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Capital

Crédito mais flexível deve destravar construções e aquecer mercado imobiliário

Redução da entrada e ampliação do teto facilitam projetos residenciais de médio e alto padrão

Por Kamila Alcântara | 07/02/2026 10:24


RESUMO

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O mercado imobiliário em Campo Grande experimenta uma nova fase de aquecimento, impulsionado por mudanças nas regras de financiamento. As alterações incluem a permissão de dois contratos simultâneos por CPF e o aumento do limite financiável para 80% do valor do imóvel, além da elevação do teto pelo SFH para R$ 2,25 milhões. O cenário positivo coincide com a expansão urbana da cidade, especialmente nas regiões da Chácara dos Poderes e saída para Três Lagoas. A expectativa da Rota Bioceânica também promete atrair mais investimentos e moradores, aquecendo diversos setores da economia local, desde a construção civil até o comércio de materiais.

Mudanças recentes nas regras de financiamento imobiliário começaram a destravar projetos que estavam parados há anos e já refletem em um aquecimento do setor da construção civil em Campo Grande. A avaliação é do arquiteto Pedro Chaves, sócio do Estúdio Construir, construtora especializada em imóveis residenciais e comerciais de médio e alto padrão na Capital.

Segundo ele, a flexibilização do crédito bancário ampliou o acesso tanto para famílias que pretendem construir a primeira casa quanto para investidores, públicos que vinham sendo barrados por limitações que não estavam necessariamente ligadas à renda ou ao histórico financeiro.

Crédito mais flexível deve destravar construções e aquecer mercado imobiliário
Arquiteto Pedro Chaves, sócio do Estúdio Construir, especializada em imóveis de médio e alto padrão (Foto: Divulgação)

“Existiam clientes com bom perfil, score alto e sem restrições, que mesmo assim não conseguiam crédito”, relata. Um dos entraves era a possibilidade de apenas um financiamento ativo por CPF, regra que voltou a permitir dois contratos simultâneos, medida que impacta diretamente investidores e famílias que desejam construir mantendo um imóvel anterior.

Outro ponto considerado decisivo foi o aumento do percentual financiável. Antes, os bancos liberavam até 70% do valor do imóvel. Agora, o limite chega a 80%, o que reduz significativamente o valor da entrada. “Num imóvel de R$ 500 mil, a entrada caiu de R$ 150 mil para R$ 100 mil”, exemplifica.

Também houve ampliação do teto de financiamento pelo SFH (Sistema Financeiro de Habitação), que passou de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões. Na prática, isso reabre o mercado de construções de alto padrão, que havia ficado comprimido nos últimos anos. “Esse público estava travado. Agora volta a ter acesso ao crédito”, afirma.

Crédito mais flexível deve destravar construções e aquecer mercado imobiliário
Imóvel de alto padrão, que havia ficado de fora do progarama nos últimos anos (Foto: Reprodução)

Apesar das regras mais flexíveis, Pedro alerta que o crédito não é automático. A primeira etapa continua sendo a organização da vida financeira. Análise de restrições em órgãos de proteção ao crédito, controle de endividamento e relacionamento com a Caixa Econômica Federal seguem sendo determinantes para aprovação dos financiamentos.

“O banco olha tudo. Não adianta só a regra mudar se o cliente não estiver organizado”, diz. Segundo ele, muitas negativas poderiam ser evitadas com planejamento prévio.

O arquiteto também aponta que o momento do crédito coincide com um ciclo de expansão urbana em Campo Grande. Em 2025, a cidade registrou lançamento de novos empreendimentos e a chegada de construtoras de fora, movimento que deve se intensificar.

Ele cita a região da Chácara dos Poderes e o eixo de saída para Três Lagoas como áreas sob forte pressão imobiliária. “Campo Grande ainda tem muito espaço para crescer”, afirma.

Outro fator de expectativa é a Rota Bioceânica, que tende a atrair indústrias e novos moradores. “Isso gera demanda por moradia, tanto para quem vem trabalhar quanto para quem investe”, avalia.

Segundo Pedro, o aquecimento da construção já é perceptível em 2026, quando comparado ao mesmo período do ano anterior. O impacto vai além do mercado imobiliário e atinge mão de obra, indústria de materiais e comércio.

“A construção civil movimenta vários setores ao mesmo tempo. Quando destrava o crédito, destrava a economia”, resume.

Para ele, as mudanças beneficiam desde projetos mais simples até residências de grande porte. “Da casa de 75 metros quadrados à de 400 metros quadrados, todo mundo ganhou alguma vantagem”, termina.

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