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Campo Grande, Sábado, 22 de Setembro de 2018

26/12/2016 06:15

Para quem fingia gostar de maiô, a 1ª vez usando biquíni foi uma libertação

Manequim 52, Fernanda deixou de lado o maiô que fingia gostar

Thailla Torres
Cheia de energia, Fernanda superou o medo e hoje arrasa na praia usando biquíni. (Foto: Arquivo Pessoal)Cheia de energia, Fernanda superou o medo e hoje arrasa na praia usando biquíni. (Foto: Arquivo Pessoal)

Longe das desculpas e com um sorriso lindo no rosto, Fernanda Nogueira, de 21 anos, descobriu a felicidade quando voltou a usar biquíni. A libertação veio depois de anos pressionada pela cobrança em relação ao peso. Hoje, ela usa manequim 52 e deixou de lado o maiô que dizia gostar só por não achar um biquíni que lhe servisse. 

Ela conta que a cobrança surgiu quando começou a engordar na adolescência. Levada pelos julgamentos com a aparência, ela deixou as duas peças quando ouviu que estava gorda demais para usar o modelo. "Houve uma vez que eu emagreci um pouco, quando tinha 15 anos e comprei um biquíni para viajar. Uma moça, perguntou se eu não achava que estava gorda demais. Parei de usar. Praia ou piscina era só de camiseta e short. Não tirava fotos para não expor o meu corpo", lembra.

Foi há dois anos que Fernanda encontrou no maiô a alternativa, mas que no fundo era para continuar fugindo do biquíni. "Usava com a desculpa de que eu achava mais bonito, mas a verdade é que não tinha biquíni pra mim", lamenta.

Superou o receio até posar para fotos. (Foto: Arquivo Pessoal)Superou o receio até posar para fotos. (Foto: Arquivo Pessoal)

A "chance" de mudar de estilo veio quando Fernanda passou a olhar o corpo com outros olhos, junto com uma reflexão sobre os desafios de enfrentar padrões. "Quando você é gordo, sempre tem alguém pra dizer que você não se esforça o suficiente para emagrecer. Mas as pessoas pensam assim, sem imaginar como a gente vive", diz.

Ela cita, inclusive, as dificuldades que encontrou quando tentou emagrecer a todo custo. "Ninguém sabe, por exemplo, que já desmaiei numa esteira porque estava fazendo dieta e não me alimentava o suficiente. Já machuquei o joelho na tentativa de fazer zumba. É claro que há a questão da saúde. Mas as pessoas ligam muito mais para aparência".

Foi nos desafios que Fernanda encontrou motivos para ser feliz, independente do peso. "Realmente, ninguém é feliz por ser gordo, mas com certeza pode ser feliz, apesar de ser gordo. E hoje isso é diferente. Até então, achava meu corpo feio e não gostava de expor. Hoje, quando me vejo de biquíni, acho bonito. Sinto como se fosse feito pra mim, assim como deve ser feito para todas as mulheres".

Os biquínis tem uma modelagem diferente e são super estilosos. (Foto: Arquivo Pessoal)Os biquínis tem uma modelagem diferente e são super estilosos. (Foto: Arquivo Pessoal)
Fernanda mostra que a mulher tem o direito de se achar bonita, do jeito que quiser. (Foto: Arquivo Pessoal)Fernanda mostra que a mulher tem o direito de se achar bonita, do jeito que quiser. (Foto: Arquivo Pessoal)

Confiante, aprendeu a superar todo sofrimento. "Por conta do peso, não consigo usar a roupa que quero e tenho dificuldade para tarefas simples de esforço. Mas superei a vergonha de ver gente me julgando enquanto como. Sair do provador com 10 peças sem nenhuma servir e até ver que pessoas não sentam do seu lado no ônibus porque você é gordo. Só que é importante que as pessoas entendam, que isso é ruim. E há pessoas que sofrem todos os dias", acrescenta. 

Quando se despiu do maiô e encarou de vez o biquíni, o sentimento foi de satisfação. "Nas férias, minha mãe foi comprar um pra ela e fui junto. Encontrei biquínis com modelagem diferente. Ele tem uma cintura mais alta e servia para o meu tamanho. Experimentei e amei", conta.

Naquele momento, Fernanda decidiu não ligar para o que as pessoas pensam e ficou surpresa. "Minha reação foi de estar vivendo uma experiência nova. Me olhava no espelho e achava bonito. As outras mulheres que estavam nos provadores diziam que estava bonito. Desde então, uso meus biquínis sem medo de ir à piscina, praia e tomar sol. E várias pessoas perguntam onde compro os meus", diz.

Agora Fernanda vê a felicidade de outra forma. "Eu tenho direito de me vestir como quiser na praia e me sentir feliz com isso. Posso me achar bonita e não escondo isso de ninguém. Na verdade, acho que toda mulher tem o direito de se achar bonita, do jeito que quiser", reflete.

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Eu posso me achar bonita e não escondo isso de ninguém. (Foto: Arquivo Pessoal)Eu posso me achar bonita e não escondo isso de ninguém. (Foto: Arquivo Pessoal)


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