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Comportamento

No Pantanal, tuiuiús são alimentados todos os dias por seu Aguedo

São vários os reflexos das queimadas no Pantanal, um deles é a migração de animais silvestres para as cidades

Por Lucas Mamédio, Marcos Maluf e Silas Lima | 23/09/2020 08:19
Seu aguedo alimenta os tuiuiús todos os dias duas vezes por dia (Foto: Silas Lima)
Seu aguedo alimenta os tuiuiús todos os dias duas vezes por dia (Foto: Silas Lima)

A chuva aliviou bastante as queimadas no Pantanal, mas infelizmente ainda não resolveu. Apesar de ser um dos piores anos da história no bioma, todo ano a floresta pantaneira sofre com os focos de incêndio. Isso, segundo muitos especialistas, força os animais silvestres a migrarem e terem um maior contato com os humanos.

Seu Aguedo de Souza, de 59 anos, natural de Campo Grande, mas que vive em Coxim desde 2013, alimenta todos os dias dois tuiuiús que aparecem em uma propriedade ao lado de sua casa.

Os tuiuiús na hora da alimentação (Foto: Arquivo Pessoal)
Os tuiuiús na hora da alimentação (Foto: Arquivo Pessoal)

Ele vive numa pequena chácara bem perto da área urbana da cidade. “Eu vim para o interior porque queria tranquilidade e paz. Morei em várias casas na cidade durante este período, e há cinco meses estou em uma área maior, que lembra uma chácara bem no meio da área urbana no bairro Santo André”.

Ele conta que desde que está nessa propriedade as secas e o fogo “empurraram” vários animais para perto de onde mora, inclusive os tuiuiús. “Quando cheguei aqui estava acabando a época das águas no Pantanal agora veio a seca, talvez seja um refúgio diante do cenário que o Pantanal está passando”.

Aguedo coloca a comida duas vezes ao dia: às 6h30 da manhã e às 16h30. “Coloco peixes pra eles, lambari, eu compro uma quantidade e mantenho refrigerado, retiro um dia antes para descongelar todos os dias pela manhã eu alimento eles.”

Araras no ninho na casa de Zé da Mandioca (Foto: Silas Lima)
Araras no ninho na casa de Zé da Mandioca (Foto: Silas Lima)

O mecânico está preocupado com a situação do Pantanal. “Mas me preocupa também, pois se uma ave que é tão silvestre vem para a cidade é porque a coisa não tá tão boa no Pantanal”.

Ele diz que vai continuar colocando comida para os tuiuiús, mas que se eles sumirem dali, não irá ficar triste, pois vai ser um sinal de que as coisas estão se acertando no Pantanal. “Isso é uma recompensa de Deus pra mim.”

Ainda em Coxim, José Alves Sanata, conhecido como Zé da Mandioca, também convive em sua propriedade com animais silvestres. Há quatro anos, araras azuis usam um tronco de bacuri em propriedade como ninho. “Falta alimento lá no Pantanal e eles vêm pra cá”.

Veja abaixo vídeo das araras quando eram filhotes:


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