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Comportamento

Sem luz, povo encara bares e shoppings só para carregar celular

Para conseguir carregar os aparelhos, galera correu para casa de amigos, restaurantes e até shoppings

Por Bárbara Cavalcanti | 17/10/2021 08:35
Totem com tomadas para carregar o celular estão disponíveis nos shoppings da cidade. (Foto: Bárbara Cavalcanti)
Totem com tomadas para carregar o celular estão disponíveis nos shoppings da cidade. (Foto: Bárbara Cavalcanti)

A queda de energia causada pelo temporal de sexta-feira (15) perpetuou por todo o fim de semana e segue dando dor de cabeça à famílias que continuam sem energia elétrica. Com a quantidade de estragos causados pelas rajadas de vento, restabelecer todas as linhas de pela cidade é trabalho gradual. Porém, uma das maiores preocupações, se não a maior depois da luz em si, é ter como carregar o celular.

Para não ficar completamente incomunicável ou sem mexer nas redes sociais, as pessoas partiram para onde tinha luz na cidade apenas para poder recarregar o aparelho. E disposição e criatividade não faltou: teve gente que foi para lanchonetes, para o shopping ou até mesmo viu pelas redes sociais quem usou o carro para conseguir carregar o aparelho.

Utilizar o carregador no carro para o aparelho é uma opção para não ficar incomunicável. (Foto: Arquivo Pessoal)
Utilizar o carregador no carro para o aparelho é uma opção para não ficar incomunicável. (Foto: Arquivo Pessoal)

A autônoma Nataly Samara de Almeida, de 24 anos, trabalha em uma lanchonete na Avenida Mato Grosso, Bairro Santa Fé, que teve a energia restabelecida. “Muita gente já vai lá para aproveitar e carregar o celular. Mas ontem apareceu um rapaz que saiu da casa dele e veio pra cá só pra isso”, comenta.

A dona de casa Fátima Maria Barros Rodrigues, de 44 anos, foi com a família para um dos shoppings para carregar o celular de todos. Mas até lá, durante o tempo offline, descobriu até vizinhos que não conhecia.

“Foi o dia em que meus vizinhos e eu nos conhecemos. Ficamos lá fora todo mundo conversando e de repente apareceu um homem que é meu vizinho, mas que eu nunca tinha visto na vida”, se diverte. “No início, meu celular ainda tinha carga. Eu estava louca pra entrar no Instagram, porque eu fiquei igual uma múmia sem nada pra fazer, mas eu não podia, porque ia descarregar mais rápido”, detalhou.

Com todos os celulares dos integrantes da família de dona Fátima descarregados, ficou inviável utilizar até o recurso da lanterna, inclusive. “Não tinha uma vela lá em casa, meu marido tentou andar na cozinha e derrubou copo, prato, pisou no cachorro”, relata.

No sábado (16) surgiu então a ideia de toda família ir juntas ao shopping para poder utilizar as tomadas compartilhadas e por fim, carregar o celular de todos, com sucesso. “Quando eu voltei, tinha um monte de notificação, mensagem”, acrescenta.

O cirurgião dentista Mateus Maggi Nemerski, de 24 anos, fez o deslocamento de casa, no Bairro Carandá Bosque, de volta para o trabalho, na Mata do Jacinto, também para aproveitar a luz que voltou lá primeiro. “O jeito foi o usar o celular o menos possível”, acrescentou.

E a estudante Letícia Seidenfuss, de 24 anos, saiu da Vila Carvalho e ainda alternou entre a casa da amiga e da mãe para conseguir uma carga. “Minha mãe mora três quadras de mim e pra ela está normal. Eu comecei a carregar lá e acho que vou até levar algumas coisas da geladeira pra lá também”, acrescentou.

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