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Comportamento

Uma chega da Itália, outra vai à Alemanha e nasce uma amizade

Intercambista descobre a rotina da Capital enquanto a jovem da família planeja morar na Europa

Por Amanda Ferreira | 13/09/2026 07:35


Uma chega da Itália, outra vai à Alemanha e nasce uma amizade
Sofia recebeu um cartaz de boas-vindas da agência ao chegar a Campo Grande (Foto: Amanda Ferreira)

RESUMO

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A família campo-grandense composta por Robson Del Casale, Beatriz Zandonadi e a filha Maria Luisa, de 15 anos, acolheu Sofia Dovesi, italiana de 16 anos, promovendo uma troca cultural que em breve terá caminho inverso: Maria Luisa fará intercâmbio na Alemanha. A experiência reforça que Campo Grande, apesar de não ser destino turístico convencional, oferece contato autêntico com a cultura brasileira.

Há dois meses, Campo Grande ganhou uma nova moradora vinda de longe. Sofia Dovesi, de 16 anos, de Baricella, na região de Bolonha, na Itália, passou a viver com Robson Del Casale, Beatriz Zandonadi e a filha do casal, Maria Luisa Zandonadi Del Casale, de 15 anos.

 Mais do que receber uma intercambista, a família decidiu experimentar dentro de casa uma troca cultural que em breve terá caminho inverso: Maria Luisa, de 15 anos, também fará intercâmbio na Alemanha no próximo ano.

A experiência mostra como Campo Grande pode entrar na rota de jovens de diferentes países que buscam conhecer outra cultura sem ficar restritos aos destinos mais óbvios. Para a família, acolher Sofia significa apresentar a rotina, os costumes e os lugares da Capital, ao mesmo tempo em que se prepara para viver, do outro lado, a experiência de ver a própria filha ser recebida por outra família no exterior.

Ao entrar no universo dos intercâmbios por causa da filha, a família percebeu que Campo Grande aparece menos entre os destinos mais desejados pelos estudantes, normalmente atraídos por capitais e grandes centros.

A experiência com Sofia, porém, mostrou outro lado da escolha: viver em uma cidade fora do circuito turístico pode aproximar o intercambista da rotina real, dos costumes e das relações que formam a cultura de um lugar.

Uma chega da Itália, outra vai à Alemanha e nasce uma amizade
Beatriz Zandonadi recebe Sofia em casa e acompanha de perto a experiência de intercâmbio da adolescente (Foto: Amanda Ferreira)

“A gente entendeu que a cultura de um país não está só onde o turismo está. Mesmo Campo Grande não sendo uma cidade muito procurada para intercâmbio, ela tem muita coisa a oferecer para uma menina de 16 anos que quer viver uma experiência diferente da que tem no próprio país", conta Beatriz.

Recepção calorosa - Para Sofia, uma das maiores diferenças entre Campo Grande e Baricella, na Itália, está no jeito das pessoas. “Campo Grande é muito diferente porque é muito grande e a principal diferença são as pessoas, que são muito acolhedoras”, conta. Ela também diz ter se surpreendido com a quantidade de natureza espalhada pela cidade.

Na escola, as diferenças aparecem até nas matérias. Na Itália, Sofia estudava mais disciplinas da área de humanas, como sociologia, ciências humanas e economia. Em Campo Grande, passou a ter contato maior com biologia, química, física e uma matemática diferente da que estava acostumada. Filosofia também ganhou outro sabor. “Aqui é mais legal. Os professores são muito acolhedores”, afirma.

Uma chega da Itália, outra vai à Alemanha e nasce uma amizade
Feijão, sorvete e açaí estão entre os alimentos preferidos de Sofia desde que chegou ao Brasil (Foto: Amanda Ferreira)

A cultura local também virou parte da experiência. A família que recebe a adolescente conta que ela já experimentou vários pratos brasileiros e tem conhecido costumes que não fazem parte da rotina italiana. Entre tantas novidades, uma escolha chamou atenção pela simplicidade: o prato preferido até agora é feijão. “Lá eles têm mais feijão enlatado. Não é igual ao feijão daqui”, explica.

Campo Grande também surpreendeu pela mistura entre estrutura urbana e contato com a natureza. A adolescente já conheceu parques, viu capivaras e ainda tem na lista uma visita ao aquário. Para quem veio de uma cidade pequena como Baricella, a Capital parece oferecer mais opções sem perder o clima acolhedor. “Aqui tem bastante coisa para fazer e coisas novas para conhecer”, conta.

Trocando de continente - A experiência internacional também vai mudar de lado. Maria Luisa pretende passar um ano na Alemanha e, embora ainda não tenha todos os detalhes definidos, já sabe que deverá estudar em uma escola da cidade onde ficar. A expectativa é morar longe dos grandes centros, o que, para ela, pode facilitar o contato com moradores e com a rotina local.

A escolha pela Alemanha partiu dela própria. “Eu decidi ir para a Alemanha ainda mais porque a Europa é bem diferente do Brasil. Acho que a Alemanha tem uma cultura diferente e gostaria muito de conhecer”, explica.

Uma chega da Itália, outra vai à Alemanha e nasce uma amizade
Maria Luisa se prepara para passar um ano na Alemanha e já iniciou os estudos de alemão para a viagem (Foto: Amanda Ferreira)

Para a estudante, justamente esse contraste faz parte do interesse pelo intercâmbio. Enquanto vê os brasileiros como mais abertos e acolhedores, acredita que os alemães seguem uma rotina mais cercada por regras e organização. A curiosidade está em descobrir de perto como essas diferenças aparecem no cotidiano.

“Eu gostaria de descobrir como é nos outros países, principalmente entre os alemães”, resume. A viagem, portanto, deve ser menos sobre conhecer apenas um novo lugar e mais sobre experimentar uma forma diferente de viver, estudar e se relacionar.

Para a família, receber uma intercambista também amplia a experiência de quem fica em casa. A convivência com jovens de outros países pode aproximar gerações, criar novas rotinas e ajudar a mostrar que Campo Grande também tem espaço para esse tipo de troca cultural, mesmo longe dos destinos mais procurados.

“É uma oportunidade muito interessante para as famílias também. Tem muita gente que os filhos já cresceram e saiu de casa, mas ainda quer conviver, ensinar e trocar experiências. Receber alguém de outro país é aprendizado para todo mundo e também uma forma de mostrar que Campo Grande tem muito a oferecer".

Uma chega da Itália, outra vai à Alemanha e nasce uma amizade
Família recebe Sofia em Campo Grande enquanto se prepara para a futura viagem de Maria Luisa à Alemanha (Foto: Amanda Ferreira)


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