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Campo Grande, Domingo, 17 de Dezembro de 2017

04/12/2017 08:08

Tuty Ceni não abre mão da elegância nem como técnico do futebol de várzea

Thailla Torres
Conhecido como Tuty Ceni, ele desperta olhares pelo figurino. (Foto: André Bittar) Conhecido como Tuty Ceni, ele desperta olhares pelo figurino. (Foto: André Bittar)

Numa conversa de poucos segundos, o técnico de futebol Anderson Franco da Fonseca, dita as regras do jogo. Mas entre gritos e gestos, o que chama atenção no campinho de terra do bairro Nova Campo Grande não é o esquema tático. Conhecido como Tuty Ceni, ele desperta olhares pelo figurino e se dedica em escolher a melhor gravata, camisa e calça social para fazer bonito no dia do jogo, mesmo com o calor nas alturas e a poeira que toma conta do futebol de várzea.

"Já virou uma tradição. Se eu deixo a gravata, não me sinto um técnico de verdade", resume. E cada jogo tem de ser uma cor diferente, o que obriga o treinador a estar sempre com o guarda-roupa em dia. "Como sou evangélico, na igreja uso bastante camisa e gravata. Uso as mais batidas aqui, mas sempre bem passada e limpa", destaca.

Sapato brilhando. (Foto: André Bittar) Sapato brilhando. (Foto: André Bittar)
E relógio no estilo. (Foto: André Bittar) E relógio no estilo. (Foto: André Bittar)

O figurino foi inspirado no ex-técnico do São Paulo, Juan Carlos Osorio, que rotineiramente usava terno e gravata. Mas com o tempo, Tuty deixou a peça de lado por conta do calor, admite. Mas ele voltou à ativa quando o ex-goleiro Rogério Ceni comandou o time por seis meses este ano.

No bairro, Tuty enxerga um futebol que vai além do campo e dos craques. Toda vez que os jogadores entram em cena, cada movimento desperta paixão, alegria e amizade. A prova é que nunca nenhuma desavença foi capaz de separar a turma em todos esses anos. Mas que ganhou nome de guerra pela implicância de poucos.

"Há muito tempo já rolava um campeonato no Vila Popular, mas uma dos integrantes do time desistiu e acabou com tudo. Mas ninguém queria desistir do futebol, por isso, me chamaram para coordenar um novo time que acabou ganhando nome de B.O, uma homenagem aos briguentos antigos", descreve.

O time joga em campeonatos amadores da cidade e já conquistou alguns títulos. "A gente brinca no campo, mas é com responsabilidade, respeito e humildade. Isso aqui é nossa diversão e compromisso do fim de semana, acima de tudo".

Rotina que levou tempo para ser aprovada pela esposa do técnico. "No começo ela não entendia muito, ficava enciumada, mas hoje sabe que se eu não vier para o jogo, fico doente", brinca. 

Tuty se apaixonou pelo futebol na infância, mas só chegou a ser goleiro. "Fui criado na beira do campo, mas nunca tive jeito com a bola, gosto mesmo é de ensinar e lutar pelo nosso futebol do bairro, que tem história, mas pouca gente fala".

Além de lutar pela valorização do futebol amador, Tuty revela um sonho, que o mantém inspirado toda vez que escolhe a cor da camisa. "Meu maior sonho é conhecer o Rogério Ceni, contar que eu sei do primeiro até o último gol feito por ele. Quem sabe...".

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Time fazendo oração, já é ritual antes de cada partida. (Foto: André Bittar) Time fazendo oração, já é ritual antes de cada partida. (Foto: André Bittar)


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