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Campo Grande, Sexta-feira, 22 de Setembro de 2017

20/08/2017 07:10

Para lidar com dor da perda, Diana seguiu os passos da mãe e se tornou pintora

Vera Lúcia faleceu em 2008 e a filha, que não era artista, passou a ter sonhos com a mãe: "Percebi que precisava pintar", conta

Eduardo Fregatto
Diana na preparação da exposição, que abre terça-feira. (Foto: André Bittar)Diana na preparação da exposição, que abre terça-feira. (Foto: André Bittar)

Uma das memórias de infância que Diana Morais, de 35 anos, carrega na mente é a de frequentar aulas de pintura, acompanhando a mãe, a arquiteta e artista plástica Vera Lúcia. As duas eram muito ligadas. "Ela se realizava com as minhas realizações", recorda Diana, quando fala da relação afetuosa que manteve com a mãe.

Em 2008, Vera Lúcia faleceu, devido a um câncer. Diana, que trabalha como Coach de Liderança para a indústria hoteleira, em Paris, sentia a necessidade de lidar, de alguma, com toda a dor e saudade que guardava ao longo dos anos.

Vera e Diana, numa foto antiga de mãe e filha. (Foto: Acervo Pessoal)Vera e Diana, numa foto antiga de mãe e filha. (Foto: Acervo Pessoal)

"Eu tive sonhos com a minha mãe. Me senti muito próxima dela", afirma. "Ela tinha um jeitinho de acordar a gente, abraçava e beijava, e no meu sonho ela fazia isso comigo. Quando acordei, percebi que precisava começar a pintar, para me sentir mais próxima".

Diana já havia pintado, na infância, mas nunca teve muita paciência. "Começava quadros mas não terminava". Na escola, fazia caricaturas de colegas e professores. "O pessoal se dizia impressionado, mas eu nunca desenvolvi esse lado artístico".

Foi mesmo por conta da saudade da mãe que, no começo desse ano, a sul-mato-grossense procurou uma professora de pintura, em Paris. E, mais uma vez, pareceu coisa de destino. "Eu saí almoçar com um amigo. Ele levou a tia dele. Eu comentei que estava procurando uma professora e ela respondeu que era uma", relata.

As aulas logo começaram e Diana descobriu um talento até então desconhecido. "Comecei a pintar portas, que tem esse simbolismo de inicio. Fiquei obcecada. Depois passei a retratar natureza, paisagens do interior da França e também de Mato Grosso do Sul".

Diana pintando em seu ateliê, em Paris. (Foto: Acervo Pessoal)Diana pintando em seu ateliê, em Paris. (Foto: Acervo Pessoal)

A mãe de Diana, Vera Lúcia, também gostava de pintar elementos da natureza. "Ela tem uma coleção grande, mas teve uma época que pintou muitas paisagens, animais, cavalos, onças. Também pintou em diversas técnicas, começando com aquarela, óleo e outras. Pretendo me familiarizar com outras técnicas também", diz a artista que por enquanto está produzindo seu trabalho em aquarela. Ela foi convidada a ingressar na Academia de Belas Artes de Paris.

Mas, o mais importante, é o conforto que o ofício trouxe, para a dor da ausência. "A arte tem sido uma maneira de, literalmente, contornar essa dor", diz Diana. "Sinto ela mais presente, é um sentimento gostoso".

Ela abriu um ateliê em Paris e, em homenagem à mãe, o batizou de "VerLuz". "Além de ser um jogo de palavras, ainda é o nome que minha mãe assinava suas obras. É mais uma homenagem e uma conexão nossa", explica.

Diana, atualmente, está em Campo Grande. Ela nasceu em Dourados mas viveu na Capital até os 16 anos. Ela vai realizar uma exposição de suas obras e algumas das sua mãe. "Mas apenas as minhas estarão à venda", pontua. A mostra, que acontecerá terça-feira (22/08), das 19h às 22h, no Território Lab (Rua Euclides da Cunha, 468), também terá pinturas de Catherine Binder, mentora de Diana e sua parceira no ateliê parisiense.

A artista plástica, também para homenagear a luta da mãe, doará a renda de suas aquarelas para duas instituições de Campo Grande: o Hospital de Câncer de Barretos e Instituto de Prevenção Antônio Morais dos Santos, que leva nome do seu avô.

"Resolvi fazer essa doação pra ajudar as pessoas na prevenção do câncer. Não gostaria que outras pessoas passassem por isso", define.

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Diana mostra uma de suas pinturas inspiradas em Bonito, chamada de A Fonte. (Foto: André Bittar)Diana mostra uma de suas pinturas inspiradas em Bonito, chamada de "A Fonte". (Foto: André Bittar)



Um belíssimo exemplo de ressignificação. Não controlamos todos os acontecimentos, mas possuímos o poder de escolher como enxergá-los.
 
carolinereiscoaching em 22/08/2017 14:25:35
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