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Campo Grande, Segunda-feira, 22 de Julho de 2019

18/06/2019 07:18

Para ver Joanna crescer bem, mãe quer ganhar perna nova e brincar com a filha

Joseane e uma amiga organizam uma vaquinha online para arrecadar R$ 120 mil e comprar a prótese desejada

Alana Portela
Joseane segurando a filha Joanna de nome meses (Foto: Paulo Francis)Joseane segurando a filha Joanna de nome meses (Foto: Paulo Francis)

Quando tudo parecia tão difícil, Joanna chegou e mudou a perspectiva de vida de Joseane Silva. Ela era cabeleireira, tinha uma vida ativa, gostava de correr, dançar, mas há quatro anos teve a perna esquerda amputada, após ser atropelada enquanto voltava para casa. De lá para cá, muitas coisas mudaram, porém, Jose não se deixou abater e hoje faz uma vaquinha on-line de R$ 120 mil na intenção de comprar uma prótese, para voltar a andar e poder brincar com a filha.

“A vida não acabou. Minha filha me dá forças para continuar, quero dar uma vida melhor para ela e vou lutar por isso. Quero voltar a fazer tudo que gosto, pois antes do acidente eu dançava, corria, era independente. Tenho muitos planos e quando somos mães não pensamos mais em nós, mas sim nos filhos”, disse.

Jose tem 35 anos e viu sua vida mudar drasticamente no sábado do dia 8 de agosto de 2015, enquanto voltava para casa. Ela caminhava na calçada da Avenida Duque de Caxias, quando foi surpreendida por um motorista embriagado que a atropelou e esmagou sua perna esquerda. A batida foi tão forte que quebrou o muro do 18° B-Log (18° Batalhão Logístico de Campo Grande).

Joseane quer acompanhar cada passo da filha (Foto: Arquivo pessoal)Joseane quer acompanhar cada passo da filha (Foto: Arquivo pessoal)

“Os militares me socorreram porque ouviram um barulho alto, parecia que tinha explodido alguma coisa. Uma mulher passou e informou aos militares que o muro tinha quebrado e que havia alguém embaixo dele. Os socorristas falaram que eu estava acordada, mas em choque. Reclamava de dor, tinha deixado o meu celular para atualizar e não portava documentos comigo”, recorda ela do momento de desespero.

Jose foi levada para a Santa Casa de Campo Grande, onde o médico a esperou acordar do susto e informou sobre a necessidade da amputação. “Pediu a minha autorização. Falou que a perna estava esmigalhada e suja, com areia do muro e poderia infeccionar e eu morrer”, relatou.

Os exames também mostraram que na sua perna direita tinha uma luxação e o quadril havia quebrado em cinco partes, mas ela manteve a calma. “Fiquei tranquila, não tinha o que fazer. O joelho abriu, o quadril quebrou em cinco partes. Fiquei do dia 8 ao dia 11 daquele mês no hospital, recebi várias visitas e mensagens de apoio no Facebook”.

A ex- cabeleireira quer voltar a andar para brincar com a filha (Foto: Arquivo pessoal)A ex- cabeleireira quer voltar a andar para brincar com a filha (Foto: Arquivo pessoal)

Terapia - Em 2016, Jose começou a terapia e ganhou uma cadeira de rodas para poder se locomover. No CER APAE (Centro Especializado em Reabilitação da Apae de Campo Grande), ela recebeu uma prótese mecânica, porém não encaixava no coto (perna amputada). “Não deu certo, era maior do que deveria. Ao invés de distribuir o peso do corpo, jogou tudo para a outra perna e estava prejudicando”, contou.

Foi um ano tentando arrumar a prótese, porém cada vez que mexia desajustava alguma coisa. Chegou até quebrar a perna direita tentando se adaptar a perna mecânica que havia ganhado. Os amigos nunca deixaram a desistir e até fizeram uma feijoada beneficente para arrecadar dinheiro e comprar outra prótese. Contudo, o valor não foi suficiente e precisou ser usado por Jose para o tratamento com remédios e exames.

Para facilitar a locomoção, a ex- cabeleireira comprou uma muleta, porém precisa de ajuda para tudo. “Sempre morei com meus pais, eles me ajudam. Não consigo fazer nada sozinha, se for ao mercado tenho que estar acompanhada porque as minhas mãos seguram a moleta, não consigo pegar as sacolas”, disse.

A vida continuou, e tempo depois Jose arrumou um namorado, engravidou e o nascimento de Joanna acendeu aquela luz no fim do túnel. “Minha filha é um presente. Esperança a gente tem que ter sempre. Tenho que acompanhar o crescimento dela, para brincar, correr, andar. Vou tentar todos os jeitos para conseguir uma prótese, preciso voltar para o meio social, trabalhar, estudar, fazer curso. Tenho esse desejo de continuar sendo cabeleireira, mas se não der procuro outra área”, destacou.

 

A Vakinha online está funcionando desde março desde ano (Foto: Arquivo pessoal)A Vakinha online está funcionando desde março desde ano (Foto: Arquivo pessoal)

Vakinha - Uma amiga de Jose está organizando uma "Vakinha" online para ajudá-la. As arrecadações começaram em março e continua até setembro, e a ideia é conseguir R$ 120 mil para adquirir uma prótese C-Leg. Contudo, até o momento foi alcançado R$ 150, 00.

“Aqui em Campo Grande tem as casas de ortopedia que fazem a prótese, mas não é barato. Só o encaixe da perna é 10 mil reais. Essa é uma próstese que uma pessoa amputada sonha, que é muito boa. Ela é em torno de R$ 120 mil, R$130 mil”, disse.

Além da prótese, a ex- cabeleireira tem que fazer uma cirurgia para retirar a placa de titânio na fíbula, conhecida como canela, e assim poder fazer uma ressonância no joelho. “O exame vai ver se tem alguma lesão, pois sinto dor e ele está mole”, contou.

O motorista embriagado que causou o acidente foi condenado a pagar R$ 250,00 mensais para Jose por 27 anos, contudo, há uns meses não realiza o pagamento e nem deu satisfações sobre o motivo da inadimplência. Ela está tentando recorrer na justiça para conseguir.

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Na cadeira de rodas, Joseane passa a maior parte do tempo (Foto: Paulo Francis)Na cadeira de rodas, Joseane passa a maior parte do tempo (Foto: Paulo Francis)
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