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Comportamento

Na porta da academia, Arthur vende brigadeiro para quem busca “shape”

Com doces proteicos, jovem fisiculturista começou negócio para bancar competições e hoje vive das encomendas

Por Clayton Neves | 15/09/2026 06:33

Na calçada de uma academia na Rua Amazonas, uma bancada de doces chama atenção de quem passa. Brigadeiros e palha italiana poderiam parecer uma tentação pouco provável para quem acabou de sair do treino, mas a proposta de Arthur Cândido, de apenas 20 anos, é justamente unir doce e academia, duas coisas pelas quais ele é apaixonado.

Atleta natural de fisiculturismo, o jovem vende versões proteicas dos doces para quem está de olho no “shape” e não quer abrir mão da sobremesa. A ideia foi uma forma de juntar dinheiro para bancar os custos das competições, mas o negócio cresceu e hoje se tornou a principal fonte de renda dele.

Arthur começou a testar as receitas em dezembro do ano passado, depois de passar meses tentando chegar a uma fórmula que tivesse bastante proteína, mas sem aquele gosto característico de whey de que muita gente não gosta.

A primeira receita que deu certo foi a palha italiana proteica. Arthur levou o doce para a família experimentar e recebeu o sinal verde para começar a vender. A estreia teve apenas sete unidades, que foram vendidas rapidamente.

Na porta da academia, Arthur vende brigadeiro para quem busca “shape”
Brigadeiros nas versões tradicional, de paçoca, choco duo, chocomaltini, cookies cream e doce de leite

Depois, ele levou a ideia para a academia onde treina e encontrou um público interessado. Hoje, a bancada virou ponto fixo de segunda a sexta-feira, das 15h às 21h30.

No cardápio, os brigadeiros aparecem em seis sabores. Tem o tradicional, de paçoca, choco duo, chocomaltini, cookies cream e doce de leite. A caixa com quatro unidades custa R$ 25, enquanto a versão de paçoca sai por R$ 27. “Cada brigadeiro tem cerca de 5 gramas de proteína, o que dá 20 gramas na caixinha”, comenta.

A palha italiana de cookies também tem 20 gramas de proteína e custa R$ 25. É justamente ela que continua sendo a campeã de vendas.

Além da quantidade de proteína, Arthur não acrescenta açúcar, manteiga ou chocolate convencional na receita. O objetivo é entregar uma opção que ajude quem precisa alcançar a meta diária de proteína sem transformar o doce em uma experiência de gosto duvidoso.

Na porta da academia, Arthur vende brigadeiro para quem busca “shape”
Arthur monta banca de doces na calçada da academia onde treina, na Rua Amazonas.

“Como o whey é um pouco difícil em questão de sabor, eu faço degustações. Eles experimentam de graça para realmente conhecer o trabalho”, explica.

E a estratégia funciona. A maioria dos clientes é formada por pessoas que treinam na academia onde ele monta a bancada, mas não são só os alunos que param por ali.

“Tem gente que passa de carro, pergunta o que é, experimenta e acaba levando. No começo, eu tinha só uma bolsa térmica. Depois, passei para uma mesinha e com o tempo fui investindo em uma estrutura maior”, detalha.

Por enquanto, a produção ainda é artesanal. Arthur chega a passar cerca de seis horas preparando as massas. No dia seguinte, enrola os brigadeiros, organiza as caixas e leva tudo congelado para o ponto de venda, onde mantém os doces conservados em uma estrutura térmica.

No início, ele fazia tudo sozinho. Hoje, conta com a ajuda da namorada e também já conseguiu investir em equipamentos para facilitar a produção.

O negócio de doces nasceu por necessidade. Como atleta de fisiculturismo, Arthur conta que precisa lidar com despesas de inscrição, filiação a federações, alimentação, preparação e outros custos das competições.

Na porta da academia, Arthur vende brigadeiro para quem busca “shape”
Com apenas 20 anos, jovem descobriu no negócio de doces proteicos uma nova fonte de renda.

“Para você ter uma ideia, só inscrição e filiação podem chegar a cerca de R$ 600. A pintura usada nas competições custa entre R$ 280 e R$ 350”, pontua. Para um atleta natural, ele estima que os gastos mensais podem chegar a R$ 2 mil.

Foi para ajudar a pagar essa conta que os brigadeiros começaram a ser vendidos. Só que, conforme os clientes chegaram, Arthur percebeu que havia encontrado algo além de uma maneira de financiar o esporte.

“Começou para o fisiculturismo, para juntar dinheiro, porque querendo ou não é um processo muito caro. Hoje se tornou minha principal fonte de renda”, afirma.

Estudante de Publicidade e Propaganda, ele também pretende usar os conhecimentos de comunicação e marketing para transformar a pequena bancada em um negócio maior. “Meu sonho é abrir uma cafeteria”, finaliza.

A Sweet Protein CG fica na Rua Amazonas, 993.

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