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Consumo

Queridinha da decoração, bicicleta barra forte vira febre pelas memórias

Bicicleta é ideal para quem gosta da decoração retrô, mas ainda mais do valor emocional

Por Bárbara Cavalcanti | 18/06/2021 06:24
Na casa de Márcio Costa, bicicleta foi parar na parede para decoração. (Foto: Arquivo Pessoal)
Na casa de Márcio Costa, bicicleta foi parar na parede para decoração. (Foto: Arquivo Pessoal)

Duas empresas concorrentes, a Caloi e a Monark, criaram na década de 80 um estilo de bicicleta popular para quem precisava carregar pessoas e também coisas pesadas. A Caloi é dona da Barra Forte, que tem o aro reto, enquanto a Monark assina a Barra Circular, cujo nome já explica o círculo para o reforço. O item hoje é queridinho na hora da decoração retrô, mas carrega muito mais valor sentimental.

Nas redes sociais, o Lado B quis saber quem tinha uma bicicleta barra forte e amantes do item de todas as partes da cidade apareceram com modelos do item. Em unanimidade, os leitores comentam: a bicicleta lembra de tempos passados. Foram histórias de avós e pais que adquiriram a bicicleta especialmente para trabalhar ou para transportar filhos ou netos. O valor sentimental sempre acaba sendo o determinante e na hora de restaurar, o objetivo da maioria dos leitores é manter o mais próximo do original possível.

No caso da Caloi, o modelo hoje em dia é uma raridade, de acordo com  o comerciante Gilmar Elias Batista. “Uma Caloi é uma relíquia, pois ela saiu de circulação, já não é mais fabricada”, explica. Gildson Luciano Barreto Cabral, de 44 anos, que mora no Jardim Tarumã, foi atrás de uma Caloi na internet pela lembrança do avô.

Caloi original de Gildson foi achado na internet. (Foto: Arquivo Pessoal)
Caloi original de Gildson foi achado na internet. (Foto: Arquivo Pessoal)

“Comprei de uma pessoa que vendia do pai que tinha falecido. Mantive o original, não pintei, só troquei algumas peças. Hoje ela está aqui em casa para quem quiser andar. Eu lembro muito do meu avô, que carregava a gente pra cima e pra baixo. Ele era tapeceiro na Base Área, conseguiu sustentar os filhos graças à bicicleta. Lembro também que aos domingos, ele carregava pão e leite pra gente tomar café, eu e meus primos. Com a bicicleta, é como viajar no tempo, marcou muito minha vida”, expressa.

A lembrança de tempos bons, com as pessoas levando os filhos na garupa da bicicleta, também foi o que levou Marcio Costa, que mora na Vila do Polonês, a adquirir uma parecida com a Caloi.

“A minha é só parecida, eu calculo que ela seja de 1940 ou 1950. Quando minha filha nasceu, eu queria uma nesse estilo Barra Forte por causa da memória afetiva de ver as pessoas carregando os filhos. Usei durante dois anos até nascer meu filho, então comprei outra bicicleta e um trailer para carregar os dois, aposentei a Barra Forte e agora ela é decoração na parede”, detalha.

Hoje, ele usa a bicicleta por hobby com a filha Helena Valentina na garupa. (Foto: Arquivo Pessoal)
Hoje, ele usa a bicicleta por hobby com a filha Helena Valentina na garupa. (Foto: Arquivo Pessoal)

A Monark Barra Circular é mais fácil de achar e inclusive comercializada até hoje. “Ela é uma bicicleta básica. O objetivo do círculo no meio é fazer um reforço, só que circular, e não reta como é na Barra Forte”, explica Iran Vieira de Almeida, gerente na Ciclo Ribeiro.

A maioria das histórias de Monark Barra Circular que os leitores contaram ao Lado B são heranças de gerações anteriores da família. É o caso da bicicleta de Flavia Simioli Gutierres, que mora no Bairro Novos Estados. Ela “fisgou” a bicicleta da casa do pai.

“O modelo dela é de 1968, uma edição da Copa do Mundo. Trouxe ela pra casa e só trocamos os pneus, que estavam muito gastos, mas tirando isso é tudo original”, detalha. O item era o meio de transporte do pai na adolescência. “Meu pai comprou essa bicicleta na época, quando ele tinha uns 15, 16 anos para trabalhar de office boy”, relata.

A bicicleta do pai de Flavia é da série Copa do Mundo de 68. (Foto: Arquivo Pessoal)
A bicicleta do pai de Flavia é da série Copa do Mundo de 68. (Foto: Arquivo Pessoal)
Detalhes da bicicleta de Flavia. (Foto: Arquivo Pessoal)
Detalhes da bicicleta de Flavia. (Foto: Arquivo Pessoal)

No Los Angeles, Wagner Batista Rodrigues, que já apareceu aqui no Lado B contando a história sobre seu pequeno museu de relíquias, tem até a nota fiscal original da bicicleta que ganhou do avô. Também não quis descaracterizá-la e apenas trocou uma peça. “Eu vejo muita gente pintando ou colocando um monte de coisa, mas eu não quis. Ainda uso pra andar por ai de vez em quando, o único problema é que ela é pesada. Tem que ter bastante força nas pernas”, ri.

A antiguidade da bicicleta não impressiona tanto quem comercializa o item há muitos anos, como no caso de Gilmar. “Já foi feito o enterro da Caloi. Elas aguentavam muita carga. Mas eu sou mais fã das bicicletas de hoje, que são mais leves e têm mais recursos para você ter uma pedalada agradável. Sou privilegiado por estar vivenciado e podendo utilizar uma bicicleta elétrica”, declara.

Wagner com sua bicicleta que ganhou do avô. (Foto: Paulo Francis)
Wagner com sua bicicleta que ganhou do avô. (Foto: Paulo Francis)

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