Na porta da academia, Arthur vende brigadeiro para quem busca “shape”
Com doces proteicos, jovem fisiculturista começou negócio para bancar competições e hoje vive das encomendas
Na calçada de uma academia na Rua Amazonas, uma bancada de doces chama atenção de quem passa. Brigadeiros e palha italiana poderiam parecer uma tentação pouco provável para quem acabou de sair do treino, mas a proposta de Arthur Cândido, de apenas 20 anos, é justamente unir doce e academia, duas coisas pelas quais ele é apaixonado.
Atleta natural de fisiculturismo, o jovem vende versões proteicas dos doces para quem está de olho no “shape” e não quer abrir mão da sobremesa. A ideia foi uma forma de juntar dinheiro para bancar os custos das competições, mas o negócio cresceu e hoje se tornou a principal fonte de renda dele.
Arthur começou a testar as receitas em dezembro do ano passado, depois de passar meses tentando chegar a uma fórmula que tivesse bastante proteína, mas sem aquele gosto característico de whey de que muita gente não gosta.
A primeira receita que deu certo foi a palha italiana proteica. Arthur levou o doce para a família experimentar e recebeu o sinal verde para começar a vender. A estreia teve apenas sete unidades, que foram vendidas rapidamente.

Depois, ele levou a ideia para a academia onde treina e encontrou um público interessado. Hoje, a bancada virou ponto fixo de segunda a sexta-feira, das 15h às 21h30.
No cardápio, os brigadeiros aparecem em seis sabores. Tem o tradicional, de paçoca, choco duo, chocomaltini, cookies cream e doce de leite. A caixa com quatro unidades custa R$ 25, enquanto a versão de paçoca sai por R$ 27. “Cada brigadeiro tem cerca de 5 gramas de proteína, o que dá 20 gramas na caixinha”, comenta.
A palha italiana de cookies também tem 20 gramas de proteína e custa R$ 25. É justamente ela que continua sendo a campeã de vendas.
Além da quantidade de proteína, Arthur não acrescenta açúcar, manteiga ou chocolate convencional na receita. O objetivo é entregar uma opção que ajude quem precisa alcançar a meta diária de proteína sem transformar o doce em uma experiência de gosto duvidoso.
“Como o whey é um pouco difícil em questão de sabor, eu faço degustações. Eles experimentam de graça para realmente conhecer o trabalho”, explica.
E a estratégia funciona. A maioria dos clientes é formada por pessoas que treinam na academia onde ele monta a bancada, mas não são só os alunos que param por ali.
“Tem gente que passa de carro, pergunta o que é, experimenta e acaba levando. No começo, eu tinha só uma bolsa térmica. Depois, passei para uma mesinha e com o tempo fui investindo em uma estrutura maior”, detalha.
Por enquanto, a produção ainda é artesanal. Arthur chega a passar cerca de seis horas preparando as massas. No dia seguinte, enrola os brigadeiros, organiza as caixas e leva tudo congelado para o ponto de venda, onde mantém os doces conservados em uma estrutura térmica.
No início, ele fazia tudo sozinho. Hoje, conta com a ajuda da namorada e também já conseguiu investir em equipamentos para facilitar a produção.
O negócio de doces nasceu por necessidade. Como atleta de fisiculturismo, Arthur conta que precisa lidar com despesas de inscrição, filiação a federações, alimentação, preparação e outros custos das competições.
“Para você ter uma ideia, só inscrição e filiação podem chegar a cerca de R$ 600. A pintura usada nas competições custa entre R$ 280 e R$ 350”, pontua. Para um atleta natural, ele estima que os gastos mensais podem chegar a R$ 2 mil.
Foi para ajudar a pagar essa conta que os brigadeiros começaram a ser vendidos. Só que, conforme os clientes chegaram, Arthur percebeu que havia encontrado algo além de uma maneira de financiar o esporte.
“Começou para o fisiculturismo, para juntar dinheiro, porque querendo ou não é um processo muito caro. Hoje se tornou minha principal fonte de renda”, afirma.
Estudante de Publicidade e Propaganda, ele também pretende usar os conhecimentos de comunicação e marketing para transformar a pequena bancada em um negócio maior. “Meu sonho é abrir uma cafeteria”, finaliza.
A Sweet Protein CG fica na Rua Amazonas, 993.
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