discos tem história interessante porque quando a Delinha brigava com o Délio, ela não colocava o rosto dela nos discos. Por isso, os discos saíram com essas fotos de flores”, fala.

Jandira e Benites, Tostão e Guarani, Almir Sater, Romance e Romarinho, Tostão e Guarany, Tetê Espíndola, Canto da Terra, Maciel Corrêa, Linda Morena, Grupo Acaba, Castelo e Mansão, Jads e Jadson, Paulo Simões, Dino Rocha, Geraldo Espíndola, Amambai e Amambaí, Zé Corrêa são alguns dos músicos que fazem parte do acervo de Carlos.

No verso da capa do disco, Carlos tem autográfo assinado por Almir Sater. (Foto: Alex Machado)
No verso da capa do disco, Carlos tem autográfo assinado por Almir Sater. (Foto: Alex Machado)
Almir Sater é um dos artistas regionais prestigiados pelo pesquisador. (Foto: Alex Machado)
Almir Sater é um dos artistas regionais prestigiados pelo pesquisador. (Foto: Alex Machado)

‘Memória Fonográfica MS’ - Além da música sertaneja, Carlos agrega a pesquisa outros estilos. Samba, axé, forró, rap, reggae, erudito, blues, rock, pop, jazz e gospel estão bem representados entre os mais de 700 discos de vinil e 2 mil CDs digitalizados.

A finalidade do projeto ‘Memória Fonográfica MS’ é catalogar e preservar a produção artística daqueles que somaram e somam com a cultura do Estado.

“O objetivo desta pesquisa é alimentar o Museu da Imagem e do Som e preservar todo acervo dos músicos que nasceram, moraram e viveram no Mato Grosso do Sul e contribuíram com a música. Esses músicos entraram para a discografia”, pontua.

Coleção tem Grupo Acaba, Castelo e Mansão e outros artistas. (Foto: Alex Machado)
Coleção tem Grupo Acaba, Castelo e Mansão e outros artistas. (Foto: Alex Machado)

Diferente de um colecionador, Carlos faz questão de enfatizar que o pesquisador segue uma linha diferente. No caso, ele focou o projeto em produções regionais datadas desde 1950 até agora. Além de contribuir com o museu, ele quer que o trabalho alcance pessoas de todas as idades propagando o que esses discos conservam há anos.

Quem tiver obras musicais de artistas de Mato Grosso do Sul, de qualquer época, nos formatos de disco de vinil, ou CDs, ou fitas cassetes, podem entrar em contato pelo celular (67) 98401-4648 para a devida avaliação e possível aquisição pelo projeto.

Na vitrola, detalhe da agulha passando pelo disco de vinil. (Foto: Alex Machado)
Na vitrola, detalhe da agulha passando pelo disco de vinil. (Foto: Alex Machado)

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