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Comportamento

Receita, sono, curso ou reforma, em qual fase da quarentena você está?

Tem gente que começou isolamento dormindo, depois encarou a cozinha, já fez faxina e agora está estudando ou organizando a casa

Por Alana Portela | 23/05/2020 08:12
Jaimeína Araujo Ribeiro segurando o bolo, com beijinhos e morangos, e celebrando o aniversário. (Foto: Arquivo pessoal)
Jaimeína Araujo Ribeiro segurando o bolo, com beijinhos e morangos, e celebrando o aniversário. (Foto: Arquivo pessoal)

Já se passaram mais de dois meses desde que o isolamento social começou e tem gente fazendo de tudo para fugir do tédio, em Campo Grande. Tem aqueles que estão encarando a cozinha, outros aproveitando a cama ou estagnaram na sala para colocar as séries em dia. Agora o Lado B quer saber: em qual fase da quarentena você está?

O professor, Nizael Almeida está na fase das reformas em casa. Aos 31 anos, ele resolveu aproveitar a quarentena para driblar o tédio e fazer as horas passarem de um jeito menos cansativo. “Comecei a desenvolver projetos que estavam parados. Estou fazendo prateleiras de madeira, pintando vasos de planta, planejando pintar uma parede”, diz.

Ele relata sempre comentar com os alunos que sua meditação é pintar parede. Contudo, nas últimas férias viajou e não conseguiu executar as coisas que tinha planejado. “Agora, estou tentando trabalhar com o material que já tinha em casa, pois a ideia é não sair”, afirma.

Prateleira de madeira feita para organizar os utensílios da cozinha. (Foto: Nizael Almeida)
Prateleira de madeira feita para organizar os utensílios da cozinha. (Foto: Nizael Almeida)

Nizael está isolado desde que o coronavírus se espalhou pela Capital, em março deste ano. “Entrei na quarentena junto com a suspensão das aulas pela rede municipal de ensino. Primeiro, precisei me adaptar a um período de espera”.

Nas primeiras semanas, o professor aproveitou para dormir e assistir séries. “Depois precisei criar uma rotina de trabalho em casa, por conta das orientações/ aulas remotas. O que foi uma nova adaptação”, explica. “A quarentena, embora seja um momento de readaptação, também é um período positivo, eu gosto muito de ficar quietinho em casa”.

O vaso pintado de azul ganhou uma planta para decorar. (Foto: Nizael Almeida)
O vaso pintado de azul ganhou uma planta para decorar. (Foto: Nizael Almeida)

Outra coisa que ele já fez foi ficar sem ver jornais por um tempo. “Tive o período de ausência de notícias, quando tentei me manter longe do noticiário para não maltratar meu psicológico. Mas, tenho tentado me manter informado”.

Para Nizael, desde que a rotina mudou, o período mais difícil é manter a mente sã e cancelar as visitas. “Sempre acho dolorido dizer que não receberei um amigo ou explicar para uma criança, meus sobrinhos, porque não fui visitá-lá”.

O isolamento também o fez perder a noção do tempo e ficar com o sono desregulado. “Quero serrar madeira às 3h da madrugada”, diz rindo da situação que está passando. “Sempre amei dormir e essa quarentena deixa a gente com a sensação de domingo todo dia”, completa.

Outra coisa que está fazendo para ocupar a mente é assistir lives. “Tento ver pelo menos duas lives por semana, de artistas, professores ou filósofos que gosto. Creio que essa pandemia e a quarentena nos ensina muito, mas é preciso querer aprender”.

Cozinha - Nataly Barros está na fase das receitas. Aos 19 anos, a técnica em Agropecuária conta que está aproveitando o momento para testar as habilidades na cozinha. “Aprendi fazer pavê, além de um prato chamado ‘Shakshuka’, que é preparado com carne moída e ovos cozidos”, explica.

Tem pão caseiro que acabou de sair do forno. (Foto: Nataly Barros)
Tem pão caseiro que acabou de sair do forno. (Foto: Nataly Barros)
Bolo de chhocolate, com bolachas por cima decorando. (Foto: Nataly Barros)
Bolo de chhocolate, com bolachas por cima decorando. (Foto: Nataly Barros)

Agora também está sendo o momento de fazer bolos. “Fiz de chocolate, cenoura. Também comecei a fazer mousse de maracujá e aprendi a fazer pão, foi muito emocionante”, conta ainda empolgada com os resultados que tem apresentado.

No início da quarentena, Nataly entrou na fase do sono, mas depois de um tempo resolveu mudar a rotina. “Nos primeiros dias acordava tarde, mas enjoei. Coloquei filmes e séries em dias, e passei a comer bastante. Também conversava com os amigos e familiares, isso ajudava a passar o tempo”.

Estudos – A funcionária pública, Jaimeína Araujo Ribeiro está na fase dos cursinhos. “A minha rotina está bem estressante porque quarentena, né? Mas, a gente vai se adaptando como pode. No meio desse turbilhão de coisas, através da internet, arrumei uns cursos para fazer, me especializar e empreender”, destaca.

Jaimeína afirma que sempre gostou de estudar, é graduada em História e Ciências Contábeis, por isso encontrou nos cursos a saída que precisava para deixar os dias mais leves. “Estudar e aprender alguma coisa nova sempre fez parte da minha vida. Em breve estarei capacitada pra entrar no ramo de cosmética natural. Assim que estivermos mais seguros, farei mais cursos presenciais pra complementar meu empreendimento”.

Jaimeína segurando uma vela de aniversário. (Foto: Arquivo pessoal)
Jaimeína segurando uma vela de aniversário. (Foto: Arquivo pessoal)

Ela entrou em quarentena no dia 20 de março, porém desde o dia 4 deste mês voltou a trabalhar. Claro, com todos os cuidados recomendados pela OMS (Organização Mundial da Saúde) e do Ministério da Saúde. No entanto, é da casa para o trabalho e de lá para a humilde residência.

A rotina continua como se estivesse de quarentena, já que ainda não pode rever amigos e família, nem mesmo sair para eventos. “A saúde mental não anda lá muito boa, mas essa quarentena ensinou a nos reconectar com nós mesmos, se autoconhecer com as ferramentas disponíveis”.

O período mais difícil que precisou enfrentar foi celebrar o aniversário isolada. “Não receber abraços foi a parte chata. Mas, dei um jeito de comemorar do meu jeitinho. Sou taurina, no meu aniversário, ganhei muitos bolos e carinhos distantes”, diz.

Nesses últimos meses, Jaimeína também passou pela fase “cabeleireira”. “Meu cabelo começou a cair muito nessa quarentena. Entrei na estatística e cortei meu cabelo sozinha. Passei por um processo de transição capilar. Também passei a analisar os rótulos dos produtos de beleza que consumo.  A quarentena meio que abriu possibilidades de autoconhecimento”.

Paula Esquivel passando pano no chão da casa onde mora. (Foto: Arquivo pessoal)
Paula Esquivel passando pano no chão da casa onde mora. (Foto: Arquivo pessoal)

Faxina – Já a dona de casa, Paula Esquivel está na fase da limpeza. Aos 35 anos, ela relata que o modo de acabar com o estresse é limpando. “De manhã limpo casa e organizo as coisas da casa”.

Ela é mãe de uma menina de 7 anos e avó de outra com menos de 2 anos. As crianças fazem companhia nessa quarentena e Paula até criou um roteiro para não se perder nas tarefas do dia a dia.

Após a sagrada faxina da casa, Paula organiza as coisas e após isso prepara aquele almoço para a família. Mais tarde, é a vez de sentar para assistir algo na televisão. “Coloco aulas de zumba para dançar porque o projeto eu participava acabou por conta da pandemia. Também ajudo minha filha a fazer o dever da escola”, finaliza.

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