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Comportamento

Viciado em tereré, Cristiano transformou ritual em tatuagem

Bebida já ajudou professor a enfrentar teses, mas para ele nada une mais que compartilhar a erva-mate gelada

Por Natália Olliver | 04/01/2026 07:20
Viciado em tereré, Cristiano transformou ritual em tatuagem
Cristiano Santos transformaou  tereré em tatuagem (Foto: SolZtt)

Muitos podem até achar clichê, mas o professor de biologia Cristiano Santos, de 41 anos, gosta tanto de tereré que fez questão de deixar marcado na pele. A tatuagem une bem mais que um dos símbolos mais fortes de Mato Grosso do Sul. Para ele, a ideia é se lembrar de que nada une mais as pessoas do que uma boa roda de tereré com amigos. Acima de tudo, o objetivo é homenagear as raízes.

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Professor Cristiano Santos, de 41 anos, transformou sua paixão pelo tereré em uma tatuagem que simboliza as raízes culturais de Mato Grosso do Sul. A arte, que retrata mãos segurando uma cuia e a planta da erva-mate, representa a união entre pessoas e territórios através desta tradicional bebida. O professor de biologia, que consome tereré duas vezes ao dia, mantém um ritual específico que inclui água gelada e gelo quebrado. A bebida o acompanha desde os tempos de guarda ambiental no Parque Estadual Mata do Segredo até suas atividades acadêmicas, tendo se tornado parte indissociável de sua rotina diária.

“Sempre que tento responder à questão ‘quem sou eu?’, tenho a impressão de que a resposta passa perto da relação com a terra que me viu nascer e crescer. É pensando no quanto a erva-mate une uma região que congrega estados brasileiros, mas também outros países, que fiz uma composição de mãos, cuia de tereré e a planta da erva-mate.”

Viciado em tereré, Cristiano transformou ritual em tatuagem
Viciado em tereré, Cristiano transformou ritual em tatuagem
Há anos erva de tereré faz parte da rotina de professor de biologia (Foto: Arquivo pessoal)

Durante a vida, assim como inúmeros sul-mato-grossenses, Cristiano não largou a cuia. Seja com amigos ou sozinho, o hábito não abandona o professor, que está longe de querer parar. Para ele, tomar a erva é uma herança do povo Guarani e um ritual diário inegociável.

“Tomo tereré todos os dias, sem falta, duas vezes ao dia, seja no quente ou no frio. Mas, para tomar, tenho um ritual: além da água gelada, tem que colocar gelo quebrado. Na tatuagem, quis mostrar que o orgulho é do Mato Grosso do Sul, mas que isso transcende um pouco o território”.

O professor conta que a bebida foi companheira durante a fase de dissertação e tese na faculdade. Como ele escrevia à noite, precisava de cafeína para se manter acordado. Até para trabalhar ele leva.  Cristiano não se importa de ser chamado de “viciado em tereré”.

Antes de ir para as salas de aula, ele já trabalhou na área ambiental, como guarda em área protegida do Parque Estadual Mata do Segredo. Desempenhou a função por mais de 10 anos e foi nesse período que percebeu o excesso do tereré na rotina.

Viciado em tereré, Cristiano transformou ritual em tatuagem
Gosto pelo tereré está sendo passada para a sobrinha de Cristiano (Foto: Arquivo pessoal)

“A gente caminhava bastante lá dentro e nós tínhamos intervalo, e era nesse momento que a gente tomava, éramos três pessoas. Aí acabou sendo incorporado o hábito além do trabalho. Eu cheguei a começar medicina veterinária, mas não terminei. Fiz estágio e ficava o dia todo no hospital. A única coisa que queria fazer era ir embora para tomar meu tereré. Foi aí que percebi que bebia muito. Todas as vezes que eu viajo, eu levo a erva e a bomba”.

Além do tereré, o professor coleciona outras tatuagens regionais pelo corpo. “Tenho, em um dos braços, uma outra tatuagem que a Sol fez, que é um pouco dessa história, contando a lenda da mandioca. Na barriga, uma coruja, que seria a parte indígena. Parte das minhas tatuagens, todas elas, têm uma relação comigo, com o momento que eu estou vivendo, com o que estou querendo simbolizar ali. Estou muito feliz com essa composição.”

Viciado em tereré, Cristiano transformou ritual em tatuagem
Cristiano não dispensa reunir amigos para beber tereré (Foto: Arquivo pessoal)

Ele explica que todas são tentativas de representar a relação dele com a terra e com a cultura do estado que tanto ama. “Tenho ligação muito forte com a natureza, com plantas e bichos. Biologia é minha paixão e as tatuagens são um pouco disso, a tentativa de representar a relação com a terra, com o território, com a cultura, com o pertencimento.”

Viciado em tereré, Cristiano transformou ritual em tatuagem
Objetivo da tatuagem foi homenagear as raízes e eternizar o gosto pela bebida (Foto: Arquivo pessoal)