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Comportamento

Poeta quase desistiu, mas após 6 anos livro sobre suicídio indígena "nasceu"

Obra transforma em poesia a dor provocada por notícias sobre mortes de povos originários em Mato Grosso do Sul

Por Natália Olliver | 07/06/2026 14:39
Poeta quase desistiu, mas após 6 anos livro sobre suicídio indígena "nasceu"
Américo demorou 6 anos para escrever livro que considera a obra da vida (Foto: Arquivo pessoal)

Após seis anos de escrita, o poeta Américo Calheiros enfim conseguiu terminar o tão sonhado livro sobre suicídio indígena em Mato grosso do Sul. Ele  transformou em versos a dor provocada por notícias sobre mortes indígenas e pelas condições de vida enfrentadas por comunidades originárias.

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O poeta Américo Calheiros lança nesta terça-feira (9) o livro "Suicígena", obra escrita ao longo de seis anos sobre o suicídio indígena em Mato Grosso do Sul. Em versos, o autor aborda a perda de territórios, exclusão social e violações de direitos sofridas por comunidades originárias. O lançamento ocorre às 19h na sede da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, em Campo Grande.

O assunto recorrente em reportagens é, para o poeta, escritor e teatrólogo, uma inquietação difícil de ignorar e ainda mais difícil de transformar em poesia. O livro foi batizado de "Suicígena".

Os poemas não se limitam à morte. Ao longo das páginas, Américo busca tratar também das causas que cercam essa realidade: a perda de territórios, a exclusão social, a discriminação, o apagamento histórico e as violações de direitos que atravessam a vida de muitas comunidades.

Poeta quase desistiu, mas após 6 anos livro sobre suicídio indígena "nasceu"
Pernambucano de nascimento, Américo chegou a Mato Grosso do Sul aos 6 anos (Foto: Arquivo pessoal)

“Esses fatos mexeram com minha sensibilidade e resolvi utilizar da poesia para manifestar-me. Comecei a escrever há mais de seis anos”. Para ele, a demora, nesse caso, não aparece como atraso, mas como parte do próprio processo. Ele explica que deixou o tema amadurecer até encontrar uma forma poética que não fugisse da denúncia, mas também não reduzisse os povos indígenas à tragédia.

Pernambucano de nascimento, Américo chegou a Mato Grosso do Sul aos 6 anos e se considera sul-mato-grossense. Foi em Aquidauana que começou sua relação com a arte e a cultura. Aos 17 anos, se mudou para Campo Grande para estudar Letras. Na Capital, também iniciou sua trajetória no teatro, área em que atuou por quase 20 anos.

Poeta quase desistiu, mas após 6 anos livro sobre suicídio indígena "nasceu"
Um dos poemas de América no novo livro (Foto: Arquivo pessoal)

Além da produção artística, trabalhou na educação como professor e, depois, como gestor cultural por 18 anos. Para ele, o novo livro tem objetivo de provocar reflexão sobre a cultura, a resistência e os desafios vividos pelos povos originários.

“Movido pelo sentimento que tudo isso me provocou, recorri à manifestação poética para tocar mentes e corações alheios a essa questão”, diz.

O lançamento será nesta terça-feira (9), às 19h, na sede da ASL (Academia Sul-Mato-Grossense de Letras).

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