Falta de carvão vegetal leva siderúrgica a encerrar produção em dezembro
Vetorial aponta concorrência com indústrias de celulose e etanol de milho como motivo da decisão
A Vetorial Siderurgia anunciou que vai fechar sua unidade em Ribas do Rio Pardo, a 98 quilômetros de Campo Grande, por dificuldades no abastecimento de carvão vegetal. A decisão foi comunicada ao sindicato dos trabalhadores na quarta-feira (4), por meio de documento que prevê o encerramento da produção em 11 de dezembro.
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A Vetorial Siderurgia anunciou o fechamento de sua unidade em Ribas do Rio Pardo, a 98 quilômetros de Campo Grande, com encerramento da produção previsto para 11 de dezembro. A empresa aponta dificuldades no abastecimento de carvão vegetal, devido à disputa pela madeira de eucalipto com os setores de celulose e etanol de milho. Haverá demissões, ainda sem número definido. O prefeito Roberson Moureira pediu reunião com a empresa e o governo estadual para buscar alternativas.
A empresa informou que a medida deve resultar em demissões, mas não divulgou quantos funcionários serão afetados. Até o momento, a previsão de interrupção das atividades permanece mantida.
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Segundo a nota emitida pela companhia, a principal dificuldade é a disputa pela madeira de eucalipto, utilizada para fabricar o combustível que abastece os fornos. As indústrias de celulose e etanol de milho também consomem a matéria-prima, o que reduziu a disponibilidade para a atividade siderúrgica.
O problema persiste há aproximadamente um ano. Nesse período, a Vetorial tentou encontrar alternativas de fornecimento, inclusive com a possibilidade de importar insumos, mas não conseguiu garantir o abastecimento a custos viáveis. O comunicado também cita despesas operacionais elevadas, dificuldades logísticas e retração de setores ligados à mineração.
Ainda no documento enviado ao STISC (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Siderúrgicas de Corumbá), a direção informa que poderá aproveitar parte dos empregados em outras unidades ou atividades. A quantidade de profissionais que perderão seus postos será apresentada durante uma reunião com a entidade, junto com o calendário de desligamentos e possíveis medidas de apoio.
Reação - Nas redes sociais, o prefeito Roberson Moureira (PSDB) afirmou nesta quinta (5) que o fechamento preocupa a administração municipal pela quantidade de trabalhadores ligados à indústria. "É uma notícia triste, é preocupante para nós, claro, são centenas de famílias que dependem", declarou. Segundo ele, a economia da cidade tem forte ligação com as atividades do grupo.
Roberson explicou que a concorrência pela madeira é o principal obstáculo para a continuidade da fábrica. "A alegação principal da empresa é a falta de madeira para produzir carvão", afirmou. O prefeito citou especialmente o consumo de cavacos de eucalipto pelas usinas de etanol de milho e a demanda das fábricas de celulose.
Para tentar evitar a paralisação, ele disse que conversou com o presidente da Vetorial, com o secretário da Semadesc (Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), Artur Falcette. A intenção é buscar alternativas de abastecimento e manter as operações no município.
O chefe do Executivo também solicitou um encontro com representantes da companhia para a próxima semana. "A gente já solicitou uma reunião com a empresa para a próxima semana", disse. A proposta é reunir integrantes do Governo do Estado, da prefeitura e do setor florestal para discutir uma solução antes da data prevista para o encerramento.


