ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
SETEMBRO, QUARTA  16    CAMPO GRANDE 17º

Comportamento

Para abrir alas a novos trabalhos, terreiro faz faxinão em cemitério

Mãe de santo e filhos retiraram cerca de 10 sacos de lixo antes de realizar ritual no local

Por Clayton Neves | 16/09/2026 07:37


Para abrir alas a novos trabalhos espirituais, mãe e filhos de santo fizeram um “faxinão” no Cemitério das Três Barras, em Campo Grande. Antes de um trabalho na chamada Calunga, a mãe de santo Aryadne Gonçalves e outros sete integrantes da Casa de Pena Verde e Caboclo Boiadeiro encontraram o espaço tomado por restos de oferendas, garrafas, vidros quebrados e até animais mortos.

A situação era tão complicada que, segundo Aryadne, não havia condições de realizar o ritual naquele momento. “Falei: ‘Gente, não tem condições de fazer um trabalho aqui desse jeito e vamos ter que fazer algo’.”, conta.

No domingo, ela e os filhos se reuniram para colocar a mão na massa. A limpeza se concentrou principalmente na região do Cruzeiro, onde havia muita sujeira acumulada.

Ao todo, foram retirados cerca de 10 sacos de lixo de 100 litros. Entre os materiais encontrados estavam garrafas de vidro e plástico, recipientes usados em oferendas, bitucas de cigarro e charuto, além de restos de animais.

Para abrir alas a novos trabalhos, terreiro faz faxinão em cemitério
Mãe de santo e sete filhos do terreiro fizeram limpeza em toda a área do cemitério. (Foto: Arquivo Pessoal)

“Quando você vai fazer uma obrigação, uma oferenda, você tem que, acima de tudo, respeitar o campo santo e respeitar a natureza”, explica Aryadne.

Para ela, manter o cemitério limpo também significa preparar o espaço para que novos trabalhos possam acontecer. Dentro da tradição seguida pelo terreiro, a Calunga não é vista apenas como um lugar ligado à morte, mas também como um espaço de transformação, renascimento e limpeza energética.

“O cemitério não precisa ser, ele não é, na verdade, um campo de força só para maldade. Ele é um campo de força incrível para transformação, renascimento”, afirma.

Aryadne explica ainda que o grupo trabalha com a chamada Linha das Almas e, por isso, mantém uma relação de respeito com o espaço e com as almas que, segundo a crença, permanecem ali.

Depois da limpeza, o grupo voltou ao cemitério na sexta-feira para realizar o trabalho espiritual. Dessa vez, também levou um saco para recolher o que fosse produzido durante o ritual e não deveria permanecer no local.

Para abrir alas a novos trabalhos, terreiro faz faxinão em cemitério
Ao todo, foram retirados cerca de 10 sacos de lixo de 100 litros. (Foto: Arquivo Pessoal)

Mesmo assim, no outro dia, a sujeira já apareceu novamente. “Parece que não gostaram da limpeza e voltaram lá para sujar de propósito. Não era nem trabalho feito, era sujeira jogada mesmo”, detalha.

A situação não fez Aryadne desistir da ideia de cuidar do espaço. Ela diz que pretende continuar fazendo novas limpezas, possivelmente uma vez por mês ou a cada dois meses, conforme a agenda.

“Eu não devo isso a eles, eu devo isso às almas que me ajudam nos meus trabalhos. Então, em respeito à espiritualidade e ao campo santo, eu continuaria fazendo esse trabalho”, diz.

Para a mãe de santo, a preservação também pode ajudar a combater preconceitos contra religiões de matriz africana.

“A gente tem que começar a mostrar o nosso lado de maior conduta, maior ética, maior união, para as pessoas olharem para a gente com outros olhos. É você mostrar o lado bom da coisa e não só o lado ruim”, finaliza.

 Acompanhe o Lado B no Instagram @ladobcgoficial, Facebook e Twitter. Tem pauta para sugerir? Mande nas redes sociais ou no Direto das Ruas através do WhatsApp (67) 99669-9563 (chame aqui).

Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para entrar na lista VIP do Campo Grande News.