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Comportamento

Um dos moradores mais ilustres de MS, herói japonês Onoda morre aos 91 anos

Por Ângela Kempfer | 17/01/2014 10:49
Onoda em foto de 1974, quando reapareceu.
Onoda em foto de 1974, quando reapareceu.

Os mais novos podem não conhecer a história, mas por muito tempo Hiroo Onoda foi o morador mais ilustre de Mato Grosso do Sul, um herói japonês que escolheu Terenos para retomar a vida depois de ficar 29 anos na selva filipina, escondido, porque não acreditava que a II Guerra Mundial tinha acabado.

Aos 91 anos, o ex-tenente morreu ontem em Tóquio, onde vivia nos últimos anos. Onoda virou exemplo de amor à pátria, de perseverança, um dos personagens mais difundidos da história mundial, o “Pelé” do Japão. Resumiu a história de centenas de japoneses que resistiam a acreditar que o imperador poderia ter se rendido.

Em dezembro passado, Onoda esteve pela ultima vez em Mato Grosso do Sul, veio fazer acerto de contas com os dois últimos funcionários da fazenda de criação de gado, que administrou por 40 anos em Terenos. “Foi uma despedida, ele disse que não voltaria mais. Pelo menos consegui dizer tchau”, conta o amigo Acelino Nakasato.

Aos 22 anos, Onoda recebeu a missão de sobreviver de forma independente na selva, defendendo a bandeira japonesa, até que recebesse novas ordens de guerra. Após a rendição do Japão, em 1945, aviões distribuíram folhetos em locais mais afastados, informando a paz, mas Onoda nunca acreditou. A polícia filipina fez buscas, expedições japonesas o procuraram, mas ele resistia por achar que todos eram espiões inimigos.

Só em 1974 finalmente desceu da base militar e reapareceu quando todos pensavam que ele já havia morrido. Ao Exército, entregou sua espada, cerca de 500 cartuchos de munição e 5 granadas de mão.

Durante cerca de um ano recebeu honrarias no Japão e então se mudou para Mato Grosso do Sul, onde o irmão já vivia. Se instalou na Colônia Jamic, local que reunia famílias de imigrantes japoneses, sem falar uma palavra em Português.

“Então choveu pretendentes para casar com ele. Teve até patrocinador do casamento, mas desde que ele casasse na igreja católica”, lembra Acelino. Antes, Onoda teve de ser batizado na igreja Nossa Senhora de Fátima, no bairro Monte Líbano, em Campo Grande. “Fui padrinho de batismo dele, depois de casamento, mas tive que prometer para o bispo que o levaria à missa”, comenta o amigo.

Onoda estava hospitalizado desde janeiro, quando voltou da viagem ao Brasil, por conta de problemas no coração.

Há inúmeros livros e documentários que tratam da saga do ex-militar japonês, que por quase 3 décadas sobreviveu comendo bananas, mangas e caça. O tenente Onoda foi o penúltimo soldado japonês da Segunda Guerra Mundial a se render, sete meses depois foi a vez de Teruo Nakamura, de origem taiwanesa.

Onoda (a esquerda), na despedida de Acelino em dezembro passado.
Onoda (a esquerda), na despedida de Acelino em dezembro passado.
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