Barriga saliente do dono inspira nome do boteco 'Cinturinha de Ovo'
Bar tem pinga na raiz, antiguidades e dono tímido que não quis ter a barriguinha fotografada
Quem passa pela frente costuma diminuir a velocidade para conferir se leu certo. Com um desenho de três ovos de cinto na parede e o nome "Cinturinha de Ovo" estampado na fachada, o bar de Sérgio Fernando da Silva, de 54 anos, é uma das curiosidades do Bairro Rancho Alegre. Entre uma partida de sinuca, uma dose de pinga de raiz e uma viola de cocho apoiada no canto, o apelido chama tanta atenção quanto o próprio estabelecimento.
Dono do bar e conhecido pelo mesmo nome, Sérgio preferiu não posar para fotos da reportagem por timidez. Mas explicou a origem do apelido que hoje identifica o negócio. A história começou há cerca de três anos, inspirada na música "Cinturinha de Ovo", do cantor Xirú Missioneiro. Segundo ele, os amigos passaram a fazer brincadeiras por causa da "barriguinha" e o nome acabou pegando.
“Por causa do cinturinha colocaram esse apelido para mim. Aí cheguei aqui, montei o bar e tá dando certo”, resume.
Apesar da fama do estabelecimento, Sérgio mantém o estilo discreto. Durante a entrevista ele não quis que a equipe fotografasse o ‘shape’ que deu origem ao apelido. “Foto minha não”, avisou.
Antes de abrir o próprio negócio, Sérgio trabalhou como chefe de garçom e chegou a coordenar atendimento para mais de 700 pessoas em fins de semana. Natural de Naviraí, ele veio para Campo Grande há cerca de três anos e decidiu apostar no bar com identidade popular.
O antigo estabelecimento tinha outro nome: “Gruta do Máquina”. Depois de mudar de endereço para a Rua Taumaturgo, o apelido virou marca oficial. E deu certo. Segundo Sérgio, o nome diferente ajuda bastante na divulgação. “Hoje em dia o negócio é rede social. O povo acha graça, comenta, posta e isso ajuda”, conta.
Nos fins de semana, o bar costuma lotar de gente atraída pela comida. Tem caldo, feijoada, dobradinha e churrasco, servidos de forma simples e sem muita formalidade. O valor varia entre R$ 10 e R$ 20 por pessoa.
Mas o grande diferencial está no ‘jeitão raiz’ que o comerciante faz questão de manter. Em uma mesa no canto do bar, ele exibe itens antigos. Tem máquina de costura antiga, toca-discos, lamparinas, máquina de datilografia e até uma viola de cocho. “Quem aparecer e pagar leva”.
Além das antiguidades, outro destaque são as pingas artesanais com raízes. Tem guavira, jatobá, sucupira, emburana e canelinha. As doses custam entre R$ 3 e R$ 5 e atraem clientes que gostam de boteco tradicional, daqueles sem frescura e cheios de histórias curiosas.
O Bar Cinturinha de Ovo fica na Rua Taumaturgo, 1722, no Rancho Alegre.
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